Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Então a tecnologia veio atrapalhar a tecnologia, Bruno?

É sempre assim, Carla, a tecnologia que vem atrapalha a que existia. E estamos aqui a falar de escutas. Durante muitos anos para ouvir uma conversa bastava, com a devida autorização judicial, que houvesse um telefone pelo meio. O problema é que atualmente as pessoas deixaram de falar tanto ao telefone, ou seja, usando as operadoras tradicionais. As escutas telefónicas em Portugal caíram para cerca de metade numa década e uma das explicações está precisamente na mudança dos hábitos de comunicação. O WhatsApp, o Signal e outras plataformas passaram a ocupar o lugar que antes pertencia às chamadas telefónicas e muitas destas comunicações são protegidas por encriptação de ponta a ponta. No fundo, é a tecnologia a fazer aquilo que faz de melhor, a tornar obsoleta a tecnologia precedente e a criar novos problemas, sempre que resolve problemas antigos. E esta nova realidade é um grande desafio para quem investiga, os investigadores criminais, e por outro, não podemos deixar de reconhecer a contribuição para que as escutas, enquanto instrumento fácil de investigação, não se banalizem. É que aquelas histórias de pessoas a serem escutadas durante anos a fio também não eram muito animadoras.

Pois não. Paulo, parece que houve mesmo uma cunha no caso das gêmeas que receberam um tratamento caro.

É verdade, o Ministério Público diz que sim, que houve ali uns favores e por isso deduziu a acusação contra quatro desenvolvidos: Nuno Rebelo de Sousa, filho do presidente, Lacerda Sales, que era o secretário de Estado da Saúde na altura, Luís Pinheiro, diretor clínico do Hospital Santa Maria, e a mãe das crianças. Todos, diz o Ministério Público, executaram um plano comum que se serviu do nome de Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República então, para desbloquear o tratamento, um tratamento que sabemos que é caro, e contornando assim as regras e a burocracia. O caso vai agora seguir certamente para a fase de instrução, onde os arguidos podem contestar a acusação e evitar ainda, ou tentar evitar, ir a julgamento. Bom, mas este caso desenvolveu-se desde o início como uma cunha, tinha todas as características de cunha e teve o resultado de uma cunha. Então, provavelmente, como é história de pato, provavelmente foi mesmo uma cunha. Bom, mas vamos deixar que o tribunal, em última instância, decida isso.

Exato.

Ou o juiz decide.

O juiz, exatamente.

Bruno, os javalis são uma piada ou uma praga?

Isso faz lembrar, com as devidas distâncias, Maria João, aquilo que dizia José Maria Pedroto do número de jogadores brasileiros numa equipa. Dois, ainda vai lá, três já é uma escola de samba. Passando aqui para um tema totalmente diferente, o dos javalis. Se encontrarmos um a passear pela cidade, até podemos achar graça, a uma distância razoável. Se encontrarmos 20, talvez comecemos a achar que estamos perante um caso de invasão territorial. E em Setúbal temos visto muitas notícias, os javalis estão a aparecer cada vez mais em zonas frequentadas por pessoas, incluindo as praias e espaços de piquenique à volta da cidade. E há quem já lhes tenha dado um estatuto praticamente turístico, tirar fotografias, fazer observações dos animais e naturalmente, há sempre alguém que acha que deve fazer uma festinha ao animal. Mas como bem alerta o público numa reportagem que tem sobre o assunto, isto não são animais para fazer festinhas, não é a Disney e os animais selvagens não são peluches. Há aqui várias questões também relacionadas com a segurança das pessoas, com o trânsito e também com a saúde pública, que não dão grande vontade de rir. E mais dia, menos dia, parece que este problema também vai ter de ser resolvido.

Pronto, já sabemos que há excesso de javalis em Setúbal e há excesso de turismo em Lisboa, Paulo.

Olha bem, Carlos Moedas diz que sim. Atenção, de turismo. O presidente da Câmara de Lisboa diz que não há excesso de turistas, mas que Lisboa tem excesso de tuk-tuks e de TVDEs, aqueles veículos das plataformas eletrónicas, onde as pessoas, diz o presidente da câmara também, nem falam português. Bom, sendo assim, o assunto é muito mais fácil de tratar e de resolver, porque quer os tuk-tuks, quer os TVDEs, podem ser regulados mediante licenças camarárias. E então se reduzem essas licenças ou se deixam de atribuir novas licenças. Compete, neste caso, à Câmara Municipal de Lisboa fazer isso e reduzir o número de veículos destes nas ruas da cidade, porque mais difícil é travar a vinda de turistas, como é evidente, já que a entrada é livre, as autoridades podem sempre aumentar a taxa turística para um nível que afaste alguns visitantes, mas mesmo assim o sucesso não é garantido. As pessoas podem sempre pagar.

Claro, há muitas experiências em todo o mundo que mostram que não resulta assim tanto.

Não resulta assim tanto. E, portanto, o melhor nestas coisas também é ter cuidado com as medidas, porque o turismo é fundamental para o país e para a economia das cidades, e que conforme começaram a vir, os turistas também podem rapidamente desaparecer e deixar de vir. E depois nós aí vamos ter saudades deles.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.