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Muitos dos produtos agrícolas produzidos em Castro Daire eram precisamente produzidos, plantados e depois colhidos para consumo próprio. Era essa, e de certa maneira mantém-se também, a rotina em Castro Daire. É onde eu estou, no Museu Municipal, acompanhada pela responsável por este museu, Cristina Gomes. Muito obrigada por nos receber aqui. Um bom dia.

Muito bom dia.

Nós temos aqui à frente de nós dois objetos um pouco invulgares, porque estão relacionados com a agricultura, mas depois têm uma decoração e uns desenhos vivos, vermelhos, com flores, quase que parecem decoração. O que é isto, concretamente?

O que estamos aqui a ver são as molhelhas. As molhelhas que são para junguer as vacas. As vacas para ir fazer os seus trabalhos no campo, para ir lavrar, para ir fresar. As molhelhas são feitas em couro, são enchidas com palha e revestidas a couro. E o que estamos aqui a ver, esta parte mais decorativa, isto era só para festas. Isto não era utilizado no dia a dia. No dia a dia, jungueiam-se as vacas, naturalmente, de forma natural, tem ali também o jugo, só para elas irem trabalhar no campo. Depois, em dia de festa, colocariam estes adornos.

Hoje em dia, quando há feiras agrícolas, atividades mais festivas relacionadas à agricultura, ainda há a tradição de pôr cá para fora este tipo de peças para recordar o tempo do antigamente.

Sim, o município organiza a FICA, a Feira Industrial Comercial e Agrícola, que é também a festa das colheitas. Existe no domingo um desfile de carros de vacas com os produtos das colheitas e nessa altura é um dia de festa para os agricultores virem mostrar os seus animais e os seus produtos que fazem e que têm trabalhado ao longo do ano.

Aqui ao pé das molhelhas temos outros objetos também ligados à agricultura e que penso que são mais fáceis de encontrar no jardim das pessoas que, pelo menos, têm gosto por plantas, jardinagem e agricultura.

Sim. Todos estes objetos que agora temos aqui ainda são utilizados por quem trabalha nos seus campos. É o ancinho, é a focinha, é as enxadas. Todas estas são peças utilitárias que as pessoas utilizavam e ainda utilizam no dia a dia.

Chama-me a atenção aquele objeto ali ao fundo. É grande, todo feito de madeira, uma cor vistosa, bastante brilhante. O que é este objeto e o que faz ao certo?

Isto é uma balança. Esta balança era para pesar os cereais.

Balanças como hoje em dia já não as vemos.

Não, já não as vemos. Esta é muito antiga, tem ali os pesos, que depois tinham que colocar os pesos para conseguir fazer esta pesagem, e era muito utilizada. Era o que eles tinham para saber quanto pesava um alqueire. O que tinham para pesar os cereais.

Ao contrário de, por exemplo, um crivo, que talvez ainda hoje seja utilizado em algumas casas, pelo menos quem goste de fazer pão ou broa caseira, este tipo de balanças já não é utilizado hoje em dia?

Eu penso que não. A castanha também, como nós temos aqui no museu, também alguém ofereceu para termos aqui no museu, e ainda há pessoas que preservam este tipo de peças, mas que utilizem só sob caroliço também.

Aqui ao lado desta balança está um outro objeto que também era muito útil para quem queria trabalhar a terra. Como é que funcionava? Porque tem uma forma de funcionar engraçada para não estragar o trabalho que já tinha sido feito.

Está falando da charrua?

Exatamente.

Antes da charrua existia o arado, que também temos aqui exposto, que era todo feito em madeira. Depois a charrua veio substituir o arado com esta parte de ferro, porque aprofundava muito mais a terra e virava a leiva toda direitinha pro lado que passava. Tinha essa função, de aprofundar mais a terra para depois ser trabalhada para as sementeiras.

Alguns objetos que nos permitem perceber, compreender como é que era feita a agricultura antigamente, não só em Castro Daire, mas em todo o território nacional. Objetos que hoje podem ser encontrados aqui no Museu Municipal de Castro Daire. Cristina Gomes, muito obrigada.

Obrigada nós.