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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta essa.

E esta quinta-feira falamos de afinal havia outra. Vocês deram a encantar.

Claro.

Estamos inspirados. Há coisas que nos inspiram.

Um dia desses vamos a um karaoke.

Vamos, vamos fazer uma coisa dessa.

Ou ir pra casa de alguém com karaoke.

Outra ideia boa. Falamos também de casa roubada, mas começamos pela polêmica de que se fala.

Sim, até onde irá esse conflito entre os agentes das forças de segurança e o governo, Paulo?

Pois, é que já entramos em terrenos perigosos, com o endurecimento das ações ou das palavras, das posições de um e do outro lado. Do lado das polícias, a sugestão de uma interferência na logística eleitoral e o anúncio de mais protestos já teve reação. O governo usou palavras duras, abriu processos de averiguação ao número invulgar de baixas nalgumas áreas da PSP. O Sindicato dos Profissionais da Polícia denunciou que os elementos do corpo de intervenção, de facto, da Unidade Especial de Polícia, que apresentaram baixa antes do jogo Benfica e Gil Vicente, vão ser transferidos e podem mesmo ver os contratos não renovados. E o diretor da PSP já deixou o aviso: não permitirá atos que comprometam a normalidade. Portanto, o braço de ferro está mais forte e sem solução à vista.

Paulo, e ainda sobre as polícias, depois da casa roubada, trancas à porta?

É isso mesmo, o adiamento do jogo entre o Famalicão e o Sporting acabou por denunciar ao país que há serviços de polícia que estão a ficar por fazer. Não sabemos quantos nem quais, para além destes, que têm obviamente mais visibilidade pública, porque de facto levaram ao cancelamento, ao adiamento, a um jogo de futebol. E agora o comandante distrital da PSP de Leiria decretou, a propósito disso, e citamos: "Uma excepcional mobilização de meios humanos para o jogo entre o União de Leiria e o Sporting da Taça de Portugal, recusando dispensas e admitindo o recrutamento de agentes em folga". Pelo menos, com medidas destas, o futebol parece estar de facto garantido. Quanto às patrulhas, segurança nas ruas e combate a eventos de criminalidade, aí, de facto, não sabemos o que se passa.

E afinal, houve mais aumentos para além da Polícia Judiciária? Este era um assunto secreto.

Era muito secreto. Era um tema muito reservado. Não foi discutido publicamente, talvez porque envolve ou envolveu os funcionários dos Serviços de Informação da República. O diploma foi publicado nos últimos dias de dezembro, o Público fez disso notícia ontem. Foi publicado entre o Natal e o Ano Novo e alterou as carreiras dos agentes secretos, permitindo-lhes subir uma posição e resultando, depois, um aumento ordenado de mais 15%. Parece então que, de facto, a PSP e a GNR foram as únicas a ficar de fora em toda esta área da segurança interna. Mas pelo menos de uma coisa nos livrámos e estamos livres: de uma manifestação de agentes secretos. Seria insólito e seria certamente uma manifestação com muitas gabardinas.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta essa.