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Boa noite, o meu nome é Maria Miguel Marques, vamos às notícias. Na política, Passos Coelho relativiza as críticas vindas do seio do PSD. Declarações que surgem depois da vice-presidente do partido, Leonor Beleza, ter dito não entender os recados de Luís Montenegro. O antigo premiê diz ver com naturalidade as palavras da vice-presidente social-democrata. Hugo Fortunato de Oliveira.

Depois de ter feito críticas e de ter sido criticado, Passos Coelho responde.

Respeito que as pessoas possam ter outras opiniões e às vezes até alguma incompreensão, admito isso. Tenho estima pela dra. Leonor Beleza e reconheço que ela pode ter o seu direito de pensar de outra maneira, mas da mesma forma que essas pessoas podem ter uma opinião diferente, eu também posso ter as minhas e portanto, isso é a coisa mais natural do mundo.

O antigo premiê social-democrata que rejeita mal-estar com o partido.

Eu sou do PSD e, portanto, não ando em aventuras de fazer partidos, nem coisas dessas. Não sinto nenhuma necessidade disso, nem de estar a estimular, nem a apoiar qualquer coisa parecida com essa.

Apesar do tom reconciliador, Passos Coelho volta a deixar recados.

Mas o futuro, como eu digo, sempre chega e quando pensamos pouco nele, depois às vezes não gostamos daquilo que temos. Era importante que ousasse mais nessa matéria e, portanto, oferecesse às pessoas boas razões para acreditar que se hoje não tem as condições que são necessárias para fazer as reformas que são precisas, então se calhar vamos ter de lhas dar no futuro.

Ainda assim, manifesta um desejo.

O que eu desejo é que ele possa, apesar das circunstâncias difíceis, ser bem-sucedido.

Depois de quase três horas a falar sobre fé, Passos Coelho termina a depositar fé no PSD de Luís Montenegro.

Hugo Fortunato de Oliveira, com as mais recentes declarações do antigo premiê Passos Coelho, à saída de uma conferência sobre fé em Lisboa. Entretanto, o presidente da República recusou comentar as medidas anunciadas ontem pelo governo, mas apela à partilha e ao fortalecimento do chão comum, princípios que António José Seguro associa aos livros. Sobre as medidas anunciadas ontem pelo premiê para fazer face ao custo de vida, nem uma palavra.

E elogio a vossa inteligência em colocar a mesma pergunta de várias formas. Mas esta é a Festa do Livro, um livro que permite encontros e que nos permite ouvir, escutar com uma felicidade enorme e relembrarmos que o essencial da vida passa por sabermos partilhar o mesmo chão comum e nós precisamos de frutificar esse chão comum, porque é esse chão comum que nos permite afirmar as nossas diferenças. E as diferenças nunca devem segregar. As diferenças são dimensões de integração numa sociedade em que muitos teimam em deslaçar e que nós queremos verdadeiramente cimentar.

Declarações do chefe de Estado, António José Seguro, na Festa do Livro, em Belém. O Chega já entregou ao Parlamento um novo requerimento a pedir uma comissão parlamentar de inquérito a Luís Neves, confirmação dada esta tarde por André Ventura, que espera que a terceira seja de vez. O líder do Chega esteve ontem reunido com o presidente da Assembleia da República e admitiu que o partido ia limitar um pouco mais o objeto do inquérito parlamentar. Agora confirma que já entregou essa nova proposta para a constituição de uma comissão de inquérito aos mandatos do atual ministro da Administração Interna com o diretor da Polícia Judiciária, e explica que deixou bem claro a Aguiar Branco que não espera mais obstáculos.

Tive a oportunidade de dizer ao senhor presidente da Assembleia da República que é um mau sinal e um mau princípio, quando nós começamos a obstaculizar uma vez, duas vezes, três vezes, um requerimento que é potestativo e que é um requerimento, que é um poder de um grupo parlamentar. Por isso eu disse que nós íamos tentar e fomos mesmo. E eu amanhã darei mais esclarecimentos sobre isso, que espero que agora possa ser definitivamente admitida e que possamos na próxima semana começar a trabalhar.

São declarações de André Ventura em Gaia, com a promessa de que na Madeira falará mais sobre o tema. E o Parlamento autorizou o André Ventura e outros deputados do Chega a testemunharem sobre a alegada invasão do gabinete da Assembleia da República. André Ventura diz que já estava à espera da decisão e deseja agora celeridade no processo para se descobrir quem foi o responsável. Na atualidade internacional, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos fizeram um acordo com a Dinamarca para o controle permanente da segurança na Gronelândia. Segundo o que escreveu o presidente norte-americano na rede social Truth Social, o acordo não terá qualquer custo para os Estados Unidos e vai impedir que países rivais instalem bases militares ou realizem investimentos estratégicos na Gronelândia sem autorização de Washington. Trump diz que houve um trabalho conjunto com representantes da Dinamarca e da Gronelândia para garantir que os Estados Unidos terão para sempre total capacidade para fazer o que for necessário naquele território. Trump diz estar orgulhoso de ser o presidente que resolveu de forma permanente e definitiva a questão da Gronelândia, após mais de um século de tentativas de líderes norte-americanos para adquirir a maior ilha do mundo. Entretanto, a Dinamarca confirmou a assinatura deste mesmo acordo, através de um comunicado no site oficial da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen Mette Frederiksen fala num grande acordo para a Gronelândia, a Dinamarca e os Estados Unidos, que fortalece a segurança comum no Ártico e na região do Atlântico Norte. A líder da Dinamarca classifica este acordo como vantajoso para a NATO e para toda a Europa. O acordo vitalício entre os três países deverá ser assinado já na próxima semana na Assembleia Geral da ONU. Ainda esta noite, Donald Trump baniu a CNN, o Político e a MSNBC da Casa Branca. A decisão tem efeitos imediatos. É, pelo menos, o que dá conta o presidente dos Estados Unidos na rede social Truth Social, numa publicação, Donald Trump alega que se trata de um resultado da constante cobertura de fake news. Mais tarde, na Sala Oval da Casa Branca, o presidente norte-americano detalhou esta decisão.

Porque são notícias falsas. E fico tão cansado de ler e ver notícias falsas. Quando olho pra CNN, é tudo falso. É por isso que as audiências deles não são boas. Quando olho pra NBC, que antes era MSNBC, que até algumas pessoas chamavam de MSDNC, referindo-se a Comitê Nacional de Democratas, porque são notícias falsas. E olho pro Político, o governo do presidente Biden deu-lhes oito milhões de dólares para mantê-los em pé. As histórias que eles escrevem são falsas. E talvez ainda venham mais notícias e talvez fiquem melhores, e seria bom tê-las, mas o nosso país tem que ter notícias honestas.

Declarações do presidente norte-americano na Sala Oval da Casa Branca. Na Alemanha, as sondagens antecipam novas derrotas da CDU em eleições regionais. É uma atmosfera febril que paira sobre a corrida regional disputada neste fim de semana, desde já pelo facto de que está a ser disputada entre a extrema-direita e o centro-esquerda. É assim que o cientista político Andreas Busch caracteriza as eleições de Berlim ao Financial Times, numa altura em que, em Berlim, Beatriz Félix, as sondagens colocam agora a CDU com apenas 20% das intenções de voto.

É uma inversão dos papéis que se tem verificado na política nacional alemã. A CDU costumava ser o partido da estabilidade e senso comum. Kai Wegner, do partido, foi presidente da Câmara de Berlim desde 2023, preparava-se para assumir um segundo mandato à frente da cidade-estado. Contudo, suas críticas à gestão da crise provocada por um ataque à rede elétrica de Berlim, em janeiro deste ano, resultaram numa queda nas sondagens, que acabou por levar Wegner a retirar a candidatura. Mas a troca de Wegner por Stefan Evers, o ministro das Finanças no governo regional, não foi suficiente para inverter a tendência. Uma sondagem da Wahlen para a ZDF, na semana antes das eleições, coloca a CDU com apenas 20% das intenções de voto. Wolfgang Münch, professor de Ciência Política na Universidade Rostock, antecipa que se a CDU se sair mal em Berlim e perder o presidente da Câmara, então muita pressão vai ser exercida sobre o chanceler do mesmo partido, Friedrich Merz. Mas a CDU não quer iniciar uma manobra arriscada de trocar Merz no atual contexto internacional. Uma carta assinada por oito líderes regionais da CDU destaca que a Alemanha vai continuar a precisar de um governo federal estável e eficaz. Se este apoio interno sobreviver ao pior cenário possível, o mais provável é que Merz volte a empreender movimentações dentro do governo à procura de uma renovação. Mas esta ferramenta já foi utilizada e, como podemos ver agora, não assegura a sustentabilidade a longo prazo.

A jornalista Beatriz Félix, com a reviravolta que se antecipa nas eleições regionais na Alemanha, que têm lugar este fim de semana. É o artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador, é assinado pela jornalista Madalena Moreira. E na Rússia começaram também as eleições legislativas. São as primeiras desde o início da guerra da Ucrânia. Perante uma oposição limitada pelas autoridades, o partido Rússia Unida, apoiante do presidente Vladimir Putin, procura conservar a maioria constitucional. O único partido que quebra o consenso sobre a guerra na Ucrânia é o Iabloko, que o Supremo Tribunal Russo exclui das eleições. Na análise, apesar de afirmar que a gênese do regime não vai mudar, Bernardo Valente, professor de Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, acredita que um dos partidos que vai a votos pode conseguir uma representação significativa.

A única esperança, e mais uma vez, mesmo que os resultados sejam muito controlados, há ainda uma pequena esperança que um partido ecologista, que não é necessariamente antiguerra, mas que preocupa-se bastante com as condições de vida de pessoas que têm sofrido muito com este conflito entre a Ucrânia e a Rússia, e a possibilidade de esse partido conseguir algum tipo de representação significativa, pode ser importante para essa população e é um partido que não tem grande simpatia por Vladimir Putin. Portanto, este é o momento em que estamos da política russa, sabendo que independentemente do resultado, a gênese do governo, a gênese do regime, não irá mudar.

Bernardo Valente, professor de Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, no Gabinete de Guerra da Rádio Observador desta sexta-feira. Ponto final neste jornal das 02:00 a.m. A informação está de regresso com a síntese das 02:30 p.m.