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Está a ouvir a Rádio Observador Viseu. Este é o programa A Nossa Cultura e hoje estamos em Santa Comba Dão, na companhia de Manuel dos Santos, que retratou várias personalidades da história da música, grandes nomes incontornáveis. E hoje olhamos para dois grandes nomes, neste caso do período barroco, ambos nascidos no século XVII. Falo do compositor alemão Johann Sebastian Bach e do italiano Antonio Vivaldi. Já lá vamos ao Vivaldi, mas Manuel dos Santos, estamos aqui a olhar para o compositor alemão retratado por si. Falamos de alguém que viveu antes da invenção da fotografia. Que imagem decidiu utilizar como referência neste caso? É a tal capa dos CDs, certo?
Exatamente. Umas capas de CDs que me ofereceram e que eu retratei os retratos que lá estão para as telas, ampliando-as.
Ampliando-as. Já falámos noutros episódios, estes retratos já foram feitos há mais de 15 anos. O Manuel lembra-se quem é que lhe ofereceu os CDs? Aliás, já me confessou aqui que ofereceram os CDs. Foram oferecidos por alguém que já sabia que o Manuel gostava e despertou aqui o interesse de depois começar a desenhar todas as capas dos CDs. Se não fosse essa pessoa, talvez não estivéssemos hoje aqui a ver esta exposição.
Sim, exatamente. Foram-me oferecidos por uma pessoa conhecida, que viu que eu tinha interesse neles e foi-me oferecida as capas, cerca de alguns 10, 12, 15 CDs, em que o CD vem metido nessa capinha e tem a fotografia dos maestros na capa.
Já também referimos noutros episódios que o Manuel foi consumindo esses CDs à medida que desenhava os retratos para também entrar no universo do artista. Ainda revisita esses CDs de vez em quando, hoje?
Sim. De vez em quando ponho-os a tocar e realmente são músicas espetaculares em que eu gosto até de fazer meditação à conta deles.
Muito bem. E confessava-me que houve quase um desbloqueio criativo repentino. Isto porque todos estes retratos que nós vemos aqui, o Manuel diz-me que foram pintados quase de uma vez só. Ou seja, acabava um, começava outro. Conte-me um bocadinho como é que foi. Quantos meses? Foi um processo de quanto tempo?
Foram alguns meses, porque nós não estamos sempre diante da figura e a fazer a figura, mas demorou cerca de alguns dois meses, dois meses e meio, em que começava um, às vezes não acabava, porque tinha coisas a fazer. A vida não se faz só de pintura. E depois continuava e por isso demorou um bocadinho mais de tempo.
Muito bem, vamos só descrever aqui um pouco deste retrato do Bach. Mais um cabelo comprido, também mais uma expressão vincada. Foi difícil desenhar este cabelo? Tem alguma particularidade? O que é que destaca neste desenho?
Tem. Ele tem o cabelo comprido e o que destaca mais neste desenho é as sobrancelhas dele, que são muito carregadas e com uma expressão muito afirmativa.
Muito alemão também, parece que está aqui zangado com nós, com o olhar para quem o vê.
Exatamente.
Vamos continuar a andar aqui pela exposição para, do mesmo período da história, olharmos para o compositor italiano Vivaldi, que inevitavelmente está associado à obra "As Quatro Estações". Pergunto-lhe também agora esta última pergunta que fiz sobre Bach, o que destaca neste retrato de Vivaldi?
É um retrato também com a sua característica, é diferente um bocadinho dos outros, porque tem um tipo de sorriso na cara dele e que naturalmente também tem o seu cabelo comprido, bem arranjado e que tem a sua beleza.
Sim, ao contrário ali do Bach, no caso, tem as sobrancelhas muito mais finas. Parece-me, olhando para um e para o outro, por exemplo, nós quase conseguimos associar características à personalidade das pessoas, olhando para os retratos que o Manuel fez. Por exemplo, eu diria que o Vivaldi era um homem mais descontraído do que o Bach. O Manuel também sente isso? É possível passar estas sensações?
Sim, vê-se nos retratos deles que um é mais expressivo e o outro não. O outro tem a vida mais facilitada.
A vida mais facilitada é uma boa maneira de analisar. Vamos terminar assim este episódio, mais um episódio de A Nossa Cultura, com mais dois grandes nomes da música retratados por Manuel dos Santos, um artista português que começou a pintar só depois de terminar a sua carreira na Força Aérea e que nós temos o privilégio de ter aqui conosco a falar das suas obras. Muito obrigado mais uma vez, Manuel. Nós vamos regressar amanhã para o quinto episódio aqui no MAU, em Santa Comba Dão. Vamos continuar a conhecer estes retratos da autoria de Manuel dos Santos.