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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

E Paulo Ferreira, na edição de hoje do Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta, o destaque vai para brincadeiras com o fogo, caixinhas do PSD, promessas que nos deixam preocupados, mas começamos por estranhas coincidências.

Estranhas e felizes. Já viram a coincidência? Em menos de duas semanas, a evidência científica passou a coincidir com as pressões para vacinar os mais jovens.

A Direção-Geral da Saúde ontem reviu a posição sobre o assunto.

Há 11 dias, essa Direção-Geral de Saúde disse que os jovens entre os 12 e os 15 anos só deveriam ser vacinados por indicação médica e, mesmo assim, em caso de presença de algumas doenças. Mas o presidente da República não deixou de falar do assunto e o debate público sobre a preparação do ano letivo também subiu de tom. E ontem, previsivelmente, talvez, lá veio a Direção-Geral de Saúde rever a sua posição técnica sobre o assunto. Afinal, adolescentes devem ser já universalmente vacinados. É mais uma mudança de posição que fica por explicar. Podíamos temer, depois disto, pela credibilidade de Graça Freitas e da Direção-Geral de Saúde, mas podemos ficar descansados. Já não eram credíveis, de qualquer forma.

E depois disso, o primeiro-ministro veio garantir que no arranque do ano letivo, todas as crianças entre os 12 e os 15 anos vão estar vacinadas.

É verdade, o que nos começa logo a levantar reservas. Agora que António Costa fez essa promessa, será que podemos acreditar que vai mesmo acontecer?

Mas qual é a dúvida?

A dúvida tem a ver com promessas semelhantes que o primeiro-ministro fez no passado, e que ficaram por cumprir. A mais evidente foi aquela de distribuir computadores por todos os alunos e professores até o início do ano letivo passado, portanto, até há quase um ano. Sabemos como essa promessa não foi cumprida, o que nos faz temer que o mesmo possa acontecer agora. Vamos ver como corre agora esta da vacinação, sendo que desta vez temos uma equipa competente a tratar deste assunto.

Paulo, e as autárquicas começam a aproximar-se.

A aproximar-se. E afinal o PSD quer ganhar as eleições nas urnas de voto ou na secretaria?

Deve estar a pensar na corrida contra Santana Lopes na Figueira da Foz.

Isso mesmo. Aliás, é uma notícia também que temos acompanhado esta manhã, a candidatura do PSD à Câmara da Figueira da Foz. Entregou ontem em tribunal um pedido de impugnação da candidatura independente de Santana Lopes. Santana Lopes, como sabemos, ex-líder do PSD, que entretanto saiu para fundar outro partido e também já saiu desse partido. Os social-democratas alegam uma violação da lei que regula as eleições autárquicas. E qual é a gravidade da ilegalidade imputada a Santana Lopes? Parece que o movimento independente tem apresentado nominações diferentes numa mesma candidatura. E o PSD lá vai para tribunal tentar resolver o assunto. Não é nada bonito quando se tenta na secretaria ganhar aquilo que deve ser decidido no terreno de jogo.

E vamos ver como é que esta batalha jurídica vai acabar.

Vamos ver. E vamos também ver como corre esta época de incêndios que está no início. Como é que com o calor à porta, o governo não consegue ter a funcionar todas as torres de televigilância de fogos florestais?

Isso foi uma denúncia feita ontem pelo PSD.

Foi uma denúncia que o PSD fez e que o próprio Ministério da Administração Interna confirmou, reconhecendo que as torres em Castelo Branco e Santarém não estão a funcionar e garantindo ao mesmo tempo que a avaria deverá ser reparada até ao final da semana. Esperemos que corra tudo bem por estes dias, até lá, e que essa avaria não prejudique o combate aos fogos. Sobre a competência do ministro da Administração Interna, também já não se pode acrescentar nada. Continuamos basicamente a brincar com fogo.

Paulo Ferreira, e o Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta, nas manhãs 360, amanhã mais, na Rádio Observador e a qualquer hora, em podcast.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.