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As notícias com Miguel Gato.
A PSP voltou a avançar sobre os manifestantes concentrados nas acampadas em Lisboa e no Porto. Aconteceu esta madrugada, por volta das 4h30 da manhã. As pessoas concentradas nestas duas praças não respeitaram a ordem da Polícia de Segurança Pública, que fez três avisos aos manifestantes para que desmobilizassem. Os manifestantes formaram um cordão humano para atrasar a intervenção da PSP, mas o corpo de intervenção avançou contra o grupo com bastonadas e realizou várias detenções. Ainda não há um número confirmado, contabilizado de detidos. A organização da acampada fala em mais de 50 feridos no total, em Lisboa e no Porto. Vamos agora em direto até ao Porto, ao encontro do repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia, que acompanhou esta intervenção policial. Miguel, bom dia. Pedia-te um resumo do que aconteceu esta noite na Praça Dom João I.
Foi primeiro um longo dia, que se fez noite e dia novamente. Esse dia que começou na Praça da Batalha, nessa marcha que terminou na Praça Dom João I, esse palco maior dos protestos pela habitação na cidade do Porto. E foi aí que, em assembleia, os manifestantes decidiram que iriam montar tendas e montaram dezenas de tendas. Entretanto, a polícia procurou começar esse diálogo com os manifestantes para perceber se iriam ou não retirar as tendas, evitando assim a ação policial. Os manifestantes recusaram e a partir daí foram horas de espera até que a polícia mobilizasse muitos, e eram mesmo muitos agentes, mais do que vimos, por exemplo, na semana passada, para a Praça Dom João I. Eram também muitas carrinhas da Unidade Especial de Polícia de perder de vista na Rua de Sá da Bandeira. E foi precisamente por essa rua, pelo lado da praça, colado à Rua de Sá da Bandeira, que começaram a furar o cordão humano de manifestantes. Esses polícias, essa presença musculada de polícias, que começou a tentar entrar por esse lado, à semelhança do que já tinha feito na semana passada, mas encontrou maior resistência. E por isso também, a certa altura, tentaram furar pelo meio, não conseguiram, tiveram que recuar e regressar então novamente a esse flanco, a esse lado da Praça Dom João I. Foram arrastando, foi um processo mais demorado do que na operação da semana passada e demoraram e foram empurrando esses manifestantes, até que finalmente desimpediram a Praça Dom João I. Mas a história desta operação policial não termina aí, porque, e ao contrário do que se verificou na semana passada, os manifestantes reuniram-se na Avenida dos Aliados, até que houve novo momento de tensão, porque enquanto uns manifestantes grafitavam a fachada da Câmara Municipal do Porto, apareceram uns civis, que alguns manifestantes identificaram como sendo polícias à paisana, que com bastões extensíveis tentaram impedir esses manifestantes que faziam os grafites e prontamente, também como observou o Observador e como registaram também muitas câmeras no local, um desses civis identificados como sendo um paisana da polícia, pegou numa arma de fogo, numa pistola, e tentou afastar os manifestantes, que entretanto foram na direção desse civil, de outros também que não estavam fardados, seguiram na sua direção. Esses civis correram em direção à polícia. A polícia não teve qualquer intervenção junto destas pessoas, o que levou a crer estes manifestantes de que se tratava de polícias à paisana, informação que ainda não foi confirmada pela PSP. O advogado, entretanto, o movimento que foi saindo da Avenida dos Aliados e foi se dirigindo para a esquadra do Heroísmo, a terceira esquadra da PSP, onde foram levados, os números avançados pelo advogado, sete detidos. A organização fala ainda em mais de 30 feridos depois desta operação policial no Porto.
Miguel Pinheiro Correia, em direto do Porto. Entretanto, nos últimos minutos, o subintendente porta-voz da PSP, Sérgio Soares, dá conta de três polícias que ficaram feridos nos confrontos que aconteceram esta madrugada na Praça Dom João I, no Porto. Dá também conta, Sérgio Soares, de 13 detidos no total, seis em Lisboa e sete no Porto. Ora, como ouvimos aqui o relato do Miguel Pinheiro Correia, a noite foi tensa na cidade do Porto. Situação semelhante aconteceu também em Lisboa, na Praça do Rossio, como nos dá conta o repórter da Rádio Observador, David Bileu, que acompanhou o momento.
A situação aqui na Praça do Rossio já não tem nada a ver com os momentos de tensão que marcaram a madrugada. Houve uma intervenção policial contra os manifestantes pela habitação que aqui estavam. Essa intervenção policial aconteceu por volta das 4h30 da noite, já depois de três avisos por parte das forças de segurança, avisos que apelavam e exigiam aos manifestantes que retirassem as tendas. A PSP já tinha dado esse aviso, que ia haver tolerância zero e que não ia permitir que os manifestantes pela habitação montassem aqui tendas depois da meia-noite e meia. Ora, houve um plenário de delegados que decidiu resistir, decidiu manter aqui as tendas, porque, dizem os manifestantes, que a Constituição lhes dá esse direito de montarem as tendas. Por isso mesmo, a PSP ainda fez três avisos. Houve, inclusivamente, aqui algumas conversas com alguns deputados de partidos políticos à esquerda, que estiveram aqui presentes, desde o PS, ao Livre, ao Bloco de Esquerda, deputados que estiveram aqui a apelar para que a situação não escalasse para a carga policial, carga policial que acabou por acontecer. E aconteceu aqui pela zona sul da Praça do Rossio, com a Polícia de Segurança Pública a varrer lateralmente os manifestantes aqui da praça, a empurrá-los numa intervenção muito rápida, muito eficiente. Houve o lançamento de petardos, houve também muita pirotecnia, muito fumo, muita fumarada, principalmente quando as autoridades chegaram aqui junto das tendas que os manifestantes tinham colocado à frente para, de uma certa maneira, tentar impedir o avanço ou abrandar o avanço das autoridades. Ora, os manifestantes depois recuaram pra Praça da Figueira, onde alguns deles Retiraram as barreiras metálicas que estavam a delimitar o mercado de Natal, que está montado, e para além de retirarem as barreiras metálicas e colocarem à frente novamente para impedir o avanço da Polícia de Segurança Pública, também invadiram esse mercado de Natal e acabaram por destruí-lo em grande medida. Depois, a Polícia de Segurança Pública voltou a avançar sobre os manifestantes e obrigou-os a ir para a Rua da Madalena, onde estiveram cercados, onde a polícia não permitiu que eles seguissem para o Martim Moniz, como tinha acontecido no sábado passado, e por isso eles depois subiram pra Mouraria, mas muito rapidamente começaram a dispersar. De facto, a situação aqui em Lisboa, os ânimos acalmaram muito rapidamente, porque os manifestantes dispersaram também muito rapidamente. Houve também aqui a presença de membros da Provedoria de Justiça para exatamente fiscalizar a atividade das forças policiais e, na Mouraria, víamos também pelo menos um membro dessa Provedoria de Justiça, que estava sinalizado com o colete cor de laranja. Mas como eu digo, os manifestantes desmobilizaram, dispersaram-se pelas ruas e, portanto, aqui a situação na Praça do Rossio, onde eu me encontro, é muito mais calma. Os trabalhos de limpeza já foram feitos e, portanto, nada que faça pensar nas horas de tensão que se viveram aqui na Praça do Rossio.
David Beléo, que acompanhou a intervenção policial desta noite em Lisboa, na Praça do Rossio. A organização da acampada fala em cerca de 50 feridos depois da carga policial que aconteceu esta noite em simultâneo na capital, mas também na cidade invicta, no Porto. E a PSP, como dava conta há minutos, contabiliza 13 detidos, seis detidos em Lisboa, que foram transportados para a esquadra do Martim Moniz e sete no Porto, estão na esquadra do Heroísmo. Vamos naturalmente dar conta também das reações que houve a esta carga policial por parte dos agentes políticos nos próximos espaços informativos da Rádio Observador. Dá conta que a PSP voltou a avançar sobre os manifestantes concentrados nas acampadas em Lisboa e no Porto e a intervenção policial aconteceu por volta das 04h30.