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"A Nossa Cultura", da Rádio Observador, em Viseu. Estamos na Quinta da Cruz a olhar hoje para uma exposição do pintor José Moga, um pintor de Viseu que está com uma exposição na Quinta da Cruz. Comigo tenho a Ana Rita Antunes, justamente aqui da Quinta da Cruz, que nos vai explicar esta exposição deste pintor, José Moga. Ana Rita, começar por lhe perguntar, se calhar, porque é que existe aqui esta distinção. Há uma porta amarela com um recorte geométrico que separa duas fases desta exposição.
Muito bem, Maria. A exposição "Movimento do Traço" teve a curadoria do Luís Antunes, que na sua essência é bailarino e coreógrafo, e foi uma pessoa que privou com o José Moga ainda durante em vida. O José Moga faleceu em 2016 e pós-morte, foram realizadas algumas exposições com o seu trabalho e a partir do momento em que a integração deste espólio vem para o município de Viseu, esta exposição, "Movimento do Traço", demora quase três anos a ser apresentada, até por uma questão de restauro de obra, de limpeza e talvez de tentar conseguir dar uma imagem o mais fiel de todo um trabalho global da vida do José Moga. Esta compartimentação ou esta separação com estes pórticos geométricos amarelos foi uma intenção muito declarada do curador, do Luís Antunes, porque nos concentra o número de obras mais significativo que teve uma boa crítica no Jornal de Letras na década de 80. Estão aqui quase como concentradas as obras ou o trabalho artístico que o José Moga realizava durante essa fase da sua obra, da sua vida e da sua carreira. Todo o resto da exposição acaba por ter uma rutura, porque o José Moga acaba por não manter este trabalho sempre constante e temos uma obra que acaba por ter uma carga muito mais doméstica na sua representação, nos seus ambientes mais quotidianos, e contraria um bocadinho este traço vibrante, estas diagonais que são tão presentes nesta ala da exposição.
Portanto, nesta fase estão mais predominantes a cor, o azul, o amarelo, e também foi nisso que se inspirou o curador Luís Antunes quando fez esta sala, certo?
Correto, sim. Esta acaba por concentrar as obras que têm uma projeção de cor muito mais vibrante. Estas diagonais são muito presentes na maioria das obras. Não quer dizer que elas não se vão manter no restante trabalho ao longo da vida do José Moga, mas acabam por estar aqui muito mais em força. Dentro da sala, quase que nos cria esta situação de fechamento. Nos leva para esta dimensão toda a explosão de cor, de movimento, que esta obra trazia na década de 80 e que foi um dos elementos mais impulsionadores, que levaram a boas críticas no Jornal de Letras sobre a obra do José Moga.
E o resto da exposição já se distingue muito desta fase de José Moga, é isso?
Sim, acaba por estar mais compartimentada por séries. Temos algumas séries, tanto na parte do desenho, como na componente de pintura. E depois, numa das salas acabamos por ter espólio documental. Também muitos catálogos e uma viagem por algumas exposições, tanto coletivas como individuais, que o José Moga realizou.
Obrigada, Ana Rita Antunes, aqui da Quinta da Cruz, onde está esta exposição do pintor visense José Moga. Foi a "Nossa Cultura".