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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
Esta quinta-feira falamos de lápis azul, ideias mortas, espelho meu, espelho eu?
Espelho meu, espelho meu.
Espelho meu.
Quem escreveu isto com que escreveu?
Espelho eu. Olha, neste caso é eu.
Até batia certo.
Que feia besta quadrada que escreveu isto.
Estes guionistas.
A sério. Vem para aqui dormir.
Mas antes disso é as bifanas e os cachorros. Mas será que para quebrar rotinas políticas, Paulo, não podemos trocar a troika, sei lá, por outra coisa qualquer? Um cachorro, uma bifana.
Uma bifana, sei lá, uma batata.
É tão isto, como se diz nas redes sociais. É tão isto.
É tão isto. A sério, de facto, já se trocava a troika no argumentário de bolso da política. A troika chegou há 13 anos.
13, bem me imagino.
Chamada por um governo socialista, foi embora há 10 anos, depois do programa da troika, cá está, ter sido executado por um governo PSD/CDS. Já todos conhecemos de cor e salteado todas as narrativas sobre o assunto, daquelas mais factuais às mais fantasiosas, tudo para trás e para a frente. Bom, mas ontem bastou de facto Maria Luísa Albuquerque ser indicada para comissária europeia, ela que integrou o governo de Passos, foi a ministra das Finanças que sucedeu a Vítor Gaspar. Lá voltamos à história da troika. Claro que a austeridade doeu a toda a gente. As primeiras vítimas foram as pessoas com mais baixos rendimentos e aquelas que perderam o emprego. Aliás, é isso que acontece sempre em qualquer crise económica, está mais que estudado. Por isso, mais útil do que atirar ao remédio amargo, era importante atirar às causas da doença. E nós até já aprendemos alguma coisa com isto tudo. Vejam os orçamentos equilibrados dos últimos anos, são claramente filhos da troika. Agora todos defendem as contas certas desde pequeninos, mesmo aqueles que são agora troika tintas. Por isso, vamos antes fazer a nossa Perestroika, para não termos mais tarde de chamar de novo a troika.
É mesmo. Bruno, o verão está quase a acabar, eu vou de férias, preciso de sugestões. Alguma leitura?
Claro, eu recomendo vivamente a coleção Fazer Cidade, que ainda não li, mas que é um conjunto de oito volumes sobre o tempo de Rui Moreira à frente da Câmara do Porto e que é pago pela Câmara do Porto. A coleção é coordenada por Vasco Ribeiro, que é chefe de gabinete de Rui Moreira, portanto alguém por dentro da governação, sabe o que se passou e assim não têm de recorrer a ninguém de fora. Poupa-se trabalho. Talvez não se poupe dinheiro, porque ao todo a Câmara vai gastar ou investir mais de €85 mil neste grande empreendimento literário.
85 mil euros?
85 mil euros.
São oito volumes.
São oito volumes. E não são valores do outro mundo, atenção. O estranho é que sejam investidos numa obra que é um autoelogio. Rui Moreira perguntou ao espelho: "Espelho meu, espelho meu, haverá melhor-"
Não quer dizer espelho eu?
Espelho eu. Ele dá logo a resposta ao espelho. "Haverá melhor autarca do que eu?" E o espelho, claro, muito obediente, diz que não, não há melhor autarca. E como prova, este espelho oferece provas. Dá um livrinho. Ou oito.
São oito.
Mas não vão já correr à procura da coleção completa, para já só saíram os dois primeiros livros.
Chega.
Talvez seja a Marijó.
Sim, mas eu acho que não deve haver grandes surpresas, não é como aquelas sequelas que depois trazem.
Vai ver se o espelho acerta como é que sacana.
Exatamente. O que é que vai acontecer? Nada.
Lê um gancho no final do primeiro livro, um gancho no final do segundo.
Aqui não vai haver nada disso. Paulo, e na política, o que é que antes de ser, já não era?
Ora bem, nós sabemos, diz a realidade, que a pescada é o oposto a isto. Antes de ser, já o era. Antes de ser pescada, já era pescada. Mas neste caso é de facto ao contrário. Falamos do referendo do Chega proposto para a imigração. Antes de ser, já não é. Por quê? Porque o presidente da República já matou a ideia antes mesmo de André Ventura a poder ter desenvolvido e formado devidamente. Marcelo Rebelo de Sousa disse que é preciso ver a diferença entre a realidade e os discursos e narrativas sobre a imigração, ou seja, para o presidente da República, a realidade não merece este tipo de tremendismo. Nós sabemos que os referendos podem ser propostos pelo Parlamento, pelo governo ou por um conjunto de cidadãos, têm que ser aprovados no Tribunal Constitucional, mas depois têm que passar no crivo do presidente. Portanto, o presidente terá sempre uma palavra a dizer. Fica então o registo de uma tentativa do Chega fazer um negócio político para aprovar o orçamento. Era assim uma espécie de orçamento limiano, mas desta vez com queijos importados, obviamente.
Claro. Bruno, e houve lápis azul no Facebook com a mão da administração Biden?
Mais ou menos. Foi isso que pelo menos deu a entender o CEO da Meta, empresa dona do Facebook, Instagram, WhatsApp e outros, Mark Zuckerberg, que veio dizer numa carta enviada ao presidente republicano do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes, que pode ter havido aqui alguma interferência, alguma pressão da administração Biden. Mas a minha primeira pergunta quando li esta notícia foi: uma carta? Mas quem é que ainda escreve cartas? É o CEO da Meta, pronto.
Não tem tecnologia ao dispor.
Não tem, coitadinhos. Tem que ser ainda escrever com lápis ou caneta. Mas deixemos lá da forma, centremo-nos no conteúdo. Zuckerberg diz que foi pressionado pela administração Biden a controlar mensagens sobre a Covid-19 durante a altura da pandemia, que eram divulgadas em redes como o Facebook. Publicações a criticar as vacinas e outras que aventavam a hipótese de o vírus ter sido criado em laboratórios chineses não tinham uma vida muito longa e eram apagadas quase de imediato. Os alertas de desinformação em muitos conteúdos também eram frequentes. Zuckerberg veio agora dizer que as escolhas foram da responsabilidade da empresa, sim, mas que essas pressões existiram por parte da administração Biden e que se fosse hoje, não teria tomado as mesmas decisões. Agora eu pergunto-me: será que estas declarações de Zuckerberg poderão ter alguma influência e beneficiar Donald Trump nas eleições de novembro?
Ainda bem que faz essa pergunta.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.