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Olá, bem-vindo a mais um "Brainstorming", o magazine de criatividade da Rádio Observador, onde as boas ideias não precisam de autorização para ocupar espaço e ficam conosco mesmo depois da meia-noite e meia. Esta semana ainda continuamos movidos pelas acampadas, aconchadas e manifestações em Lisboa, no Porto e um pouco por todo o país. Com a habitação, o custo de vida e o direito a protestar no centro da discussão, se calhar importa lembrar que numa democracia nem todos temos de pensar da mesma maneira, e ainda bem. O desafio talvez esteja mesmo em conseguir ouvir, estar aberto a discutir e, em conjunto, encontrar respostas. Por falar em ouvir, neste caso, histórias. Hoje recebemos Sara Rodi, escritora, e Madalena Costa Macedo, da Federação Portuguesa de Golfe, para perceber como é que um livro infantil pode aproximar os mais novos de uma modalidade que nem sempre tem a imagem mais jovem. Nas notícias, temos milhares de mulheres a correr numa pista de aeroporto, uma campanha polêmica que voltou a dar o que falar e um renascimento com 100 anos de história. Vamos a isto? Começamos a correr, uma atividade que por si só já pode exigir alguma coragem, principalmente se se for mulher e principalmente depois do anoitecer. Já lá vamos. Mas de qualquer forma, se levarmos a conversa para uma corrida noturna na pista de um aeroporto com 5 mil mulheres, então definitivamente isso é outra conversa. Tudo aconteceu com a Nike na pista do aeroporto de London City, no Reino Unido, numa etapa do After Dark Tour. É uma série internacional de corridas noturnas que procura juntar desporto, comunidade e experiência de marca. Foram 10 quilómetros com passagem pelas docas do leste de Londres, estradas encerradas ao trânsito e uma pista habitualmente reservada aos aviões. Tudo, naturalmente, fora do horário operacional do aeroporto. Mas a experiência não se ficou pelos quilómetros. Houve sessões com atletas, uma feira dedicada à corrida, música e ativações de várias marcas. Esta é uma iniciativa que procura também responder a uma questão importante: a segurança e a confiança das mulheres quando praticam exercício ao ar livre depois do anoitecer. Nem sequer devia ser uma questão. A Nike transforma assim uma corrida numa experiência coletiva e num momento difícil de replicar, porque há muitas maneiras de promoveres sapatilhas e equipamento de desporto, mas nem todas incluem fechar a pista de um aeroporto. Há maneira. "Think you know sports? Prove it." Agora olhamos para campanhas que conquistam aplausos e outras que conquistam críticas. Há marcas que olham para as duas coisas e concluem que, pelo menos em termos de visibilidade, o investimento compensa, qualquer que seja as campanhas que falamos. É o caso da Novik, uma plataforma norte-americana de previsões desportivas que lançou uma segunda fase da campanha com a atriz Sydney Sweeney. Isto depois de a primeira ter provocado polêmica pela forma como representava a mulher no contexto desportivo. A campanha inicial, intitulada "Just Sports", foi criticada por atletas e por outras vozes que consideraram que recorria à sexualização feminina para captar a atenção. Agora, a nova peça recupera a controvérsia com ironia, incluindo uma referência às apostas sobre a cor da roupa interior da atriz. Bom gosto ou nem por isso? Tudo isto aconteceu porque, apesar da polêmica, o número de novos clientes da plataforma cresceu mais de 218% 20 dias depois do lançamento da campanha inicial. É mais uma prova que, na publicidade, nem sempre é fácil perceber onde acaba uma estratégia de notoriedade e começa um problema de reputação. Novik is just sports. Mais uma edição do "Brainstorming". Nesta temos o prazer de conversar com Sara Rodi, escritora, e também Madalena Costa Macedo, da Federação Portuguesa de Golfe. Hoje falamos acerca de algo que se chama "O Clube do Albatroz". É um livro que convida os mais novos a fazerem o quê? A descobrirem o golfe. Sara, começo por si. Quero perceber como é que nasceu esta ideia de escrever uma história infantil que tem o golfe como ponto de partida. Ou será como ponto de chegada?

Ponto de partida e ponto de chegada.

Ok.

Aliás, é mais como ponto de chegada. Para mim é que foi um ponto de partida, na verdade. Foi um convite que surgiu da Federação de Golfe. Eu estava muito longe de me imaginar alguma vez na minha vida a fazer algum livro sobre o golfe, que é um desporto que eu observo, mas que nunca sequer tinha jogado.

E agora já jogou.

Já experimentei no dia do lançamento. Não sei se tenho muito jeito, mas parece que isso treina-se. Portanto, ainda tenho esperança. Não, mas hei de voltar.

A Madalena está aqui com nós que estamos aqui.

Vou voltar, seguramente. Foi um convite. E foi um convite, de facto, para quê? Para criar uma história que no fundo mostrasse aos mais novos que o golfe é um desporto interessante.

Ok.

Desmistificando um conjunto daquilo que são os preconceitos associados ao golfe, que é um desporto para os mais velhos, que é um desporto elitista, digamos assim.

Há até quem pense que é um desporto fácil.

Também, a verdade é que é só dar umas tacadas.

Exatamente, era uma das coisas que eu achava antes de experimentar, e esse foi um dos maiores fascínios que eu descobri no golfe, o quão autodesafiante o desporto acaba por se tornar. O protagonista, como a Sara estava a dizer, começa por olhar para o golfe como um desporto para os mais velhos, e é precisamente essa imagem que queriam desconstruir. Sara, parece-lhe que o golfe tem algum problema de imagem junto dos mais jovens?

Sim, obviamente sabemos que é preciso mudar essa imagem. Eu não sei exatamente como é que se construiu essa imagem, mas de fato, quando nós pensamos no golfe, imaginamos geralmente até mais um homem do que uma mulher, agarrado a um taco, já bastante mais velho e portanto quase já na sua reforma. É a imagem que nos vem. Esse imaginário, efetivamente, não sei como se construiu.

O legado cultural.

Exato. E era isso que era preciso transformar, porque na verdade, este é um desporto para todas as idades e em Portugal nós temos condições ótimas e obviamente a Madalena falará disso muito melhor do que eu, mas temos condições propícias, por isso é que vem tanta gente de fora jogar no nosso país. E era importante que aqui em Portugal as nossas crianças também achassem que isto era uma possibilidade.

E foi preciso estudar muito, descobrir muito, experimentar um bocadinho?

Essa é a parte que eu gosto mais.

É desafiante.

É o desafio, quer dizer, eu não percebo nada disto e como é que eu vou perceber o suficiente para construir uma aventura em torno disto? Claro que eu aqui tinha uma vantagem, é que esta personagem, este Ricardo, tal como eu, também não percebia nada. Ou seja, isso permitia-me colocar todas as minhas dúvidas, as minhas questões, os meus próprios preconceitos nesta personagem.

E assim tornou-se a história e o livro ainda mais genuínos?

Eu acredito que sim. Claro, pelo menos quem tem lido tem dito isso. Obviamente, para quem já conhece o golfe e conhece tudo, há ali partes que provocam sorrisos, porque ele não sabe. Ao início ele vai jogar de pijama. Pega no taco, num taco qualquer, de qualquer maneira e acha que aquilo é fácil, que estivemos até aqui a dizer. E quem já conhece o golfe vai-se rindo. Quem não conhece o golfe vai descobrindo.

Vai descobrindo.

Exato, a ideia e o objetivo era um bocadinho esse.

Madalena, quando é que perceberam que um livro podia ser a ferramenta certa para aproximar o golfe das crianças e as crianças do golfe? E por que sentiram também esta necessidade?

Desde o princípio. O golfe é desconhecido. O golfe é um desporto desconhecido para as crianças, não é propriamente um futebol ou um basquete, que até os miúdos têm nas escolas. E também não é fácil.

Não há ainda programas de desporto escolar com golfe?

Há alguns, sim, mas o golfe pelas suas características não é fácil de levar a uma escola porque não temos campos de golfe em todo o lado. Mas isso é um trabalho que a federação está a fazer. E na perspetiva de não conseguindo ir ainda da forma que nós gostaríamos de ir, como é que nós poderíamos dar a volta e pôr as crianças a falar sobre golfe e a ver golfe? E então veio daí essa ideia de criar uma história inspirada no Ricardo Mel Gouveia, que é o nosso melhor jogador neste momento. Existem dois, o Ricardo e o Daniel. E levar as crianças a perceberem que quem joga golfe é igual a elas, tem os mesmos preconceitos que elas, tem as mesmas dificuldades e que às duas por três descobre que o golfe pode ser uma coisa divertida e que pode ser um sítio onde cria amizades e pode ser desafiante, como qualquer outro desporto.

E por que um livro pode fazer aquilo que uma campanha de publicidade, por exemplo, não pode?

Porque a campanha pode chamar a atenção. O livro cria alguma ligação emocional com o desporto, com a personagem. Nós não queremos, a nossa base ou o nosso objetivo não é propriamente pôr as crianças todas a jogar golfe. É mais elas descobrirem que existe este desporto e que existe esta modalidade, que pode ser ao ar livre e que pode ser uma alternativa a todas as outras que elas conhecem, mas dar-lhes no dia a dia e no "brainstorming", num "touch point" que se calhar elas não estão à espera, que é numa história em casa, no final do dia, com os pais, antes de ir para a cama. Eu tenho os meus enteados que leem capítulos, estão a ler os capítulos aos filhos, que eles são pequenos. E portanto, isto pode entrar no dia a dia sem ser exatamente-

Invadindo.

Exatamente. E foi isso que nós achamos que poderia ser diferente com o golfe. O golfe é um desporto diferente.

Já que percebemos que há muitos miúdos que não conhecem o golfe, também haverá muitos pais que nunca tiveram contacto direto. Por que o golfe é tão fascinante?

O golfe é uma escola de vida, eu falo pela minha experiência, o golfe é muito desafiante. Eu posso dizer, eu era de alguma forma emotiva e reagia se calhar em pouca água. Hoje em dia aprendi que tenho que ter muito mais calma, tenho que ser muito mais resiliente, tenho que ultrapassar obstáculos que me aparecem, que é dar uma má tacada, mas tenho logo outra a seguir, portanto, não posso ficar a pensar nessa.

Estamos quase sempre a jogar contra nós.

O golfe eu não jogo contra um adversário, como jogo no ténis.

Sim, apesar de haver a competição, quanto menos tacadas eu conseguir fazer, mas é sempre contra mim.

É sempre contra mim ou é sempre contra o campo, ou contra o vento, ou contra a água.

Contra a areia, contra a chuva.

Se reparar, o golfe é dos poucos desportos que nós partimos sempre de uma base calma. Eu quando vou dar uma tacada, eu estou quieta no meu "stance" e depois a partir daqui, eu faço o meu movimento A probabilidade da coisa correr mal é enorme. No ténis, não, eu estou sempre a reagir a uma bola que o meu adversário me atira. No futebol, estou sempre a reagir a uma bola que vem a correr. E o golfe não, eu estou sempre quieta e realmente essa capacidade de deixar de pensar naquilo que correu mal e passar a pensar naquilo que eu tenho que fazer a seguir é fantástico. Eu acho que é isso que nos desafia muito.

Talvez por eu ter nadado muitos anos, consiga encontrar aqui pontos de ligação com o golfe, das poucas vezes que joguei, gostei muito. Sara, volto a si. O livro apresenta aqui personagens inspiradas, como já percebemos com a Madalena, em golfistas portugueses. Era importante, de facto, mostrar às crianças rostos reais da modalidade para que também houvesse aqui uma maior identificação?

Sim, a única coisa que nós tínhamos combinado é que efetivamente o protagonista se ia chamar Ricardo. Aí sim, havia uma ligação direta ao nosso protagonista, a este golfista, que queríamos que também fosse uma inspiração. Quem for procurar sobre ele, tem uma história obviamente inspiradora. E depois queríamos também que as outras duas personagens, havia mais duas meninas, tivessem os nomes de duas golfistas também. Era a única coisa que nós tínhamos, na verdade. Depois aconteceram algumas coincidências curiosas. Em contacto, à medida que também fui escrevendo, e depois o livro começou a ser ilustrado também pela Patrícia Furtado e pelo Pedro Pothier, surgiu na altura a ideia, até da Patrícia, de criar um Ricardo que fosse ruivo. E eu lembro-me de ela me perguntar: "Olha, mas achas que há problema? Queríamos fazer um Ricardo com uma figura um bocadinho diferente para chamar também a atenção." E eu disse: "Não, eu acho ótimo". Nós não tínhamos indicações físicas, de que fisicamente teriam que ser parecidos com estes golfistas. E a verdade é que depois descobrimos que, na verdade, a personagem ficou muito parecida ao filho do Ricardo. Portanto, foi a primeira coincidência. E depois outra coisa, eu acabei por incorporar também na história do Ricardo, porque obviamente nas minhas reuniões com a Federação, contaram muitas histórias destes golfistas, como é que começaram, como é que não começaram. Eu lembro-me de ter ficado com uma ideia na cabeça da história de um golfista, na altura eu nem registei se era um rapaz ou uma rapariga.

Começou logo aí nessas reuniões a construir um bocadinho os coletos.

Sim, claro. Nós vamos absorvendo e as ideias começam a chegar. No fundo, que matéria que eu tenho para trabalhar. Mas lembro-me de ouvir uma história muito gira, que era um golfista, alguém, uma criança que não tinha um espaço para jogar, não tinha propriamente um clube, mas que ia para as terras da família, a família tinha um terreno, uma coisa qualquer, e andava isolado, sozinho, com a sua resiliência, tudo isto que a Madalena estava a dizer, a treinar tacadas. E que acabou depois por ser incorporado na história do Ricardo. A verdade é que esta é a história de uma destas duas golfistas. A Madalena se calhar poderá explicar melhor do que eu, mas que acabou por ser a golfista que apresentou o livro. No fundo, tudo isto acabou por ser matéria para o livro, mas é muito engraçado porque estas nossas referências acabam por se identificar e estão lá de certa maneira, não diretamente, mas as suas histórias também estão lá envolvidas nesta amálgama de situações.

E eu agora lembrei-me, por acaso talvez não, de uma frase que a minha avó dizia algumas vezes, que é: "Quem se quer bem sempre se encontra".

Exato.

Aqui as coisas acabaram por se encontrar de uma forma muito feliz. Este Ricardo começa ligado aos jogos online e depois descobre o prazer destas atividades ao ar livre. Pergunta para as duas: o golfe pode, de facto, servir para ajudar a retirar a componente digital da vida das crianças? Sara, Madalena?

Sim. Era um dos objetivos também. Mas não é demonizar o digital.

Há espaço para tudo.

Exatamente, é complementar, é dizer às crianças ou dizer a estes miúdos que é possível ter os mesmos desafios e ter as mesmas experiências e ter as mesmas coisas que têm no digital, mas no campo. Até porque no golfe aquilo que nós queremos sempre é atingir o próximo nível, ou neste caso é descer o handicap. Mas é passar sempre ao nível seguinte. E nós não queremos demonizar os jogos, nem nada disso, mas queremos, sim, criar neles a curiosidade de perceber que modalidade é esta e que jogo é este que se faz ao ar livre e que se faz aproveitando o que há ao ar livre.

E se algum deles quiser experimentar, de facto, como é que faz? Fala com a Federação de Golfe e depois conseguem organizar uma forma? Por exemplo, não sei se têm programas que as escolas ou os professores possam falar convosco para as crianças experimentarem a atividade do golfe.

Sim, ver na área de residência se existe um campo de golfe. Se não existir, falar junto das escolas, ver se têm programas de desporto escolar com golfe, porque existe, não está completamente desaparecido. Nós temos, neste momento, bem sei que não é ao nível nacional, mas temos alguns campos municipais que trabalham muito com crianças. Temos aqui em Lisboa o Jamor, Oeiras e mesmo outros clubes que não são municipais que também trabalham. Os clubes estão abertos, efetivamente, a receber crianças, porque a federação tem um desafio enorme, que é ter uma base grande de crianças que comecem a jogar golfe, para depois aparecer mais Ricardos, mais Daniéis, mais Sofias. Mas essa base tem que começar a aumentar e é daí também a necessidade deste livro.

Portanto, não há que ter medo de entrar num clube de golfe e perguntar: "Como é que eu posso começar?"

Não há, e eles estão abertos a receber

E é importante que vão para experimentar. Nós só queremos que eles experimentem.

Pergunta novamente para as duas, para fecharmos a nossa conversa. Depois de fechar a última página do livro, o que é que gostavam que ficasse dentro de cada criança, dentro de cada pai que toma contacto com este livro?

Eu gostava que as crianças acabassem, esse era o objetivo, que acabassem e pensassem assim: "Que giro, nunca experimentei. Vou experimentar." Esse era o primeiro objetivo.

Que é muito mais do que bater numa bola.

Porque é muito mais, sim. E a Helena estava aqui a falar de uma coisa muito importante, que a mim me tocou particularmente. Aliás, eu também aceitei este desafio porque obviamente também fiquei muito sensibilizada por aquilo que este desporto dá, a par de outros, mas este desporto, de facto, também tem a componente do ar livre, que é extraordinário. E mais não seja, porque o Ricardo também faz essa descoberta, de sair do digital e de repente começar a ouvir o vento, a ver as árvores, perceber os bichinhos, portanto, tudo o que a natureza tem ao nosso redor.

Sim, é um desporto que tem um contacto muito direto com a natureza.

Muito direto com a natureza. E, portanto, mais não seja, se uma criança ainda não tenha oportunidade de experimentar, mas vá lá fora e: "Que engraçado, olha o vento, olha o bichinho". Portanto, promover também um bocadinho esse primeiro contacto com a natureza, primeiro passo. Depois, obviamente, perceber isto que a Helena estava a dizer, porque não falar com os pais, falar com os avós, porque este livro também tenta promover uma outra questão que eu acho que é importante, que é: isto é um desporto que pode ser jogado em qualquer idade e, portanto, também permite o contato entre gerações.

Ok.

Portanto, se conseguíssemos esses três pontos, o livro estava missão cumprida e ficaria muito feliz.

Madalena, alguma coisa a acrescentar?

Não, esta última parte que a Sara falou, que eu acho que é super importante. O golfe, nós podemos jogar dos 4 aos 100. E se a criança fechar o livro e disser aos pais: "Vamos experimentar", não é tanto "eu vou experimentar", mas "vamos experimentar", já é um objetivo, uma vitória fenomenal.

E fica aqui lançado o repto para experimentarem todos. Eu, da minha parte, já experimentei e vale muito a pena. No "Brainstorming", terminamos sempre as nossas conversas da mesma forma. Gostava que escolhessem uma música que tivesse alguma ligação ao livro, a este "Clube do Albatroz". Que música é essa?

Se eu puder dar uma introdução.

Então, usa isso.

A minha filha também leu e ela disse: "Mãe, este livro, a música que representa é a 'A Whole New World', do 'Aladdin'". Porque realmente é o que o Ricardo, a nossa personagem, faz, descobre todo um novo mundo que ele não conhecia.

Acho que é uma música que nunca tinha chegado aqui ao "Brainstorming", mas que acho que faz totalmente fit aqui com esta ideia de descobrir um mundo novo, de viveres novas aventuras e de alguma forma mergulharmos no desconhecido, que nos pode trazer tantas coisas boas. Sara Rodi, Madalena Costa Macedo, da Federação Portuguesa de Golfe. A Sara é a escritora, tem este projeto, "Clube do Albatroz", o livro que convidou os mais novos a descobrir o golfe. Fica então feito o convite também para descobrirem, não só o livro, mas também este desporto. Obrigada às duas por terem vindo ao "Brainstorming". Até breve e muito sucesso.

Obrigada.

Obrigada.

Quase a terminar o "Brainstorming" desta semana, olhamos para 100 anos de história que se assinalam com uma nova identidade. Estamos a falar da McCann Portugal, que deixou de existir e deu lugar à Ora Creative World, uma agência independente que quer continuar a crescer em Portugal e lá fora. O anúncio foi feito a 22 de outubro deste ano e assim a agência sai da rede internacional McCann, onde esteve integrada durante mais de 50 anos, mas mantém a equipa de 52 profissionais, a liderança e, claro, os clientes. À frente continua Luís Pereira Santos, CEO desde 2013, sendo que esta é uma mudança que dá à empresa maior autonomia estratégica, comercial e geográfica. O novo nome não foi escolhido ao acaso, recupera a história da agência fundada por Manuel Martins da Hora, em 1927, e segundo reza a lenda, essa foi a agência em que Fernando Pessoa terá trabalhado como copywriter. A nova marca apresenta-se como a mais antiga nova agência de Portugal. É uma frase que joga precisamente com esta mistura entre passado e futuro. A ambição, essa, também passa por trabalhar em mercados internacionais com projetos no Brasil, Vietname, Estados Unidos, Espanha, através de clientes sediados em Portugal. No fundo, muda o nome, muda a estrutura de pertença, mas a equipa e os clientes ficam. É, de resto, uma forma de lembrar que, por vezes, mudar de identidade não significa começar do zero. Significa, sim, escolher de novo o caminho que se quer seguir. Por aqui, esta semana, falámos de ocupar espaço nas ruas, na publicidade e no mercado, com pessoas que montam tendas, cantam e persistem para chamar a atenção para problemas reais, marcas que criam experiências que dificilmente se esquecem, campanhas que geram polêmica e agências que recuperam a sua independência sem deitar fora a própria história. São realidades muito diferentes, mas todas nos lembram que a forma como comunicamos também influencia a maneira como somos vistos, ouvidos e compreendidos. Ou às vezes não. O "Brainstorming", esse, está de regresso para ser ouvido e, de preferência, compreendido na próxima segunda-feira, depois das 10 da noite, na Rádio Observador. Fica também naturalmente disponível em podcast, no site, na app do Observador e nas principais plataformas de podcast. Com a ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia pacificamente acutilante da Lurdes Oswald. Eu sou o Hugo Silva e até à próxima edição, lembre-se: às vezes, para fazer a diferença, não é preciso falar mais alto, basta encontrar a maneira certa de ser ouvido. Até para a semana.