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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Calma. Ora, quando se trata de violência doméstica, se calhar não se quer calma e o silêncio não é de ouro, Paulo.

Não, este é um dos casos em que o silêncio é de chumbo, não é? E tem um custo muito elevado, pode até custar a vida e tem custado a vida a muitas pessoas. Os números da violência doméstica registrada não param, de facto, de aumentar. As forças de segurança registraram um aumento de 13,3% nas participações entre abril e junho deste ano, isto face ao primeiro trimestre. Contas feitas, nos primeiros seis meses, as polícias receberam, em média, quase 70 queixas todos os dias, em cada um dos dias. E foram assassinadas, neste contexto de violência doméstica, 13 pessoas, nove mulheres, três crianças e um homem. O fenômeno aumenta, pelo menos o registrado, mas podemos estar aqui também perante outra tendência. O silêncio, que no passado escondia muitos destes casos entre as quatro paredes, é cada vez menor, felizmente. Hoje mais pessoas denunciam, recorrem às autoridades. Por isso, sabemos hoje melhor qual é a verdadeira extensão da violência doméstica. E o que vemos é preocupante. E também parece que temos poucas ferramentas ou temos conseguido encontrar poucas ferramentas para prevenir e combater estes crimes.

Bruno, política e futebol andam de mãos dadas?

Há muito tempo, e eu diria que andam de mãos atadas e às vezes até com algemas. E se as instituições que lideram o futebol são muitas vezes acusadas de ceder a interesses e a pedidos políticos, é também claro que o futebol não vive no vazio e não pode ignorar aquilo que acontece no mundo e na política em particular. Um evento como o Mundial, com tudo aquilo que envolve, está muito longe de ser um acontecimento meramente desportivo, ou agora comercial, e isto desde sempre, é um acontecimento político. E daí que, a propósito da crise migratória em Ceuta e a reação do governo marroquino ou a eventual cumplicidade das autoridades marroquinas naquilo que aconteceu, há quem exija que os outros países organizadores do Mundial 2030, Portugal e Espanha, se demarquem de Marrocos e não aceitem organizar o evento com o país do Norte África. O Sumar, partido em Espanha, e o Livre, em Portugal, fizeram mesmo esse pedido. E mesmo quem não vai tão longe nas críticas, como o PP em Espanha, espera que o local da final do Mundial, que ainda não foi decidido, não esteja a ser comercializado, e foram estas as palavras de Alberto Feijoo, do PP, em relação a esta questão. Espera que não esteja a ser comercializado pelo governo espanhol e que a final se realize mesmo em Espanha, no Santiago Bernabéu. O que parece certo é que não há, neste momento, condições desportivas ou políticas para afastar Marrocos da organização do Mundial, mas o incômodo político já existe.

Olha, ontem fui numa daquelas gráficas onde se gravam as canecas, as T-shirts.

Os brindes.

Os brindes.

As coisas que tu fazes no teu tempo livre.

Mandei fazer uma T-shirt, vai estar pronta na quinta-feira que vem.

Ela entretém-se muito com estas coisas.

É. Mandei fazer uma T-shirt.

É uma T-shirt.

Isso.

Que diz assim: "Onde estavas no eclipse de 2026?"

Sério?

Sim. O que achas? Eu acho que isto vai dar jeito.

Vai pegar.

Vai pegar. Está pronta na quinta-feira que vem, depois do eclipse.

Achas que vamos todos fazer essa pergunta, não é? Também me parece que sim. Provavelmente nos próximos anos vamos perguntar uns aos outros isso. É que falta menos de uma semana para o eclipse total do sol, é no próximo dia 12 de agosto, quarta-feira da próxima semana, e o interesse generalizado pelo fenômeno é indiscutível. Já é muito difícil encontrar óculos de proteção para olhar em segurança para o eclipse, para olhar para o sol, se quisermos. E ele vai cobrir o eclipse, vai cobrir toda a Península Ibérica. E essa pergunta, onde é que vais ver o eclipse, é feita com frequência entre amigos. Já todos nos confrontamos.

Anda comigo ver o eclipse. É uma coisa que se está.

Claro, já. Há uma música assim.

Igual ver os aviões.

Quase uma música assim. O eclipse será visível em todo o território continental, com uma cobertura acima dos 92%, e lá no extremo norte fronteiriço será de 100%, o melhor local vai ser no Parque Natural de Montezinho, em Trás-os-Montes. Vamos estar todos, certamente, de nariz no ar no final da tarde do dia 12 e daqui a uns anos vamos então poder dizer onde estávamos quando o sol se escondeu ali por alguns segundos atrás da lua.

Sim, todos com a T-shirt da Maria João.

Todos.

A Maria João já é multimilionária com o negócio.

É ter visão.

Visão é o caso, claro.

Bruno, então e vamos ter mais tinoni ou menos tinoni?

Isto parece aquela discussão sobre números de adesão às greves ou sobre o número de participantes em manifestações. Aqui de um lado temos o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar a garantir que com a anunciada reorganização do INEM vai haver menos ambulâncias para o socorro do INEM. E do outro temos o presidente do INEM, Luís Cabral, a assegurar que não vai haver qualquer redução de ambulâncias. O sindicato garante que vão desaparecer 100 ambulâncias do socorro, que vão passar a estar ao serviço das ULS para realizarem transferências e outras que vão passar a ser viaturas ligeiras. Já Luís Cabral diz que a transformação das viaturas de suporte imediato de vida em viaturas ligeiras não vai diminuir a capacidade de resposta do INEM, porque em muitos casos, disse o presidente do INEM, essas viaturas de suporte imediato de vida chegam ao local do incidente acompanhadas de uma ambulância dos bombeiros, o que resulta numa alocação excessiva de meios. Com mais tinoni ou menos tinoni, o certo é que INEM e sindicatos aqui não se entendem mesmo, e isto se calhar deve-se ao barulho das luzes.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.