Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

A luzinha, essas várias luzinhas ao fim do túnel.

Uma luz concreta, exata, ao fundo do túnel.

A luz ao fundo do túnel.

Um concerto para quem se está a vacinar. Escutamos o famoso violoncelista Yo-Yo Ma, que esta semana usou a sala de espera de um centro de vacinação à Covid-19 como palco. O músico norte-americano, nascido em França e de origem chinesa, é um dos melhores violoncelistas da história. Tem 65 anos e foi chamado para receber a vacina. Ora, para esse momento, Yo-Yo Ma decidiu levar o violoncelo. Interpretou Ave Maria, de Franz Schubert, e a Suíte para Violoncel número um, de Bach. O concerto, improvisado, chamou a atenção das câmaras dos telemóveis de todos os utentes deste centro de vacinação em Massachusetts, nos Estados Unidos. À boleia do violoncelo de Yo-Yo Ma, os Estados Unidos estão entre os países que têm um plano de vacinação mais avançado. Já foram administradas neste país cerca de 110 milhões de doses, sendo que Joe Biden, o presidente, já revelou que os Estados Unidos devem conseguir alcançar a imunidade de grupo no início de junho. Na União Europeia, cenário bem diferente. Foram administradas 52 milhões de doses. Apesar da Pfizer e da Moderna terem conseguido cumprir os prazos de entregas, a AstraZeneca falhou e a isso junta-se agora a suspensão desta vacina em vários países. As autoridades de saúde esperam um aumento da vacinação no próximo trimestre, mas, para já, todos os dados revelam um atraso face àquilo que foi projetado no início do ano. Em Portugal, já foram administradas mais de 1,2 milhões de doses de vacinas. E já se notam resultados. Há menos casos de doentes graves entre os mais velhos e nos lares, a segunda semana de março foi a que teve menos mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, com uma redução de 98% na mortalidade nestas instituições. Com a situação pandémica a abrandar de forma consecutiva, Portugal começou a desconfinar e o plano a conta-gotas prolonga-se até ao início de maio. Mas é preciso manter cautelas e assumir que tudo pode mudar de um dia para o outro. A comunicação é essencial para evitar um novo descontrole e neste episódio falamos dos comportamentos da população durante esta crise pandémica. Ao longo do último ano, o comportamento da população portuguesa já foi elogiado e criticado. Já se falou em milagre e também em pesadelo. E o mesmo foi dito em relação à comunicação das autoridades. Nos últimos dias, foi criada uma equipa de cientistas comportamentais para analisar comportamentos e ajudar na comunicação à população durante esta pandemia. António Silva é investigador do Instituto Superior de Economia e Gestão e faz parte desta task force.

Está?

Estou sim, boa tarde.

Boa tarde.

Doutor António Silva.

Sim.

António Silva, obrigado por se juntar a nós aqui na Luz ao Fundo do Túnel. Vamos olhar nos próximos minutos um pouco para aquilo que tem sido o comportamento da população portuguesa ao longo deste ano de crise pandémica e também aquilo que tem sido a comunicação por parte das autoridades e o que é que pode ser melhorado nesse aspecto. Nos últimos dias foi criada esta task force de cientistas comportamentais para ajudar na comunicação à população, da qual faz parte. Esta task force é um projeto recente. Já há alguma estratégia para este arranque de trabalhos?

A task force foi criada esta semana. Formalmente, o despacho ainda não saiu, portanto, a criação é muito recente. Informalmente será esta semana. Só tivemos uma reunião inicial de apresentação. Portanto, não há ainda um trabalho que possa ser apresentável. Estamos só no início desta task force.

Mas já sabem sobre o que é que vão trabalhar?

Sim. Há várias áreas que vamos explorar e que o despacho dará mais detalhe, mas será na área de apoiar o governo no desenvolvimento das comunicações relativas ao Covid. Isto pode ser na área de desconfinamento, na área da vacinação, por exemplo. Iremos também tentar obter indicadores de evolução do comportamento e das atitudes da população nos próximos meses. E, em terceiro, vamos tentar testar as comunicações. Portanto, não só dar apoio consultivo, mas também tentar testar essas mensagens antes de serem publicadas, para podermos escolher a forma mais eficaz e compreensível das medidas a serem anunciadas no futuro.

Falou aí de vários aspectos. Queria segui-los mais ou menos por ordem. Falou sobre melhorar a comunicação relativamente ao desconfinamento. O que é que é preciso melhorar?

Um dos aspectos mais importantes de qualquer comunicação relacionada com comportamentos de risco tem a ver com a simplificação dessa mensagem. Portanto, particularmente em situações em que o contexto muda rapidamente, como no caso da pandemia da Covid, é muito importante que essa mensagem seja clara e simples. Isso nem sempre é fácil de conseguir, porque muitas vezes as medidas, do ponto de vista epidemiológico, são complicadas e é muitas vezes difícil as traduzir de forma simples para que assim a população as siga.

Mas isso tem falhado nos últimos meses, na sua análise?

Eu acho que quase todos os governos do mundo têm tido dificuldades em simplificar essa mensagem. Não acho que é culpa dos governos, é simplesmente culpa da situação, que é muito complexa e que está constantemente a mudar. E portanto, é um trabalho constante de se tentar traduzir as medidas, se as pessoas devem usar máscaras, se hoje é que devem usar máscaras, se devem estar cá fora, se devem estar dentro, quanto o número de pessoas, em que tipo de atividade, para um leque de regras que sejam fáceis para a população compreender. Portanto, é um desafio que se tem que trabalhar mais e fazer um esforço para as simplificar.

Portanto, o objetivo é clarificar, simplificar a mensagem, ser mais objetivo e tirar melhores resultados dessa comunicação que é feita à população.

Sim, porque a população quer seguir as regras, há essa intenção e o comportamento, nós podemos ver pelos indicadores, por exemplo, de movimentos, que tem havido uma adoção muito grande da população portuguesa em seguir as regras, mas isto podia ser melhorado ainda com uma transmissão mais simplificada e que poderia ser mais eficaz.

Acha que o comportamento da população portuguesa ao longo desta crise pandémica tem sido positivo?

Sim, e os números demonstram isso. Quando olhamos para os indicadores, há vários indicadores, um dos melhores indicadores são de movimento através dos telemóveis, que quer a Apple, quer a Google publicam. São indicadores públicos e é muito claro ver que quando há novas regras que são anunciadas, por exemplo, como o confinamento em janeiro, em que vemos um decréscimo muito substancial do número de movimentações. Portanto, eu acho que tem havido um seguimento importante e bom da população portuguesa em relação às regras.

Falava também sobre alterações que podem ser feitas na comunicação quanto ao plano de vacinação. O que pode mudar neste aspecto?

Em relação à vacinação há vários aspectos que poderiam ser explorados. Um deles tem a ver, por exemplo, com a comunicação feita através, por exemplo, das mensagens de texto, de marcação das vacinas. Eu acho que aí há bastante trabalho que poderia ser feito para tornar essas mensagens mais fáceis de serem compreendidas e de os utentes a responderem. Portanto, para podermos aumentar a taxa de vacinação.

Mas como é que se pode melhorar, na prática, esse tipo de mensagens? Mudar o texto, mudar a forma de comunicar e deixar de ser por mensagem e outro tipo de comunicação? Qual é especificamente?

Por exemplo, fazer alterações de texto. Pequenas alterações podem ter um impacto bastante grande. Nós sabemos, há vários estudos, especificamente em relação à vacinação, não só de Covid, mas por exemplo, das vacinações da gripe, que fazer pequenas modificações tem impacto grande. Por exemplo, um estudo recente da Universidade da Pensilvânia, que saiu no mês passado, mostra que se na mensagem dizer que nós reservamos uma hora para você receber uma vacina e comparar reservar essa hora com simplesmente você pode ter esta vacina, tem um aumento de cerca de 11% do número de pessoas que aparece para ser vacinado. Isto tem a ver com a ideia de reciprocidade, das pessoas, se alguém ajuda a fazer a marcação, a pessoa sente muito mais a necessidade de cumprir. Isso é um exemplo, mas há vários outros, por exemplo, dar mensagens personalizadas em que se usa o nome da pessoa, por exemplo, "Caro António, nós reservamos uma vacina para você amanhã às 14:00", tem mais impacto se não tiver o nome personalizado. E estes são só dois exemplos, mas há muitos outros em que pequenas diferenças de texto na forma como comunicamos pode ter um impacto bastante importante.

Sim, mas a comunicação por mensagem SMS, na sua opinião, é a mais correta, uma vez que estamos a falar de mensagens que são dirigidas à população mais velha?

As mensagens SMS não devem ser a única forma de como isso é comunicado. É uma forma fácil e barata de chegar a um grande número de pessoas, portanto, deve ser utilizado e faz todo sentido. Mas para certos grupos terá que haver medidas adicionais para chegar a essa população.

Que medidas adicionais?

Isso já não tem tanto a ver com a minha função, mas poderão ter a ver questões presenciais, telefonemas, por exemplo, cartas. Há vários outros métodos que devem ser explorados para poder chegar a um número maior da população, especialmente uma população idosa.

Olhando para aquilo que tem sido a estratégia do governo e olhando concretamente para este plano de desconfinamento que foi apresentado na semana passada. Foi definido quase um calendário com várias regras e foi apresentado um quadro com cores para indicar o nível de risco de transmissão do vírus e o nível de risco em que Portugal pode estar. Olhando para esse plano que foi apresentado, acha que a comunicação foi a mais correta? Não lhe vou perguntar sobre a estratégia em si, mas a maneira de comunicar à população foi a mais correta?

Eu pessoalmente acho que, por exemplo, a questão do quadrante das cores, eu acho que é uma maneira boa de explicar uma questão complicada. O primeiro aspecto é que é provavelmente das primeiras vezes que temos regras claras de como o processo de confinamento vai ser seguido. E, portanto, isso eu acho um elemento muito positivo. E depois a segunda parte, como é que se comunicam essas regras. E as regras não são simples, portanto, é difícil das comunicar. Eu acho, pela minha experiência profissional, que o quadrante funciona bem. Agora, a minha opinião profissional não quer dizer que esteja correta. Sendo cientista, o que eu gostaria que acontecesse é que essa abordagem de comunicar pudesse ter sido testada comparativamente a outras maneiras alternativas, antes de serem publicadas, para tentar perceber qual é a maneira mais fácil e mais compreensível de que se deve usar. Portanto, eu acho que uma abordagem empírica, em que testamos algumas alternativas antes de as lançar, seria o ideal. E é algo que no futuro esperemos que possa ser possível de estabelecer uma maneira de testar rapidamente qual é a forma mais eficaz de comunicar.

E vocês vão fazer também essa análise nessa task force?

Esse é um dos objetivos, algo que estamos ainda a trabalhar, a forma logística de definir e construir isso.

Ainda quanto às vacinas, nas últimas semanas têm surgido tanto boas notícias como más notícias, ora que há mais vacinas aprovadas, ora que há problemas com algumas vacinas e atrasos em algumas entregas, situações que têm gerado até alguma confusão e alguma desconfiança perante os utentes. Como é que a nível comunicacional se pode melhorar a mensagem que é passada à população relativamente a esta questão das vacinas e a segurança destes fármacos?

Portanto, em relação às vacinas e a questão da AstraZeneca, a minha capacidade profissional, não sou médico, não sou epidemiologista, mas por todos os estudos que vi é que a vacina AstraZeneca é tão eficaz e tão segura como todas as outras vacinas, que são muito seguras. E eu acho que isso deveria ser a mensagem principal a ser transmitida, que a vacina AstraZeneca é segura e que está a ser confirmado pela EMA, a Agência de Medicamentos Europeia, e confirmada por praticamente todos os estudos. Portanto, eu acho que isso seria o mais importante, é uma mensagem consistente de que é segura, porque, por exemplo, a questão dos casos recentes que tivemos de reações adversas, quando vamos ver o número de reações adversas que as pessoas tomaram a vacina, é o mesmo número de pessoas que não tomaram a vacina, porque reações adversas acontecem por imensas razões e simplesmente, estatisticamente, parece que é puramente por coincidência que houve essas reações adversas. Portanto, eu percebo a questão da precaução, que é preciso ter cuidado, mas o mais importante é que as pessoas se vacinam e que não importa que tipo de vacina, o importante é que se vacinam.

Mas acha que esse é o maior desafio para os próximos tempos, comunicar bem esta estratégia quanto à vacinação para que tudo possa correr bem, quer em Portugal, quer nos outros países?

Comunicação e questões logísticas, como é que conseguimos que as pessoas não faltem a vacina e que apareçam, e que saibam quando é que a vacinação vai correr, em que sítio é que vai ser. Há todos esses pequenos aspectos de logística. Por exemplo, há vários outros estudos que mostram, por exemplo, quando se manda um e-mail, um SMS de vacinas em que se põe um link com a morada, em que se pode carregar e diz como é que se chega a essa morada, tem um impacto, pode ser de 5% a 10% a probabilidade que as pessoas apareçam. Além da comunicação, é tornar a vacinação o mais fácil possível para aumentar a taxa e a rapidez com que as pessoas se vacinam o mais rapidamente possível.

António Silva, estamos na luz ao fundo do túnel e costumamos terminar este programa a olhar para o futuro. Focando na sua área, o que espera do comportamento da população agora que arrancou esta fase de desconfinamento? O que espera das próximas semanas?

Tendo em conta o que tem vindo a acontecer, eu espero que a população continue a seguir as regras, como tem vindo a seguir. E espero que, devido à vacinação e devido aos resultados positivos do confinamento, lentamente possamos voltar à vida normal e que as pessoas sigam as regras de forma responsável para assim podermos ter os benefícios dessas regras e de todos os sacrifícios que temos vindo a fazer no último ano. Portanto, as minhas expectativas são positivas.

Com esta nova task force, António Silva vai ajudar a estudar os comportamentos da população para encontrar melhores formas de comunicar por parte das autoridades. Uma estratégia de comunicação em tempos de incerteza, mas numa altura em que já se caminha para o fim deste longo túnel.

O Covid não desapareceu, ainda não estamos todos vacinados, ainda levará muito tempo a ultrapassarmos esta batalha.

Se foi vacinado, mantenha-se tranquilo. Se a pausa não for prolongada, nós retomaremos o ritmo que estávamos a ter com a vacina da AstraZeneca e recuperamos muito rapidamente.

Temos total confiança naquilo que é o trabalho da Agência Europeia do Medicamento e na segurança das vacinas por si aprovadas.

We want reliable deliveries of vaccines and we are ready to use whatever tool we need to deliver on that.

I will not relent until we beat this virus, but I need you.