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No Museu Etnográfico de Silgueiros há uma coleção não só de brinquedos, mas também de instrumentos que ajudam pessoas a ver melhor e com pessoas muito conhecidas. O António Lopes Pires continua a fazer-nos uma visita guiada e, senhor António, esta parte aqui é dedicada à luminária.

À luminária. Desde os mais antigos instrumentos de iluminação, as candeias de azeite, até às mais recentes, que eram as primeiras lanternas de pilha que se fabricaram, incluindo aquelas duas atrás, muito curiosas, que eram as lanternas das bicicletas. Este, o candeeiro dos mortos, que era aquele que se utilizava quando morria alguém e que ficava normalmente em casa, não ia como hoje para as casas mortuárias, e então tinha sempre um candeeiro destes que iluminava. Na vitrina, nós guardamos todos os objetos próprios para corrigir a visão. Os óculos, as lunetas, os lorinhons e inclusive um monóculo que pertenceu ao Marechal Spínola.

Está ali também inclusive uma nota escrita a papel, que presumo que explique.

É a letra dele.

Do próprio. Ok.

Eu escrevi ao Marechal Spínola a pedir-lhe que nos oferecesse um monóculo e ele, com um cartãozinho escrito no seu punho, mandou-nos aquele exemplar que guardamos com muito carinho.

E porque é que pediu na altura o monóculo?

Porque não tinha aqui nenhum monóculo e precisava de um monóculo pra mostrar como é que era também essa coisa do monóculo.

E quem melhor.

Quem melhor do que ele pra nos dar um monóculo? Aqui deste lado. Este binóculo pertenceu ao rei dom Carlos, que chegou até nós por uma via. Ele ofereceu a um amigo, que era chefe da estação dos Correios de Viseu. Quando um dia passou, passou aqui à porta, porque a estrada principal estava toda cheia de buracos e ele não pode passar, quando vinha das termas das Pedras Salgadas e foi visitar o Caramulo. Não chegou lá porque os caminhos estavam todos esburacados. E então ele era amigo do chefe da estação dos Correios de Viseu, ofereceu-lhe este binóculo, que por sua vez o veio oferecer a uma sua namoradinha, que por acaso era uma prima minha.

Ok. E nesta vitrine temos não só estes binóculos que pertenceram ao rei dom Carlos, o monóculo que pertenceu ao general Spínola, mas temos também uma panóplia de óculos.

Óculos e lunetas.

Daquela altura.

Daquela altura. Óculos e lunetas e caixas de óculos. Os mais antigos destes óculos são os que têm uma haste direita. São os mais antigos. Onde é que eles estão? Estão aqui.

Ok.

Aqueles ali.

Os mais antigos são de que altura, senhor António?

É século XIX, é a grande altura em que isto acontece. Aquilo aí são os binóculos de teatro.

Ok. Para as óperas e tudo mais.

Sim. Curioso que, quase mais importante que o binóculo, é a caixa de o guardar, porque chegaram até nós muitos binóculos em bom estado, mas as caixas completamente degradadas. Então aquela está em muito bom estado.

E estes óculos eram feitos de diferentes materiais. Dourados, prata.

Os cabos.

Os cabos.

Os cabos dos lorinhons. Isto são lorinhons. Havia os de osso, os de corno, os de prata, etc.

Numa única sala, o António junta o rei dom Carlos, o general Spínola, uma bandeira da Primeira República de 1910. É uma coleção que conta um bocadinho a história do país.

Sim. Aqui temos mais brinquedos. Olhe, os tais brinquedos confeccionados pelas crianças, as atiradeiras. Feitos pelas crianças.

E aqui com uma legenda que estávamos a falar dela há pouco.

Sim. Este é outro feito pelos meninos. Eu também fiz disto.

Para que servia?

Chamava-se um stock e aquilo dava um tiro. E pronto, e todos os outros. Os brinquedos de lata do tal senhor que fabricou 365 variedades. A bola de trapos, de que eu fiz algumas bolas. Estão aqui umas bolas trapeiras.

Alguma dessas é sua, senhor António?

Já não me lembro. Aqueles brinquedinhos que estão ali, dois brinquedos também feitos pelos meninos. É um vum-vum, é uma espécie de instrumento musical, e o outro é aquilo que nós chamávamos um cartaxo, que era um cantar de um passarinho que andava por aí.