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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte com um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Bruno, primeiro a Venezuela, depois a Gronelândia.
Faz lembrar uma canção com outros destinos.
Faz lembrar Leonard Cohen. Com o senhor Leonardo.
É verdade. Como dizia o outro: "Olha, habituem-se". E como cantava ainda o outro, que não Leonard Cohen: "É a nova ordem mundial ou nova desordem". O argumento de que a Venezuela faz parte da área de influência norte-americana, da área de influência natural, ou seja, as Américas, não é válido, se falamos da Gronelândia, mas o argumento do poderio e dos interesses norte-americanos é. E seria um erro ver estas ações e declarações do presidente norte-americano como apenas caprichos de Trump. A ação para levar Maduro para os Estados Unidos foi realizada com grande precisão, com a colaboração de várias agências e forças militares. Isto não foi uma coisinha má que deu a Trump num dia, é um plano e está a ser executado com muito rigor. E o presidente dos Estados Unidos já avisou a Colômbia e já disse também que os Estados Unidos precisam da Gronelândia. A partir de agora, ninguém poderá dizer que não foi avisado.
Paulo, quem é o tio mais cobiçado da política portuguesa?
É Pedro Passos Coelho.
O tio Pedro.
E eu aqui a pensar no vencedor, precisamente isto, para o vencedor, e a chegar aqui a Passos Coelho.
Tu chegas à mesma.
A ideia é esta.
Ou Francisco Sá Carneiro também é um candidato a este título, a tio. Mas mais Pedro Passos Coelho, que parece um daqueles tios que deixou uma herança generosa. Por quê? Porque há vários candidatos, com ou sem herança, há vários candidatos que querem ser seus herdeiros à força e eles chegam-se à frente, levantam o braço e dizem: "Estou aqui". É Cotrim de Figueiredo, que diz que tem a coragem que Pedro Passos Coelho tinha, Marques Mendes, obviamente, porque é do mesmo partido, e o mais barulhento de todos é André Ventura, que jura a pés juntos que Pedro Passos Coelho o prefere a ele e de certeza que vai votar nele. Ora bem, o certo é que o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho ainda não abriu a boca sobre estas eleições e que se saiba não fez testamento político para deixar herdeiros. Para já, fica esta nota: é o ausente mais presente nesta campanha eleitoral. Vamos ver como é que vão ser os próximos dias.
Vamos ver. Bruno, o cinema vai desaparecer?
O cinema, tal como a nossa geração o entendia, sim, e em Portugal até mais rápido do que noutros países. Na Guarda, encerraram quatro salas de cinema e, sendo assim, já são quatro as capitais de distrito sem exibição comercial e diária de cinema. Beja, Portalegre, Bragança são as outras, agora junta-se a Guarda. No ano passado, contando com as duas salas do cinema Alvalax, em Lisboa, que encerraram no início deste ano, foram 54 as salas de cinema que encerraram. A crise parece ser generalizada e os mais pequenos, os exibidores independentes ou que operam no interior do país, não aguentam essa pressão. E mais cedo ou mais tarde, aliás, se calhar mais cedo do que tarde, a questão põe-se: deve o Estado intervir e ajudar estas empresas? Deve deixar o mercado funcionar e morrer aquele cinema que já não consegue atrair espectadores? Haverá uma responsabilidade cultural, social do governo, do Estado? São respostas para se fazer nos próximos tempos.
Pelo menos as perguntas vão se colocando. Vamos ver se as respostas chegam. Mas entretanto, e agora já aqui mais para a capital de distrito, o que mais pode acontecer no julgamento de José Sócrates?
De facto, já aconteceu quase tudo. Entre todos os recursos possíveis e imaginários que foram colocados desde o início, as picardias da defesa com a juíza, até que o advogado, o primeiro, Pedro Dalilo, decidiu abandonar taticamente o caso. Já houve um advogado oficioso, que entretanto teve que assumir o cargo de urgência. Andava por ali a passar nos corredores, foi aquele que estava de turno. E agora temos um caso de doença. O novo defensor, o advogado defensor de José Sócrates, está doente, está no hospital desde o final do ano passado, e não se fez substituir neste caso. E, portanto, o recomeço dos julgamentos está marcado para hoje, precisamente terça-feira, e a juíza que dirige este caso, Susana Seca, só decide esta manhã se pretende recorrer novamente a um advogado oficioso para garantir a representação legal do arguido, como já aconteceu, e é obrigatório, ou se vai cancelar a retoma, esperar pela alta do advogado. Mas entretanto, o tempo vai passando e, de facto, o que mais me irá acontecer? Havia uma rábula do Herman José, que era assim, aquela novela, o Moita Carrasco, se não me engano.
Pois, o Diário de Maria Lu. Talvez o Moita Carrasco. Isso, o Moita Carrasco é Nicolau Breyner.
É Nicolau Breyner. Talvez, sim.
Somos muito antigos.
Somos muito antigos, mas o que mais irá acontecer neste caso?
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte com um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.