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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.
E esta segunda-feira falamos de: a ponte já não é uma miragem, liberal presidencial, chamem a polícia. A ponte é uma passagem para outra margem.
A ponte é uma miragem.
Mas vamos começar com problemas diplomáticos.
A sérios.
Vamos, Bruno. Devemos preocupar-nos com o ataque ao consulado da Venezuela?
Um ataque a uma representação diplomática de um país onde vivem tantos imigrantes portugueses não pode ser desvalorizado. No sábado à noite, alguém atirou um engenho explosivo, uma espécie de coquetel Molotov improvisado, segundo a polícia, sendo que os coquetéis Molotov são todos mais ou menos improvisados, contra uma parede do Consulado-Geral da Venezuela em Lisboa. Não houve vítimas, os estragos foram poucos, apenas os estores ficaram ligeiramente danificados, mas este não é o tipo de ação que estejamos habituados a ver em Portugal. O Ministério dos Negócios Estrangeiros português condenou o ato, ordenou o reforço da segurança. Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Venezuela considerou que o ato foi um ataque do fascismo. Até por isso convinha levar a sério este incidente.
Paulo, e afinal a polícia até é bem-vinda à Lisboeta zona do Martim Moniz?
Não só é bem-vinda, como é necessária ali na zona, como ontem se viu. Ontem ocorreu uma rixa entre várias pessoas na famosíssima agora Rua do Bem Formoso, que eu acho que muita gente em Lisboa não sabe onde é, mas o país todo agora sabe. Ficou célebre em todo o país nas últimas semanas, porque foi ali que a polícia fez uma rusga, que se tornou entretanto polêmica. A primeira ironia é que este conflito de ontem entre moradores estrangeiros ocorreu 24 horas depois daquele barulho de sábado a propósito desta ação da polícia. A segunda ironia é que ontem a polícia chegou à Rua do Bem Formoso, chamada precisamente pelos habitantes da zona. Foi depois que quatro dos elementos envolvidos nesses desacatos se terem deslocado, eles próprios, até à esquadra da polícia junto ao Martim Moniz, logo ali ao lado, e pedido a intervenção da PSP. Claro, conflitos destes ocorrem com frequência, ocorrem em todo o país, e a PSP também serve para intervir, obviamente, quando eles acontecem. Tal como as rusgas, que acontecem aqui e ali com frequência e com naturalidade.
Mudamos de tema. Bruno, a Iniciativa Liberal já tem candidato às presidenciais?
Não, porque as candidaturas às presidenciais não são dos partidos. Isto é o alerta ironia. Mas sim, já tem, porque segundo o líder dos liberais, era obrigação do partido apresentar uma alternativa, uma solução, alguém que defenda as liberdades, o rigor e exigência nas instituições e uma visão reformista de Portugal e do Estado. E por isso está na cara que o candidato da Iniciativa Liberal às presidenciais será... O partido ainda não pode dizer. O anúncio será nas próximas semanas, mas o convite ainda não foi feito. Rui Rocha diz que sabe quem é a pessoa, tem vontade de se fazer o desafio e a pessoa tem vontade de o aceitar.
Quem será?
Mas ainda não pode dizer. Estamos naquele momento estranho em que se ouve o roncar dos motores, mas quando se olha, ainda não se vê nenhum bólide, nem sequer um calhambeque.
Pois é. Entretanto, está inaugurada a nova ponte da Praia de Faro. Por que é um momento histórico, Paulo?
Ora bem, isto é histórico não só para a região, mas também para o país. Não porque a ponte em si seja uma obra da engenharia única e desafiadora das leis da gravidade. São 180 metros de comprimento e um tabuleiro de 11 metros de largura, assentes em sete pilares que não terão mais de cinco metros acima do nível da água, isto com a maré baixa. A particularidade foi a saga de 20 anos para chegarmos aqui. Começou a ponte por ser lançada pela sociedade Polis Litoral da Ria Formosa, acho que alguns se recordarão da saga das sociedades Polis. Depois esta sociedade foi dissolvida, depois foram lançados três concursos para construir essa ponte, que ficaram desertos. Depois a obra passou para as mãos da Câmara Municipal de Faro, porque estava até aqui entregue ao governo central e finalmente, em 2022, a obra foi lançada. E aqui chegamos àquele problema do custo. Estava previsto um custo de € 5 milhões, mas o preço disparou para € 8 milhões. Enfim, são só mais 60%. Foi necessário alterar a tipologia das estacas depois que se fixam na água, o que encareceu o empreendimento. Além disso, foi necessário também proceder a outras obras que não estavam previstas, como uma rotunda na entrada da praia, para melhorar o fluir do trânsito. Já agora, se vamos ter uma ponte, é bom que o trânsito circule. Portanto, senhores apressados, não estejam a dizer mal. A ponte já está inaugurada. Depois desta saga de 20 anos, foi um momento histórico.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.