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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Indo eu. Isso, Bruno, o PS vai em excursão pelo país.
Vai José Luís Carneiro. E a missão não é propriamente divertida. Isto não é para ir lá para os bancos de trás do autocarro cantar.
A cantar.
É o sítio mais fixe sempre do autocarro.
É sempre lá à frente vão os totós.
Oh!
Calma, não quis dizer nada acerca do vosso passado excursionista. José Luís Carneiro vai pelo país e tem esta missão difícil de justificar a abstenção exigente a um partido que, de certa forma, ainda está traumatizado com a tal abstenção violenta dos tempos de António José Seguro. O secretário-geral do PS terá de explicar o óbvio, e que às vezes é o mais difícil de explicar. Na verdade, esta abstenção do orçamento não é bem uma escolha, é aquilo que se pode arranjar neste momento. Teria o PS condições políticas para votar contra o orçamento? O primeiro deste governo? Não parece. E Carneiro lá terá de convencer os militantes de que na expressão abstenção exigente, exigência é mais importante que a abstenção.
Vamos falar de outras discussões. Paulo, será que ainda vamos ter uma lei da nacionalidade aprovada com consenso alargado?
É possível. Aliás, o assunto estará a ser discutido por agora, esta manhã, a esta hora, eventualmente, ou foi discutido esta madrugada. E pelo menos essa é a ideia da AD e do PS. A AD e o PS vão dando sinais nesse sentido, nessa possibilidade. Aqui quando se fala de consenso alargado, é obviamente trazer o PS para a aprovação da lei, porque em princípio, a AD e o Chega já estarão entendidos nesta matéria, mas a AD quer mais. A discussão do diploma foi ontem adiada pela segunda vez para esta manhã, isto a pedido precisamente da AD. E para quê? Para analisar novas propostas feitas pelos socialistas, a questão é saber se os socialistas podem ser trazidos, de facto, para o consenso, isto é, se há algum ponto de entendimento. O PS ontem concordou imediatamente com o adiamento, também é um bom sinal. Portanto, vamos ver o que dão as conversas que ocorreram nas últimas horas e que provavelmente ainda ocorrem. Quem é que não gostou disto e fez logo uma cena de ciúmes? Claro que foi o Chega.
Que telenovela.
Completamente. O Chega disse logo: "Bom, se a ideia do PSD é viabilizar as propostas do PS, não vale a pena adiar porque vamos votar contra todas." Logo assim. Cá temos a complicação e as dificuldades de uma relação a três. Isto nunca é fácil.
Um trisal.
É difícil de gerir.
Há sempre o outro ou a outra ali metido. Enfim, vamos ver no que é que isto dá.
E ainda não chegámos ao Natal.
Imagina para o jantar e para a troca de presentes.
Bruno, amanhã é dia da guerra do trono?
Vamos ver. Pode ser apenas a primeira volta.
A primeira temporada.
A primeira temporada desta guerra do trono, uma guerra eleitoral. Sim, isto ainda não anda ninguém aqui a cortar cabeças.
Ontem foi um longo debate.
Foi longo, confesso.
Eu não aguentava tanto tempo em pé. As minhas costas não aguentam.
Eles iam-se sentando. Houve imagens, Luís Filipe Vieira, Noronha Lopes e Rui Costa iam-se sentando, descansando um bocadinho.
Os rins começaram a doer ali a um quarto.
Acho que foram quatro horas. Eu mesmo sentado, aguentei menos.
Aguentado no suaco uma pipoca. Ia aguentar menos.
Caju, pronto, mas foi mais ou menos assim. Amanhã temos as eleições no Benfica, o trono é essa desejada presidência. Podemos ter a primeira volta amanhã, se ninguém conseguir mais de 50% dos votos. E neste momento, as sondagens indicam que nenhum candidato alcançará esse valor. E estamos perante aquelas que são as eleições mais importantes no país, depois das eleições políticas.
Há quem não considere isso.
Eu sei.
Eu noutro dia ouvi um senhor assim já com uma certa idade no café dizer, no dia das autárquicas: "As minhas eleições são no dia 25 de outubro."
É verdade. Para muitos são.
Não definas essa prioridade para toda a gente, Bruno.
Eu sei que estou aqui a puxar pelo meu lado mais cívico, mas é verdade que há quem veja nestas disputas eleitorais dos clubes eleições ainda mais importantes do que algumas que vão acontecendo por aí. Aqui, no caso do Benfica, exemplo do que acontece nas presidenciais, há muitos candidatos. São seis candidatos para todos os gostos. Há os situacionistas, os futuristas, os passadistas, as grandes incógnitas. Há os aristocratas, os tipos mais populares. Não se pode dizer que os benfiquistas tenham falta de alternativa. Os resultados em campo aqui têm sempre uma influência. Mas o que os benfiquistas esperam, alguns, é que os sócios que vão votar, votem com a cabeça e não propriamente com aquilo.
Que têm mais à mão.
Que têm mais à mão, é com o pé, ou com os pés, ou com os dois.
Falando em eleições, não sei se mais ou menos importantes, mas ainda há quem tire consequências de maus resultados eleitorais, Paulo.
É verdade, é raro, mas isso ainda vai existindo. Obviamente que estas eleições autárquicas não têm a importância das eleições do Benfica, já sabemos.
Não, nem de perto nem de longe.
Neste caso concreto, a concelhia do PSD de Coimbra demitiu-se ontem depois dos maus resultados eleitorais. Nós sabemos que a coligação liderada por José Manuel Silva, que integrava o PSD, perdeu a câmara para o PS, para Ana Abrunhosa. E é raro, sabemos também, um incumbente, aquele que está em exercício e que se recandidata, perder uma autarquia. Por isso tudo, os líderes concelhios do PSD decidiram sair. Dizem que de facto o principal objetivo a que se propuseram, a conquista da câmara, não foi alcançado. E cá está, há um objetivo, não é alcançado, venham os próximos fazer melhor. É um bom exemplo este tirar consequências dos resultados do que fazemos. É pena é que na política seja tão pouco seguido.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.