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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

Paulo Ferrario e Júlio Magalhães, esta terça-feira, no Ainda Bem Que Facho Essa Pergunta, falamos da importância do comboio, de falhanços repetidos e de um orçamento que não é fácil de decifrar, mas que dura.

Manuel Pires.

É isso mesmo. Durante quantos mais dias vai conseguir o governo fazer render este orçamento?

Amanhã está prevista mais uma apresentação, mas desta vez das medidas pra energia.

É verdade, e esse será, segundo as minhas contas, pelo menos, o quarto anúncio de medidas, desta vez, obviamente, como disseste, para detalhar de onde vêm e como podem ser utilizados os 3 mil milhões de euros de apoios às empresas para compensar os preços da energia. Já tivemos o pacote apresentado a 5 de setembro. Lembram-se? Logo aquele inicial, que foi marcado pelo truque das pensões e obviamente com impacto orçamental. Algumas medidas estão agora no orçamento. Neste domingo foi mais uma leva de medidas fiscais e salariais com o acordo da concertação social, onde já estavam referenciados e anunciados esses 3 mil milhões para a energia. E ontem foi o dia propriamente dito do Orçamento de Estado, onde voltaram a ser anunciadas todas as medidas anteriores e mais algumas. Se a execução orçamental for tão engenhosa como esta estratégia de comunicação, vamos ter um ano fantástico.

No final do dia, os portugueses querem saber se isto é bom ou mau orçamento.

As opiniões ontem pelo menos dividiram-se.

O cidadão comum também nunca vai saber. É que as medidas ontem apresentadas pelo governo não são fáceis de decifrar. É preciso ter uma calculadora das boas que faça tantas contas por inteiro ou então ter feito um curso de economia para desmembrar tantos números, tantas percentagens, tantos milhões. Ontem as opiniões dividiam-se entre os especialistas. Uns consideravam algumas boas medidas, outros concluíam que os portugueses não vão poder recuperar o poder de compra e outros consideram que se trata de um bom esforço do governo, nomeadamente para as empresas, uma vez que o apoio às famílias mais carenciadas já tinha sido apresentado há um mês. Do lado da oposição, imperou a cultura da política. Se no governo estiver a direita, a oposição diz não, se no governo estiver a esquerda, a oposição não perdoa. Num pós-pandemia que afetou o mundo inteiro, seguido de uma guerra, podia ter havido mais benevolência, pelo menos dizer que esperavam pelo debate na Assembleia, mas a cultura política não permite tais veleidades.

Deixa-me insistir neste tema. Ainda não foi desta que o governo conseguiu cumprir a meta de investimento que tinha fixado no orçamento.

Tem sido uma constante ao longo dos últimos anos. Os níveis de investimento ficam sempre muito abaixo do orçamento.

É verdade. E em 2022 não vamos fugir a essa regra, com uma agravante: desta vez a previsão foi feita em maio, porque, como sabem, tivemos eleições, o orçamento foi elaborado e aprovado mais tarde, portanto, em maio, e não no início do ano. A previsão era de 7.300 milhões de euros de investimento, muito impulsionado, este montante, pelo PRR, pela execução do PRR. Agora o governo estima que, afinal, só vão ser investidos 6.300 milhões. São menos mil milhões, ou seja, um corte implícito de 15% em pouco mais de meio ano. Assim, é muito difícil acreditar que as promessas para 2023 são para ser levadas a sério.

Já agora, deixa-me insistir também na importância dos comboios. Aumentou com a guerra da Ucrânia.

Tem sido um transporte decisivo nesta crise, Júlio.

Ontem chamei-me a atenção uma entrevista de um representante de uma empresa alemã, que já tem estrutura na cidade do Porto, é uma das grandes empresas alemãs, e que está no concurso que Portugal lançou para a compra de 117 comboios. Diz ele que logo nos primeiros dias de guerra eles fizeram ver a importância das infraestruturas ferroviárias e dos comboios em tempos de crise, como transportar refugiados, armamentos, cereais, e perceberam também como a guerra foi um acelerador da unificação europeia e o papel das infraestruturas na construção do continente. Para além, claro, das vantagens que se consegue com o desenvolvimento sustentável em tempos de alterações climáticas. Como se pode ver, continuamos muito atrasados na questão da ferrovia e um país sem ligações ferroviárias não é um país com futuro.

Ainda bem que faz essa pergunta, sempre com o Paulo Ferrario e Júlio Magalhães, nas manhãs 360 e a qualquer hora em podcast.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.