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A Nossa Cultura da Rádio Observador em Viseu. Hoje estamos no Museu Almeida Moreira para falarmos sobre uma exposição temporária que vai existir a partir do mês de abril e que vai buscar algumas peças de reserva da coleção de Francisco Almeida Moreira. Comigo tenho Rita Milheiro, técnica aqui do Museu Almeida Moreira, que nos vai explicar quais são as peças em concreto que vão existir nesta exposição. E que vamos começar pela cerâmica, não é, Rita? Estava-me a explicar que Almeida Moreira tinha um grande gosto pela cerâmica, não exatamente pelo seu valor, mas sim também pela parte artística que as peças tinham.
Exatamente. A coleção de cerâmica do Almeida Moreira é a maior coleção que temos em reserva. O Almeida Moreira adquire as suas peças através de compras em grandes fábricas nacionais e também internacionais. O Almeida Moreira viajava bastante e também comprava para a sua coleção privada, mas os amigos dele também sabiam do gosto pelo colecionismo e ofereciam para complementar a decoração da sua casa, na Casa Soares de Lima. O Almeida Moreira, como podemos ver em várias imagens que circulam aqui no Museu Almeida Moreira, temos fotografias de lavandas degolada na parede. A lavanda degolada servia para fazer a barba, mas a verdade é que o Almeida Moreira colocava esta peça na parede em vez de efetivamente para fazer a barba. Portanto, ele via a parte artística das peças e não a utilidade das peças em si.
E para além da cerâmica, que conta com centenas de exemplares de cerâmica portuguesa das grandes fábricas, como falou a Rita, este colecionismo de Almeida Moreira, que vai estar presente nesta exposição, também passa por vários objetos que são medalhas, não é?
Exatamente. O Almeida Moreira, ao longo da sua vida, conquistou várias medalhas com participações em exposições a promover a cidade de Viseu e também Portugal e a sua arte. No entanto, o Almeida Moreira também tem algumas medalhas deixadas pelo tio, pelo seu padrinho, que foi o responsável pela sua educação. O Almeida Moreira fica órfão com apenas oito anos e o seu padrinho fica responsável pela sua educação e quando ele morre, ele fica com parte da sua herança. E também conseguimos perceber que existem medalhas vindas de algumas participações do padrinho do Almeida Moreira, que foi médico e foi o fundador do Hospital de Mangualde.
Portanto, são medalhas não só do próprio Almeida Moreira, mas também de alguns familiares e medalhas que lhe foram deixadas. Para além das medalhas e da cerâmica, há também vários acessórios de ligação à moda, digamos assim, e também a coisas mais do dia a dia, à beleza. Como é que Francisco Almeida Moreira tem este tipo de objetos na sua coleção?
Relativamente aos objetos, esta parte dos acessórios, são obtidos através das heranças das suas tias, acrescentando assim uma dimensão afetiva à coleção. O gosto do colecionismo leva-o ao longo da sua vida à compra de outros exemplares. No entanto, os seus amigos e as suas tias deixaram-lhe várias peças, neste caso de acessórios. Temos vários leques, temos 26 leques em coleção, temos pregadeiras, temos brincos, temos colares, tudo a parte feminina. O Almeida Moreira não casou nem teve filhos, mas as tias deixaram-lhe esta herança de pequenos objetos com pormenores espetaculares, deixados pelas tias do Almeida Moreira.
E para terminar, vamos à pintura, que é um dos grandes gostos que se nota através da coleção de Almeida Moreira. Vamos ver nesta exposição temporária mais pinturas que se vêm juntar à enorme coleção que Almeida Moreira tem aqui no Museu Almeida Moreira, tanto aqui como no Museu Grão Vasco.
Exatamente. O Almeida Moreira, como diretor do Museu Grão Vasco, fazia as compras para o Museu Grão Vasco e depois os artistas, como forma de agradecimento, ofereciam-lhe para a sua coleção privada. Nós conseguimos justificar muitas das obras que temos lá em cima na exposição permanente, desta forma de aquisição. Mas a verdade é que o Almeida Moreira também as comprava e também tinha um gosto enorme pelo naturalismo português. Estas obras que vamos ter aqui são obras de artistas não tão conhecidos como nós temos lá em cima. No entanto, enquadra-se no naturalismo português e a sua aquisição justifica-se com as relações de amizade do Almeida Moreira.
E estas obras são de que altura, de que século, Rita, sabe-me dizer?
Estamos a falar do início do século XX. É a pintura portuguesa do início do século XX, ali o naturalismo já ao fim do romantismo.
E considera que esta exposição temporária vem acrescentar e dar a conhecer ainda melhor Francisco Almeida Moreira a quem visitar aqui o Museu Almeida Moreira?
Exatamente. Esta exposição vem reforçar o gosto pelo colecionismo de Almeida Moreira, vem dar a conhecer novas peças e vai ser uma exposição muito interessante e que estará alguns meses e que vai dar a conhecer novas peças da sua coleção, que é uma coleção que merece uma visita mais atenta.
É uma exposição que vai estar disponível a partir de abril aqui no Museu Almeida Moreira, em Viseu. Uma exposição temporária com artigos nunca antes vistos da coleção de Francisco Almeida Moreira. Foi mais um episódio da Nossa Cultura.