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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Paulo.

Jesus.

A justiça pode ser ainda mais lenta no caso da Operação Marquês?

Pode sim, senhor. Como tem tudo avançado muito depressa, como nós sabemos, o caso arrasta-se, imaginem, há mais de 12 anos, e isto só contando desde o momento em que publicamente se soube e Sócrates foi detido. Não contamos com os anos anteriores de investigação, portanto, 12 anos. O Ministério Público descobriu agora que as suspeitas de crimes do caso concreto de Vale do Lobo, há aqui suspeitas de crimes de corrupção, que essas só prescrevem em 2028 e nalguns casos até 2033. As defesas dos administradores do empreendimento do Algarve pedem ao tribunal o reconhecimento da prescrição já, o que pode servir também a José Sócrates e Armando Vara, implicados também, mas os procuradores do Ministério Público contestam e apontam então essas prescrições para 2028 a 2033. Portanto, podemos ter, no mínimo, mais dois anos para continuar a arrastar o caso.

No mínimo.

No mínimo. Se tudo correr bem, serão mais sete anos para além dos 12 que o caso já leva. Portanto, qual é a pressa? Se a justiça pode ainda ser mais lenta, para que apressá-la?

Exatamente, Paulo. Mas Paulo, eu tenho mais dúvidas nesta manhã de quarta-feira, deve ser do eclipse. Qual é a semelhança entre o interior do país e a humanidade?

Ora bem, o ponto em comum podemos encontrá-lo naquela frase de Almada Negreiros, disse o artista: "Quando eu nasci, as frases que hão de salvar a humanidade já estavam todas escritas. Só faltava uma coisa: salvar a humanidade." Ora, com o interior português é rigorosamente a mesma coisa. As frases que iam desenvolvê-lo e salvá-lo já estão todas ditas. António Costa voltou ontem a dizê-las na Covilhã, disse que o interior não é um fardo e que precisa de uma oportunidade para que o seu potencial, pedindo uma visão estratégica e de investimento público, que potencie então o investimento privado. Portanto, de uma forma ou de outra, está tudo dito. Cá estão as palavras gastas, ditas, agora só falta mesmo uma coisa: salvar o interior.

É isso mesmo. A João está com muitas dúvidas. Eu só tenho uma.

Então.

Eu acho que vamos estar todos.

É da idade.

É, só consigo uma coisa de cada vez. E hoje é dia de estarmos todos a olhar para o ar?

É, tudo de nariz no ar, não é? Olhar para o céu.

De pescoço.

Exato, atenção ao pescoço, com atenção aos olhos também, com os óculos indicados e certificados devidamente postos no sítio, com o nariz, mais uma vez, a ter aqui uma função. Claro, os olhos não é tê-los no bolso.

Nem na cabeça.

E o nariz, além de apontar para o ar, tem aqui uma função importante, que é segurar os óculos, como é evidente.

Eu ontem pus os meus e é giro não se ver absolutamente nada.

É giro, não viste nada.

Não sei nada.

Portanto, não conseguiste ver-te com aqueles óculos. Pronto, olha, isso vai ser uma coisa boa. Não conseguimos ver-nos uns aos outros com aqueles óculos. É, de facto, raro um fenômeno natural suscitar tanto interesse como este eclipse solar. Os media, obviamente, deram a devida atenção ao assunto e o indicador do interesse público é a dificuldade em encontrar os tais óculos de proteção. Por isso mesmo, ontem já havia óculos à venda na internet, nas plataformas habituais, a €20 ou até a €100. Imagine-se. É uma verdadeira loucura, mostrando que o aproveitamento dos que têm mais espírito comercial não escolhe motivos nem eventos. Tudo serve basicamente para ganhar uns trocos. Este é o único eclipse total do sol em várias gerações. O último foi há mais de 100 anos, vocês falaram disso há pouco.

E vamos falar a seguir.

1912?

Sim.

E vamos falar a seguir também, portanto vamos dispensar aqui de mais comentários. O próximo também ainda demora. O tempo vai colaborar, vai haver céu limpo, pelo menos em grande parte do país e da costa. Por isso agora basta ir à procura de um local com visão livre para o pôr do sol.

Isso é o mais difícil.

É o mais difícil.

Mas guardem os óculos para o próximo eclipse, que é para não darem depois a correr à última de hora.

Obviamente.

Voltemos ao que está a acontecer.

Claro.

Para a galinha preta.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.