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As notícias com Miguel Gato.
O Presidente da República reuniu hoje o Conselho de Estado para debater a coesão social. A reunião está marcada para às 3h da tarde, no Palácio de Belém. É a segunda reunião do Conselho de Estado convocada por António José Seguro, desde que assumiu a Presidência da República, isto numa altura em que o chefe de Estado mostra-se particularmente preocupado com o tema da habitação e já veio mostrar-se também disponível a reunir-se com os manifestantes das acampadas do Porto e de Lisboa. Um dos porta-vozes da acampada no Porto, o Henrique Blanc, confirma isso mesmo, que já foi contactado pela Casa Civil da Presidência da República e o convite foi recebido de forma positiva pelo movimento, mas terá ainda de ser discutido em assembleia popular.
Hoje às 19h30 da tarde, entraram em contacto comigo, através da Casa Civil da Presidência da República, a pessoa responsável, informou-me que o Presidente da República estava disposto a reunir conosco para discutir as propostas que nós temos e também estes últimos acontecimentos relacionados com a acampada. Está claro que foi uma proposta recebida de muito bom agrado da nossa parte, mas que ainda irá ser discutida por nós todos, de forma democrática, como tem sido tudo até este momento.
Henrique Blanc, um dos porta-vozes da acampada do Porto, em declarações ontem à noite. Ontem António José Seguro contactou também o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e o autarca do Porto, Pedro Duarte. Já antes o chefe de Estado tinha falado com o primeiro-ministro Luís Montenegro e tinha pedido esclarecimentos tanto ao governo como à Provedoria de Justiça sobre a intervenção policial da última madrugada. Hoje são presentes a primeiro interrogatório judicial os 13 manifestantes detidos durante a operação policial da madrugada de ontem. No Porto, os detidos começam a ser ouvidos às 10h da manhã, no Tribunal de Pequena Instância Criminal. Já em Lisboa, o primeiro interrogatório está marcado para às 2h da tarde, no Campus de Justiça. E depois de uma madrugada de sábado para domingo atribulada, hoje a noite foi passada sem confrontos. Na Praça Dom João I, no Porto, foram montadas 15 tendas sob vigia da Polícia de Segurança Pública. A pernoita foi uma decisão tomada em assembleia popular, onde foi ainda rejeitado o convite do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, para uma reunião com o movimento da acampada, que iria acontecer amanhã. Em Lisboa, os manifestantes abandonaram o Rossio ainda antes da 1h da manhã, mas antes viveram-se alguns momentos de tensão. O último aconteceu depois do rebentamento de um petardo, que levou a uma perseguição dos manifestantes ao alegado responsável, que refugiou-se no interior de um restaurante que teve de ser fechado por precaução. À porta, um dos elementos da organização afirmou que o homem em causa seria um agente da polícia à paisana, mas a PSP nega. Fonte da Polícia de Segurança Pública adianta ao Observador que o homem em questão tem 41 anos e é gestor de profissão. Ainda antes deste episódio, o ambiente tinha também aquecido depois da polícia ter multado alguns condutores que buzinavam em solidariedade com a manifestação. A PSP encontrou, ainda durante a tarde, também três coquetéis Molotov na Praça do Rossio. E o Sindicato de Jornalistas vai avançar com uma queixa na Provedoria de Justiça contra a Polícia de Segurança Pública. A estrutura pede responsabilidades pela agressão e intimidação de jornalistas que cobriram os protestos no Porto e em Lisboa. Em comunicado, o Sindicato de Jornalistas condena, em particular, a agressão a um repórter de imagem por parte de um agente da PSP na madrugada de domingo. Seguimos a olhar para as reações políticas à carga policial nas acampadas. André Ventura volta a culpar o primeiro-ministro pela tensão que se vive nas ruas. O presidente do Chega diz que as manifestações não deviam ser uma questão de ordem pública e que estes problemas nascem porque o governo não sabe reagir. Ventura rejeita ainda a culpabilização dos agentes da PSP.
Mas podemos dizer que são os polícias os responsáveis por esta insatisfação? Como podemos colocar isto como um problema de ordem pública ou de caráter da polícia? Este não é um problema de caráter da polícia. No máximo, este é um problema do caráter do governo e dos vários governos que se sucederam. Esta não devia ser uma questão de ordem pública. Só nasceu uma questão de ordem pública porque o primeiro-ministro desapareceu de cena durante vários dias ou semanas.
André Ventura, ontem em conferência de imprensa na sede do Chega. Ele que foi reeleito presidente do partido este fim de semana com mais de 98% dos votos. Ventura anunciou ainda ontem que vai apresentar um pacote de emergência pra habitação. Já o Livre pede mesmo a demissão do ministro da Administração Interna e acompanha o pedido de debate de urgência do PCP. A co-portavoz do Livre, Isabel Mendes Lopes, considera que o governo tem de ser responsabilizado pelas cargas policiais que aconteceram este fim de semana.
Todos os momentos em que seja possível o Parlamento discutir esta situação Inadmissível o que está a acontecer. O Parlamento deve fazer e, portanto, sim, claro que acompanharemos este debate que o PCP pede, mas também nos parece que, primeiro, neste momento, o Ministério da Administração Interna não tem condições absolutamente nenhumas para continuar. E o LIVRE normalmente não pede demissões, mas neste caso, parece-nos claro que o Ministério da Administração Interna não tem condições para continuar, mas é preciso fazer mais do que isso. E por isso é que vamos apresentar uma exposição ao Comissário dos Direitos Humanos do Conselho Europeu.
Declarações de Isabel Mendes Lopes, co-porta-voz do LIVRE. Ora, sobre esta última questão, em comunicado, o partido anunciou que vai expor o caso a organizações internacionais, como ao Comissário dos Direitos Humanos do Conselho da Europa e ao Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O partido argumenta graves violações de direitos protegidos pela Convenção Europeia de Direitos Humanos e pelo impacto internacional sobre os direitos civis e políticos. Na mesma nota, o LIVRE condena a ação policial nas manifestações pelo direito à habitação. Considera que as novas intervenções da polícia são profundamente preocupantes. Hoje é dia de greve dos trabalhadores da administração pública, com uma paralisação de 24 horas. O protesto é convocado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e Entidades com Fins Públicos. A greve pode afetar setores como a educação ou a saúde. Entre as principais reivindicações deste sindicato estão a instituição em concreto do cartão-refeição na administração pública, um subsídio de risco para a carreira de técnico auxiliar de saúde, uma revisão do sistema integrado de gestão e avaliação do desempenho na administração pública e ainda a revisão do acordo coletivo aplicável às entidades públicas empresariais e a contratação de mais pessoal. É oficial, Rui Borges vai deixar o comando técnico do Sporting. O clube anunciou ontem à noite, em comunicado, que iniciou conversações com o treinador para a rescisão do contrato. Com efeitos imediatos, Tiago Fernandes, atual treinador da equipe B, assume o comando da equipe principal de forma interina e deverá comandar a equipe no duelo da próxima quarta-feira diante do Shakhtar Donetsk para a Liga dos Campeões. O treinador que segue é Paulo Fonseca. O Observador sabe que o técnico de 53 anos vai deixar o Lyon e deve ser apresentado no Sporting ainda esta semana. Rui Borges deixa o comando técnico do Sporting ao fim de quase dois anos, conquistou um campeonato nacional e uma Taça de Portugal ao serviço do clube de Alvalade. A imprensa desportiva aponta Paulo Fonseca para suceder a Rui Borges. O Sporting, que está a nove pontos do Futebol Clube do Porto, que é líder do campeonato nacional. Já o Benfica pode aproximar-se da liderança, joga hoje às 20h15 frente ao Alverca, no Estádio da Luz. Jogo para acompanhar em direto aqui na Rádio Observador.