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A Nossa Cultura da Rádio Observador em Viseu, na Quinta da Cruz. Vamos hoje olhar para uma exposição de José Moga chamada "Movimento do Traço". Para nos falar mais sobre esta exposição, temos conosco Ana Rita Antunes, aqui da Quinta da Cruz. Ana Rita, em que é que consiste esta exposição de José Moga?
Olá, Maria, muito boa tarde. Esta exposição do José Moga consiste num conjunto de obras que a família disponibilizou também para estar aqui em apresentação, até porque esta exposição, ao contrário de muitas outras que trouxemos e que o município programou aqui para a Quinta da Cruz, é uma exposição muito singular, porque ela acaba por ter uma vertente de incorporação desta coleção. E portanto, trazemos aqui um conjunto muito significativo do trabalho do José Moga nos últimos anos e durante a sua carreira. Maioritariamente uma exposição de pintura e desenho, e depois com uma componente de espólio documental em uma das salas. Na prática, ela não é uma exposição retrospectiva, mas traça-nos, e aqui a curadoria do Luís Antunes foi muito fiel a esse retrato, traça-nos aqui momentos muito singulares e importantes na carreira do José Moga.
Que importância é que tem esta exposição de José Moga aqui? É um pintor viseense, certo?
Sim, é um pintor viseense e quase que é uma forma de regressar a casa. O José Moga sai muito novo, com 16 anos de Viseu, vai estudar para o Porto, para a Faculdade de Belas Artes, é bolseiro da Fundação Gulbenkian. Acaba por estabelecer uma parte inicial da sua carreira artística e da sua carreira enquanto docente em Londres ou Inglaterra, e posteriormente regressa, após o 25 de Abril, a Portugal. É um fundador da Arco, da Escola Arco, em Lisboa, e de alguma forma, o José Moga regressa muito cirurgicamente a Viseu para algumas exposições coletivas. E quando falo Viseu, falo Viseu distrito, não propriamente só Viseu cidade. Mas fora isso, ele acaba por não ter uma relação muito afetiva de regularidade de trabalho em apresentação em Viseu. E portanto, após a sua morte em 2016, a família tenta reativar este contacto, porque seria uma vontade do José Moga regressar a Viseu e regressar a casa. E portanto, acaba por ter aqui este duplo sentido de apresentação. Que é retomar aqui a observação sobre o trabalho do José Moga durante a sua carreira artística e como é que é visto pela cidade e por Viseu em si. Mas também depois esta possibilidade que o município de Viseu tem e da Quinta da Cruz poder absorver um espólio artístico e efetivar aqui um ciclo de investigação e, portanto, áreas mais adstritas ou afetas àquilo que é o propósito do museu.
E qual será a duração desta exposição "Movimento do Traço" de José Moga aqui na Quinta da Cruz?
Esta exposição tem uma duração superior a um ano. Nós abrimos em maio de 2024 e vai permanecer agora durante ainda algum período muito significativo de 2025, precisamente porque nos faz esta viagem do trabalho do José Moga e não faria sentido ela ter uma redução mais curta. Portanto, aqui temos uma temporária, mas de longa duração.
É uma exposição "Movimento do Traço" de José Moga, que podemos ver aqui na Quinta da Cruz, em Viseu. Foi a Nossa Cultura.