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Sejam bem-vindos ao programa "Nossa Cultura". Meu nome é Martim Madeira. Continuamos aqui no Teatro Viriato para a exposição "O Teatro Também é a Nossa Casa". Estamos com a Ângela Rocha e agora vamos ver mais uma destas janelinhas. Temos a janelinha Metamorfoses, que é um camarim bastante bonito e eu quero desde já reparar que está ali uma frase, mesmo no espelho, escrita, que se calhar é direto, não podemos dizer, mas que é "muita" e depois uma asneira, que é com M. Geralmente, é um simbolismo de sorte no teatro, se não estou errado. Esta homenagem aos artistas é uma frase muito comum aqui.

Exatamente. Nós nesta homenagem à profissão dos atores, quisemos representar o lugar do camarim, que é onde a transformação ocorre, onde eles vestem as personagens, se transformam com o figurino, o seu estado de espírito, o seu momento de concentração, maquiagem, cabelos, seja o que for. E portanto, este camarim tem a fidelidade do que é um camarim clássico de teatro, mas depois as vestimentas são de borboletas, neste sentido da constante metamorfose e transformação a que os atores se prestam de dar o seu corpo e a sua alma a vestir o lugar do outro, e portanto, essa é a importância. Em relação à frase que falas e que está no espelho, é realmente uma forma muito comum de desejar que corra tudo bem no espetáculo. A história disso advém de já há muito tempo atrás, de quando as pessoas vinham ao teatro de cavalo e, portanto, haver a ligação, se houvesse muita-

Porcaria, não é? Porcaria

...no chão, era sinal que a casa estava cheia e era um motivo de celebração. Foi uma coisa que se perpetuou e que dizemos sempre muito e ter também essa referência, claro, no camarim para mostrar esse lado que muitas vezes não é visível ao público e poder haver essa presença.

Também dar aqui conta de que é um camarim onde está um bocadinho tudo espalhado. Os atores também geralmente são assim. Têm as coisas espalhadas, ideias espalhadas, um bocadinho desarrumado, mas isso também é a beleza do teatro.

Sim, acho que aqui também foram colocadas de uma forma mais dramática, de certa forma, para tornar a imagem mais cativante, mas ter coisas de referência, como os ramos de flores, que são sempre muito utilizados. A questão dos cabides caem sempre um ao outro, dos perfumes, dos kits de maquiagem, dos chapéus, das plumas, haver todo esse universo aqui passado para o lado da borboleta, de vestires as diferentes peles.

E estes casulos, vamos assim chamar, estes camarins também, geralmente, esta sensação de desarrumação também é porque há um sentido de urgência no teatro, de sempre mexer, entrar, sair. Portanto, também essa sensação de urgência que quiseste passar nesta peça.

Sim, e de nervosismo. Nós apresentarmo-nos para um grupo muito grande de pessoas tem em si, como acho que deve ter, esse sentido de responsabilidade que muitas vezes dá essa fluidez de energia, essa urgência e muitas vezes partilha de camarins, etc. Portanto, sim, acho que é um espaço vivo, que não deve ser demasiado arrumado.

E também é um espaço sagrado. Vamos passar para a outra janelinha aqui mais atrás. Damos mais uma volta a esta maquete bastante grande. E aqui temos duas portas que se abrem, onde temos alquimias para ser ou não ser. Vemos ali um corpo humano, um esqueleto do corpo humano e a mim parece-me, pelo menos, várias poções, vários medicamentos. Temos ali as escamas das profundezas, geada cristalizada, paixão, que também é algo que é sempre necessário no teatro. Esta parte, esta espécie de armáriozito, este armário pequenino é o quê? É se os atores estiverem a precisar de rigor, de paixão, vêm aqui tomar uma poçãozinha e isso ajuda na obra?

Eu achei que era importante haver um espaço dedicado a todas as alquimias e a todas as superstições e coisas que existem muito à volta do teatro, pegando nesta frase icônica do ser ou não ser. E ter uma divisão do armário que é dedicado ao ser e ter uma outra divisão do armário que é dedicada ao não ser. E ter aqui diferentes frasquinhos com receitas que podem ser lidas de prescrições. Por exemplo, temos aqui um frasquinho que é o do talento, que infelizmente está vazio.

Já foi utilizado muitas vezes.

É muito requisitado, mas a receita para o voltar a encher é bastante simples. É: "falta o mesmo, por favor, não o guardes, partilha-o". E esta relação, temos, por exemplo, as lágrimas de crocodilo, que é indicada para dramas arrebatadores, por exemplo, e que é esta brincadeira, este jogo sempre de muita comicidade e de muita brincadeira à volta de todas as ferramentas que são necessárias para a construção da emoção de um ator, das pessoas que estão em palco, que são partilhadas conosco. E aqui é convidar o público a ler essas diferentes mezinhas com humor e com boa disposição e ver realmente esta relação e este compromisso entre o ser ou não ser no teatro.

Aqui estas duas relações, estas duas homenagens aos atores com uma janela a mostrar um camarim onde tudo acontece, este casulo desta metamorfose onde os atores se transformam para as peças e para as obras que vão realizar. E depois este armário mais pequeno, onde tem de tudo um pouco, desde paixão a talento. Eu próprio roubaria um frasco para mim mesmo, mas veremos depois mais algumas das posições e destas janelitas aqui no Teatro Viriato com o espaço e com esta exposição "O Teatro Também é a Nossa Casa".