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"A Nossa Cultura", da Rádio Observador, em Viseu, no Museu Almeida Moreira. Hoje vamos olhar para uma exposição temporária que vai existir a partir do mês de abril. Comigo tenho Rita Milheiro para nos explicar mais detalhadamente do que se trata esta exposição temporária aqui no Museu Almeida Moreira. A Rita esteve a me explicar que esta é uma exposição que vem completar o que já existe no museu. São peças de reserva de Almeida Moreira e que vêm também fazer notar ainda mais este gosto pelo colecionismo que tinha Francisco Almeida Moreira, não é, Rita?

Exatamente. Francisco Almeida Moreira deixa em testamento, em 1938, que quer que a casa dele se torne um museu e que toda a sua coleção continue aqui na casa. Em 1939, após a sua morte, a câmara fica com a sua coleção privada. No entanto, Almeida Moreira tinha duas condições em testamento: queria que a câmara ficasse com os seus objetos, mas que tornasse um museu, e que os empregados que moravam aqui continuassem cá até a sua morte. E isso só acontece em 1953. E é aí que inaugura como casa-museu o Museu Almeida Moreira. Na altura, era casa-museu biblioteca, porque para além da parte toda artística, o Almeida Moreira deixa-nos a sua biblioteca e o museu era exatamente neste edifício, na Casa Soar de Cima, mas não tinha nada a ver com aquilo que é hoje. Portanto, esta exposição temporária vem trazer ainda mais objetos da sua coleção. Nós temos cerca de 6700 objetos legados por Francisco Almeida Moreira à Câmara Municipal de Viseu e aquilo que nós temos na exposição permanente é uma pequena parte da sua coleção. Esta exposição temporária, que vai vir em abril, vai trazer novas cerâmicas, novas pinturas, novas medalhas e acessórios da coleção do Almeida Moreira.

E nós já falámos também noutros episódios da "Nossa Cultura", mas talvez para novos ouvintes que estejam a ouvir este episódio, quem foi Francisco Almeida Moreira e porque é que é tão importante aqui na cultura visense?

Francisco Almeida Moreira foi o fundador e o primeiro diretor do Museu Grão Vasco. E quando morre, como eu disse, deixa a casa ao município de Viseu. Mas para além desta parte da museologia, ele foi também vice-presidente da Câmara Municipal de Viseu, foi escritor, foi pintor, foi professor de Educação Física, portanto teve uma vida multifacetada e dedica grande parte da sua vida à cidade de Viseu e a promover a cidade de Viseu. Para além da parte da política, neste caso como vice-presidente da Câmara Municipal de Viseu, encarregue do pelouro do urbanismo, Almeida Moreira fez também parte da Comissão de Iniciativa de Turismo e faz bastantes obras a nível urbanístico na cidade de Viseu, que são pontos turísticos ainda hoje, quase passados 100 anos da sua existência. Portanto, Almeida Moreira foi uma grande figura da cidade. E que, para além disso tudo, tinha o gosto pelo colecionismo.

E o que é isto de colecionismo? A palavra é bastante explícita, não é? Trata-se de colecionar objetos, mas no caso de Almeida Moreira, foram bastantes.

Exatamente. O acervo do Almeida Moreira emerge do gosto pelo colecionismo, que durante a sua vida coleciona objetos das mais variadas categorias, formatos e origens. Nós temos cerâmica, pintura, escultura, mobiliário, temos a sua biblioteca, temos medalhas, temos moedas. O Almeida Moreira deixa-nos uma coleção muito rica em termos de formatos, utilidades, origens. É uma coisa que merece o olhar mais atento dos visitantes.

Esteve há bocado a explicar que Almeida Moreira deixou tudo em testamento. É assim que o município de Viseu consegue ter acesso a estas peças e a estes objetos de Francisco Almeida Moreira, certo?

Exatamente. O Almeida Moreira, como eu disse há pouco, deixa em testamento, um ano antes da sua morte, que quer que se torne mesmo um museu. Portanto, ele deixa-nos tudo preparado para que hoje seja o Museu Almeida Moreira. Perdeu-se um pouquinho a traça de habitação, depois das obras da Fundação Calouste Gulbenkian, mas a verdade é que continua a ser o Museu Almeida Moreira e continuamos a tratar ainda hoje, quase passados 100 anos da sua morte, do acervo documental do Almeida Moreira, de todos os rascunhos que ele nos deixa, das cartas, que hoje quase conseguimos fazer uma linha cronológica da vida do Almeida Moreira. Ele deixa-nos mesmo tudo preparado para se tornar um museu.

Foi mais um episódio da "Nossa Cultura" no Museu Almeida Moreira, em Viseu. No próximo episódio, vamos olhar então especificamente para esta exposição temporária aqui no Museu Almeida Moreira.