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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.
E neste início de semana falamos em defesa de papel, sem honra nem glória, problemas com o Seguro, mas começamos com entradas a pés juntos.
A pés juntos ou com o pé direito. Foi assim que o Governo entrou com o programa.
Carla, entrou com os dois pés direitos ou virados à direita. Para o PS, isso significa que o Governo entrou com o pé esquerdo, ou que logo ao primeiro passo meteu a pata na poça. Trocando por miúdos, o PS, através do presidente do partido, Carlos César, e do candidato único, até agora secretário-geral, José Luís Carneiro, fez saber que não gostou que o Governo tivesse apresentado medidas neste programa de que não tinha falado durante a campanha eleitoral. Medidas como alterações às leis laborais, que os socialistas veem como uma cedência aos outros partidos de direita, o Chega e a Iniciativa Liberal. Com o candidato presidencial Gouveia e Melo a dizer que o programa do Governo é reformista e virado para o futuro, começam aqui a desenhar-se campos opostos que, em princípio, continuarão a cavar trincheiras, pelo menos até às presidenciais.
E já que falas nisso, Paulo, o PS está oficialmente com problema presidencial?
Está, agora é oficial, porque António José Seguro oficializou ontem a sua candidatura a Belém. Agora falta depois formalizá-la com a entrega das assinaturas. E a apresentação foi nas Caldas da Rainha. Na sala não havia membros da direção atual do PS, mas estavam lá socialistas ilustres como Francisco Assis, Maria de Belém ou Álvaro Beleza. E a partir daqui, o PS terá um problema se não apoiar a candidatura de Seguro e se resolver tentar encontrar ou apoiar outro candidato. Por quê? Porque nesse caso, será o partido, e não o Seguro, a dividir o seu eleitorado. Há cerca de duas décadas que o PS não consegue, de facto, entender, se encontrar caminho para as presidenciais e, pelos vistos, pode ainda não ser desta que vai conseguir ser competitivo.
Bruno, então e Nicolas Sarkozy, que já não tinha glória, perdeu agora a honra também?
Perdeu a Legião de Honra, para ser mais correto, que é a mais alta distinção oficial do país e que lhe fora atribuída há 20 anos, em 2005, por Jacques Chirac. E perdeu porque a condenação por corrupção, por tentar corromper um juiz de forma a obter informações sobre outro caso em que estava envolvido, é agora definitiva. Pode parecer um proforma sem grande significado, mas esta é apenas a segunda vez em que um chefe de Estado francês perde esta distinção honorífica e o primeiro foi o infame Marechal Pétain, o de Vichy, o da colaboração com o regime nazi. Não é uma boa companhia para Sarkozy. Ainda continua pendente um recurso no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, mas esta mancha já não se pode apagar e estava garantida logo que fosse confirmada a sentença, porque de acordo com a lei francesa, qualquer cidadão condenado a um ou mais anos de prisão efetiva perde automaticamente a Legião de Honra. Emmanuel Macron era contra esta decisão, diz que é preciso respeitar os antigos presidentes, mas a lei é a lei e Sarkozy vai perder mesmo a Legião de Honra.
Paulo, e o reforço da defesa é para cumprir mesmo ou é para iludir mesmo?
Pelos vistos é mesmo para iludir. A NATO pede que os Estados-membros façam o reforço das capacidades de defesa, cada um deles tem que fazer a sua parte, e isso implica aumentar despesa e fazer investimentos, implica gastar dinheiro de alguma maneira. E a meta dos 2% do PIB de despesa por ano está por cumprir por Portugal, está por cumprir desde sempre, e por Portugal e por outros países. E o Governo garante por cá que é já este ano que vai chegar a esse objetivo da NATO. Mas como é que se vai chegar a este valor? Aumentando as verbas para se atingir essa fasquia ou de alguma maneira utilizando truques de contabilidade para iludir que chegamos lá, isto é, indo buscar outras rubricas de gastos públicos para dizer: "Olha, gastámos isto tudo em defesa e, portanto, chegámos aos 2%". A tentação de fazer as contas à medida é grande, mas não nos enganemos. O objetivo é mesmo aumentar a capacidade de defesa e a contabilidade criativa, obviamente, não nos protege mais por muito criativa que ela possa ser.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta.