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"A Nossa Cultura" hoje no Museu Calou do Amaral, onde falamos das obras dos artistas desta família que tem forte ligação a Viseu. E no episódio de hoje voltamos a falar de Francisco Pires Calo do Amaral. Já falámos de algumas obras e exposições de que foi protagonista, mas estamos a falar de um homem, Liliana Martins, que não é apenas um artista. Ele teve outras profissões, entre as quais arquiteto.

Sim, o Francisco é formado em Arquitetura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa e também tem um curso de Ciências Pedagógicas da Universidade de Coimbra. Paralelamente, ele também desenvolve projetos artísticos, como foi o caso da exposição com os 20 objetos metafóricos, que falámos no outro episódio. E também era pintor e cartunista. Também há um lado da prática artística, devido ao sentido de humor muito acentuado que o Pitum tem, que depois também se materializa nesta espécie de desenhos de banda desenhada.

Já vamos falar dessas pinturas, da pintura mais ligada ao cartoon, mas vamos começar pela arquitetura. Temos aqui uma casa muito interessante. Primeiro começar por uma casa que é a maquete da casa de férias de Maria Calo, a mãe de Francisco, acaba por ser uma maquete do que acabou por ser uma casa de família.

Sim, esta foi a maquete do Pitum para a mãe, ou seja, de um filho para uma mãe, projetada por ele. Na parede em frente conseguimos ver fotografias da casa já construída e o projeto. A casa ainda é hoje casa de férias da família, ou seja, ainda se mantém. Há uma curiosidade: a casa por dentro tem alguns azulejos que foram feitos extra das estações de metro, que depois não foram utilizados. Não temos nenhuma fotografia do interior, mas deve ser interessante depois de visitar.

E é uma casa que fica em Lagoa, casa de férias para Maria Calo, arquitetura de Francisco Pires Calo do Amaral, conhecido por Pitum. Já explicámos isso no outro episódio. Agora vamos para uma casa que não foi construída. Eu adorava poder ver esta casa ao vivo, construída. Lamentavelmente, acabou por não ser construída. É uma maquete de uma moradia em Setúbal. A maquete data de 1973. Ficaria esta casa numa encosta, um terreno em declive, e é uma casa que visto de frente, ou seja, olhando para a maquete, se víssemos a entrada principal da casa em frente a uma estrada, seria praticamente uma casa normal. Uma porta, um alpendre, tinha umas janelas. Acontece que do outro lado da casa, o que temos é a estrutura de um barco.

Sim, este é um projeto para uma casa realmente excêntrico, porque ele basicamente é um barco. É o metade de um barco. E tem essa particularidade que tem duas vistas. De um dos lados parece uma casa absolutamente normal, mas depois o outro lado que vai descendo a colina, temos a representação de um barco. E estamos a revisitar outra vez o sentido de humor do Pitum, que planeou esta casa para um compadre que era oficial da Marinha, e daí a ligação do barco.

Lê-se mesmo: "Moradia para um compadre oficial da Marinha Mercante, num terreno muito inclinado, Setúbal, 1973". Acabou por não ser construída. Certamente iria ser uma atração curiosa em Setúbal. Vamos passar então para a pintura, para fecharmos também este segmento dedicado a Francisco Pires Calo do Amaral, Pitum. Começamos aqui com algumas obras. Que obras são estas que estamos a ver? Vemos retratos, não são muito realistas. A quê é que podemos ligar estas obras?

Podemos enquadrá-las no movimento do neorrealismo, ou seja, são representações de figuras humanas, mas estão estilizadas, não são absolutamente reais. O traço e a cor é muito gráfico. Poder-se-á dizer que temos aqui algumas influências até da mãe e do registo mais esquemático. E são quadros que são muito monocromáticos, usam a mesma paleta de cores, combinam todos entre eles, fazem o conjunto dos quadros.

E prosseguimos aqui para a secção mais do cartoon. Uns mais fáceis de perceber do que outros. Por exemplo, o que diria que é mais fácil de perceber? Vê-se um rapaz que tem um pequeno lagarto agarrado por uma corda e depois dentro de caixas, uma série de outros lagartos, lagartixas pequeninas, de pequenas dimensões, que cabem na palma de uma mão, e depois um grande cartaz que diz: "For sale. Genuine. underdeveloped crocodile". Ou seja, em português, à venda, reais, genuíno, um crocodilo subdesenvolvido, ainda em desenvolvimento. Três dólares. E a explicar aqui a questão do comércio, do capitalismo, tudo é possível de vender se for bem anunciado.

Sim, e provavelmente é a representação de algum episódio que ele presenciou em alguma ilha, em algum dos sítios onde ele e a família habitaram. Porque o outro ao lado, que diz "América" e uma pessoa a nadar, tem um título que se chama "Mudar de Vida". Também é um questionamento este, o sonho americano. E há uma terra que está a ser abandonada para trás.

Está a ser abandonada por alguém que tem uma coroa na cabeça, portanto, alguém da realeza ou alguém da monarquia a fugir de uma terra, que podemos dizer, talvez, o continente europeu, e com uma placa no meio do oceano a dizer "América" em cima de uma boia e um homem a nadar. Estamos a falar tudo de obras a preto e branco. E um homem a nadar em direção à América, neste caso, "Mudar de Vida" é o título desta obra. Cartoon, pintura, arquitetura, trabalhos em destaque de Francisco Pires Calo Amaral, conhecido por Pitum, neste episódio de "A Nossa Cultura".