Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Sejam bem-vindos ao programa "A Nossa Cultura". Meu nome é Martim Madeira e continuamos aqui na exposição "Regenerar Estados Transitórios" no Teatro Viriato. Contamos com a participação de Liliana Velho, a artista desta exposição, e agora passamos para a sexta peça da exposição, em que temos mais um coração com, a mim pelo menos, parecem partes de árvore, partes de casca de árvore, honestamente. Não sei se é casca de uma árvore, por exemplo, um carvalho ou alguma coisa assim, não tenho noção, mas poderia começar por me explicar o que foi utilizado, qual é o material que está aqui, porque não sei se é casca de uma árvore convencional.

Está muito próximo. Uma das premissas para a exposição era trazer alguns elementos naturais, ver como é que eles poderiam reagir com a cerâmica e ter o material cerâmica, que é muito inerte, já está acabado e tem a sua durabilidade, e misturá-lo com materiais que fossem efémeros e que se fossem transformando. E neste caso, trouxe um material já totalmente transformado. Isto é um cato e é um cato que costuma dar uns figos que se chamam os figos da Índia. Ou seja, o nome desta planta, espécie, cato, é figueira da Índia e basicamente é uma figueira que os meus pais têm num terreno que foi atacada por algumas ovelhas que invadiram o terreno e a árvore perdeu alguns ramos e ficaram abandonados no campo durante cerca de dois anos, que eu não ia àquele terreno. E quando os encontrei, eles já estavam como estamos a ver agora, ou seja, eu achei-os belíssimos. Já saiu tudo que era a estrutura do cato, toda a parte verde. Ou seja, eles ficaram com uma estrutura que quando a gente olha perto até parecem vasos sanguíneos, nervuras. E depois tem este efeito, parece uma madeira, mas ao mesmo tempo também não é madeira, porque efetivamente é esse cato e essas fibras do cato. Então já trouxe essa obra. Isto praticamente foi feito pela natureza. Já foi transformado.

Tem que ter mão sua, porque pelo menos para mim, eu consigo perceber aqui o conceito abstrato de um coração, porque de fato está nessa forma.

Sim, eu só agreguei realmente estas formas, porque não recortei nenhuma. Apesar de estarem algumas assim com os cortes, eram os cortes que elas já tinham quando as encontrei no campo.

De fato, eu diria que parece uma árvore, mas aparentemente é um cato. Porque tem esta parte mais seca e, portanto, até parecia mesmo uma espécie de uma parte de uma árvore. Noto ali, de fato, as fibras do cato que parecem vasos sanguíneos, eu até diria mais vasos sanguíneos, sistema nervoso. Reparei, pelo menos, na parte de cima, temos uma forma, que não sei se é propositado ou não, mas a mim parece uma espécie de alce. Não sei se consegue ver, mas noto ali um nariz, noto uma espécie dos cornos do alce. Não é propositado, mas parece.

Não, eu por acaso nesse sítio vejo uma artéria.

Também se vê uma artéria, é verdade, mas eu pelo menos fui logo parar por um alce.

Mas percebo. Sim.

Acho que, de fato, é muito parecido. E esta forma que estava a contar a história de que foram ovelhas que atacaram este cato ou que o deixaram neste estado, chamemos assim, mas depois agregou estes bocados do cato. O que usou para colá-las? Foi com cola?

Usei pasta de papel, por acaso foi o material que usei. Por trás tem uma estrutura, basicamente uma madeira, e depois foi pasta de papel que foi utilizada.

Portanto, a pasta de papel está a segurar aquilo tudo?

Sim. Esta peça é extremamente leve.

Eu por acaso acho que tem o ar de ser leve. Por acaso até parece ser bastante leve, mas pasta de papel por acaso não teria essa noção de que colava tão bem e que deixou nesta forma que a mim me continua a parecer um alce. Um alce no meio de um misto de árvores, pelo menos para mim, mas nota-se perfeitamente o coração. Eu diria que, pelo menos nas últimas peças, eu reparei as primeiras, pelo menos para mim, pareciam-me o mar, pareciam corais. Depois, a segunda já entrou o aspecto da natureza da ovelha, do campo. Aqui, esta, não sei se vai seguir a minha linha, saberá melhor que eu, com certeza, mas esta aqui também parece estar a transmitir a mesma vibe, a mesma sensação da ovelha, do campo. É esse um dos objetivos?

Sim, eu queria que também se sentisse esta relação que eu vou tendo com o mundo rural e com este espaço. Eu nunca pertenci totalmente à aldeia, ou seja, eu nasci na cidade, mas vou à aldeia constantemente e este trabalho também é fruto dessas viagens, dessas idas e vindas. E queria que se sentisse que os materiais que estão aqui têm uma história, ou seja, são a consequência de certas viagens e vivências e as histórias da aldeia.

Aqui temos a sexta peça desta exposição, que tem uma caricata história, uma ovelha que derrubou um cato, ou várias ovelhas que derrubaram catos, e que tornaram este cato seco num possível coração. Pelo menos foi assim que imaginou Liliana Velho nesta exposição que estamos a acompanhar aqui no Teatro Viriato. Continuaremos com as restantes peças. Faltam três peças e continuaremos com essas peças nos próximos episódios.