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Quase mil detidos em França durante protestos com mais de 400 mil pessoas. Manifestações terminam em confrontos em Itália e Albânia

Milhares de pessoas saíram às ruas em França: polícia reagiu com canhões de água e gás lacrimogéneo e cerca de mil pessoas foram detidas. Confrontos registados também em Itália e na Albânia.

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Quase mil pessoas foram detidas em França este sábado durante os protestos realizados por todo o país, que reuniram no total mais de 400 mil pessoas — 110 mil só na capital. Apesar de a maioria das manifestações ter corrido de forma pacífica ao longo do dia, num registo diferente do último fim de semana quando dezenas de lojas foram vandalizadas e saqueadas, ainda se registaram conflitos com as forças de segurança ao fim do dia, que usaram canhões de água e bombas de gás lacrimogéneo para dispersar as multidões.

Em declarações à imprensa por volta das 18h locais, 19h em Lisboa, o ministro da Administração Interna, Laurent Nuñez, apresentou um balanço de quase mil detidos em todo o país, um número que, já adiantava, “vai aumentar”. Ainda assim, Nuñez considera que as 289 manifestações registadas no sábado “decorreram bem, sob a supervisão das forças de segurança interna”, disse, citado pelo Le Monde. Cerca de 70 mil agentes de segurança foram mobilizados em todo o país.

O ministro, entretanto, lamentou a “formação de vários grupos de risco” e denunciou a presença de “militantes da extrema-esquerda radical — a ‘ultraesquerda’ —, que, por vezes, reuniram em torno de si elementos ultrarradicais”. De acordo com as autoridades, já no final das manifestações, alguns indivíduos permaneceram no local dos protestos e atiraram objetos contra os agentes de segurança.

Citando o exemplo de Paris, que chegou a contar com 110 mil pessoas durante a marcha da tarde, o ministro responsabilizou “grupos radicais e de extrema-esquerda” por “atacarem o bloqueio policial”. “Tratava-se de 500 vândalos determinados a confrontar a polícia e a realizar saques”, disse Nuñez, citado pelo Le Figaro. Nas redes sociais, a polícia municipal de Paris partilhou um vídeo de pessoas a tentar invadir uma concessionária automóvel, para justificar a atuação mais musculada.

“Em pelo menos duas cidades, os militantes de extrema-direita procuraram confrontos com a extrema-esquerda”, disse ainda o ministro. Além de Paris, os confrontos registaram-se em cidades como Marselha, Grenoble, Estrasburgo, Lille, onde foram usados canhões de água e bombas de gás lacrimogéneo para dispersar alguns manifestantes, já no final das marchas. Em Nice, 11 pessoas foram detidas pela polícia e três ficaram feridas depois da ação das forças de segurança, que, de acordo com a Câmara Municipal, citada pelo Le Figaro, teve como objetivo dispersar um confronto entre manifestantes e indivíduos de extrema-direita.

Entretanto, as situações mais tensas registaram-se em Lyon e Nantes. Em Lyon a manifestação estava proibida e, assim que partiu da Praça Jean Macé, foi reprimida pelas forças de segurança, que usaram bombas de gás lacrimogéneo. Os cerca de 10 mil manifestantes resistiram, montando barricadas feitas de trotinetes. Já em Nantes, a Câmara Municipal diz que “indivíduos tentaram forçar a entrada no perímetro proibido para manifestações não declaradas”, obrigando as forças de segurança a “utilizar gás lacrimogéneo e um canhão de água, após terem realizado as advertências prévias”. Nove pessoas foram detidas.

Jean-Luc Mélenchon, líder do principal partido da esquerda francesa, “La France Insoumise” (LFI), usou as redes sociais para acusar a polícia de “estragar o dia” em Paris ao disparar “indiscriminadamente sobre a multidão”. “Em Paris, para estragar o dia e descontrair, as chamadas forças da ordem lançam gás e disparam indiscriminadamente sobre a multidão, na retaguarda da manifestação, com o objetivo de obter imagens para as estações locais — as mesmas que, durante toda a semana, exibiram as cenas que motivaram o assassínio de Trappes. Uma vergonha ininterrupta”, escreveu, citando o ataque que resultou numa morte.

Para a CGT, a Confédération Générale du Travail, terão sido cerca de 800 mil pessoas a manifestarem-se em todo o país, enquanto o Ministério da Administração Interna de França avançou com um número menor: 410 mil. Em Paris, o Governo confirma o número das autoridades municipais, de 110 mil manifestantes, enquanto a CGT contabiliza 250 mil pessoas.

Vários detidos em Itália. Milhares nas ruas em Espanha, Albânia e Israel

Em Itália também se registaram confrontos com a polícia, mas menos violentos do que no último fim de semana, especialmente depois de as autoridades terem realizado várias detenções preventivas em Milão e nos arredores — com o apoio de drones e outras operações em estações ferroviárias. Esta manhã foram realizadas 150 buscas em Milão e Monza, abordadas centenas de pessoas e várias delas foram levadas para interrogatório — incluindo o suspeito de instigar as manifestações violentas do passado fim de semana. De acordo com o Corriere della Sera, o homem chama-se Youssef Shier, tem 30 anos, e estará por trás das publicações do “Movimento 17 de Outubro”. O homem foi interrogado pela polícia esta tarde e terá sido confirmada a acusação de incitamento à prática de um crime — agravada por intenção terrorista e pelo recurso a meios digitais.

Durante a tarde, a manifestação em Milão decorreu de forma pacífica, apesar de a marcha ter sido bloqueada pela polícia em vários pontos do trajeto. De acordo com o La Repubblica, terão sido 10 mil pessoas a marchar pelas ruas de Milão este sábado — incluindo uma marcha pró-Palestina que se juntou à manifestação no Corso Venezia.

Se em Milão as manifestações decorreram sem confronto com a polícia, em Roma alguns jovens forçaram a entrada no Coliseu, depois de a polícia usar a força para tentar dispersar a multidão que se deslocou do percurso da marcha e seguiu para a zona turística. A segurança do Coliseu, assim como a polícia, expulsaram os manifestantes que conseguiram ultrapassar a barreira de acesso ao monumento. Também em Bolonha caixotes de lixo foram incendiados, e a polícia reagiu com bombas de gás lacrimogéneo.

De acordo com o Departamento de Segurança Pública de Itália, em todo o país foram 371 pessoas levadas à esquadra, sendo que 110 são menores e 69 estrangeiros. Destas, 87 foram formalmente acusadas e nove foram detidas. No total 4292 pessoas foram identificadas.

GettyImages-2301317507 epa13328663 Demonstrators affiliated with the October 17 Movement (Movimento 17 Ottobre) march in Rome, Italy, 24 October 2026, amid nationwide demonstrations. Banner in picture reads 'Empty shelves? We eat the rich'.  EPA/EMANUELE VALERI

▲ Em Roma, os manifestantes forçaram a entrada no Coliseu

Getty Images

Na Albânia, que entra no 12º dia de protestos, a pedir a demissão do primeiro-ministro, Edi Rama, mais de 2 mil polícias foram mobilizados com a intenção de impedir a entrada de manifestantes na capital, Tirana. De acordo com o The Guardian, houve violência policial na tentativa de conter os manifestantes. Civis foram retirados das ruas por agentes mascarados e a polícia de choque usou balas de borracha, bastões, gás lacrimogéneo e canhões de água.

Em Espanha, cerca de 25 mil pessoas marcharam em Madrid, numa manifestação que partiu da estação ferroviária de Atocha até à Gran Vía, sem registo de confrontos com as forças de segurança. Diferente foi em Barcelona: depois de centenas de manifestantes se reunirem no centro da cidade durante a tarde, grupos isolados de indivíduos mascarados provocaram incêndios em mobiliário urbano, como caixotes de lixo, e saques a lojas, relata o El País.

Em Israel, que se aproxima do dia das eleições legislativas, dezenas de milhares de pessoas reuniram-se no centro de Telavive, na praça dos Reféns, para exigir uma mudança nas urnas — o protesto teve a presença de Gadi Eisenkot, favorito nas sondagens, além do ex-chefe das forças armadas e líder do partido de centro-direita Yashar!, e os principais dirigentes de outras forças da oposição do chamado bloco da mudança.

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