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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

E esta quinta-feira falamos de peregrinação a Belém, censura regional. Isto é só na América, mas agora apetece perguntar: então e vocês, foram votar?

Pois apetece, não é?

Eu pensei que estava no dia de ontem.

Pensavas que era só o interesse completo. Pensava que estavas no dia de ontem.

Agora fiquei um pouquinho atordoada.

Não, mas só ontem é que foi feito o discurso de concessão de vitória. De vota, se quiserem. Apetece perguntar, porque o interesse nestas eleições americanas pareceu ultrapassar, e eu acho que algumas vezes e nalguns setores ultrapassou mesmo o interesse que vemos por cá nas nossas eleições, quando temos legislativas e presidenciais. Toda a gente com opinião, toda a gente com candidato favorito. Ou contra algum candidato. Nestas poderá ter acontecido muito esse fenómeno, mais do que estar a favor de alguém, estavam contra alguém, contra Trump, nomeadamente. E discussões que se foram vendo nas redes sociais, essas discussões eram tão ou mais acaloradas como acontece nas eleições nacionais. E agora continuam no rescaldo, com todo o alvoroço que se vai vendo. Portanto, só falta mesmo, e isto é uma reclamação que eu acho que muitos países deviam fazer, reclamar o direito a voto legítimo nas eleições americanas.

E nas chinesas também. Eu gostava muito de votar nas eleições chinesas.

Eu acho que os chineses também gostavam muito de votar nas eleições chinesas, antes de mais. Vamos por partes.

Mas será que continuamos sem perceber a América?

Carla.

E a China.

E a China. A China, então, é que não percebemos mesmo. Mas continuamos sem perceber a América e sem perceber o fenómeno Donald Trump. Apesar de todos os indicadores e dele já andar aqui há alguns anos, de todas as entrevistas com norte-americanos de diferentes etnias e origens sociais que afirmavam ir votar em Trump, de saber que a prioridade da maioria dos americanos era a economia e que a maioria dos americanos acreditava que nesse capítulo Trump seria melhor do que Kamala. Apesar de tudo isto, muitos não queriam acreditar na possibilidade de vitória do candidato republicano. Mas não é só na Europa que não se percebe a América. Há outra América, aquela que os europeus percebem melhor, que também não percebe a outra América que vota em Trump. Portanto, estamos todos empatados.

Deviam fazer um filme em Hollywood para explicar isto.

Um filme catástrofe. Ou uma série. Entretanto, e por cá, o governo regional da Madeira anda ali na corda bamba. Cai ou não cai? Será que é desta?

Sim, bem que pode acontecer isso proximamente. Porque o grupo parlamentar do Chega Madeira vai avançar com uma moção de censura ao governo de Miguel Albuquerque. É uma moção de censura que tem um prazo regulamentar de sete dias para ser discutida e só passa se houver maioria, como é evidente. Para isso, para que essa maioria a favor da moção de censura seja votada favoravelmente, é obrigatório que o PS vote a favor também. E se for votada a favor, o governo regional cai. Mesmo que não seja, não se entende como é que o governo Miguel Albuquerque vai aprovar orçamentos regionais futuros, uma vez que essa aprovação está dependente desde o início, desde a formação do governo, depende do voto do Chega. Portanto, este é um governo que nasceu frágil, e que obviamente vai sair tudo menos reforçado daqui.

Então, Bruno, a dúzia é mais barato, leva 12 pacsais?

Sim, eu acho que sim, pelo menos olhando para o que aconteceu ontem no Palácio de Belém, é que foram quase quatro dúzias os deputados do Chega recebidos pelo Presidente da República, isto a pedido do partido liderado por André Ventura. O encontro durou apenas 10 minutos, é verdade, mas o Chega fez questão de entregar em mão, ou com 80 mãos, para ser exato, um protesto escrito contra a atuação do Presidente da República na sequência da morte de Odair Moniz e dos desacatos que se seguiram na região da Grande Lisboa. Para André Ventura, Marcelo não priorizou, não destacou e não sublinhou a atuação policial, nem a instituição policial. E como manter um clima de tensão com Belém traz alguns dividendos, o Chega aproveitou o momento para protestar contra o presidente e levar quase todo o grupo parlamentar a Belém. Com muita paciência e fair play, Marcelo recebeu a quase totalidade do grupo parlamentar do Chega. Isto não foi, parece, bem um protesto, foi quase uma excursão parlamentar ao Palácio de Belém.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.