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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado?
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Quando eu ouço isto imagino os nossos ilustres a fazerem yo, todos dreads com o boné para trás.
Então e vamos começar?
Vamos.
Bruno, quem espera e desespera no público pode ir ao privado?
Aleluia. Os utentes que estejam inscritos para cirurgia no SNS e que não tenham uma resposta atempada para serem operados no Serviço Nacional de Saúde, como acontece com alguma frequência, vão receber uma mensagem de texto.
Um SMS.
Um SMS, que lhes permitirá ir a uma unidade privada que tenha convenção com o SNS para serem operados. Ora, perguntamos nós: qual é a diferença para os já conhecidos e em vigor vales-cirurgia?
Qual é a diferença?
A diferença é que estes vales-cirurgia actualmente em vigor seguem por carta e agora a comunicação vai ser feita por SMS. É basicamente isto.
Mas olha, isto no Natal pode dar jeito. Pessoas da nossa idade receberem um vale-cirurgia.
Um vale-cirurgia.
Em vez de ser um vale da FNAC.
Eu acho que para o Natal deve ser ótimo. Agora, a minha pergunta é: será que o SNS descobriu o poder das SMS? SNS, SMS. Bem, nada de euforias. Os testes começam a 15 de setembro. Nada de euforias, porque nós sabemos que em Portugal as comunicações às vezes falham, até as de emergência. Os testes vão começar a 15 de setembro em três unidades locais de saúde e o ministério espera que no final do ano, lá está, Maria João, a tempo do Natal, o sistema possa ser implementado em todo o país. Vamos ver se não há falhas de comunicação.
Olha, da saúde para a educação, Bruno, os alunos carenciados devem receber bolsa mesmo que não a peçam.
É uma proposta, Maria João, feita pela equipa da Universidade Nova de Lisboa, do Centro de Economia e de Educação da Nova SBE, que fez um estudo sobre a ação social no ensino superior e que deverá estar na base do novo regulamento de atribuição de bolsas de estudo aos estudantes universitários, que entrará em vigor no ano letivo de 2026/2027.
Ou seja, não é neste, é no próximo.
Não é, ainda não está em vigor, não vai entrar neste ano letivo. Prevê-se que possa entrar se forem seguidas as recomendações deste estudo, que sugere então que os alunos que no secundário já beneficiam da ação social escolar devam receber automaticamente a bolsa no caso de entrarem para a universidade. Essa automatização dos apoios, por assim dizer, vai aumentar o número de bolsas, claro, e os encargos do Estado, mas também pode ser mais eficaz e também pode ser um incentivo extra para aqueles alunos e famílias que hesitam em prosseguir os estudos devido às dificuldades económicas dos agregados. Se um dos objetivos é não deixar ninguém que queira ir para a universidade para trás, esta simplificação da atribuição de bolsas ou automatização pode ser, de facto, uma grande ajuda.
Até porque a partir daí as condições não mudam assim tanto de um ano para o outro.
Não mudam. E aí passa o ônus da comunicação, caso alguma coisa tenha mudado, para o aluno e não ao contrário, de ter de submeter papelada logo de início. Deixa-me só dizer isto: faz muita diferença para alunos que entram na universidade ficar ali uns meses enquanto metem os papéis e se fica à espera de resposta, sem receber bolsa.
Bruno, e na corrida à Câmara do Porto, as promessas são o melhor combustível?
É um combustível poderoso, Luís, muito barato, mas com tantos candidatos e tantas promessas, pode ser que este combustível até deixe de fazer efeito. Eu tenho acompanhado e tenho lido várias intervenções dos candidatos à Câmara do Porto, quer dizer, não só à Câmara do Porto, mas agora falando da Câmara do Porto, e são de facto mesmo muitas promessas e isto é quase prometer o paraíso. Pedro Duarte, para dar um exemplo, que é o cabeça de lista da coligação Somos Nós, não nós, são eles, que junta PSD, CDS e Iniciativa Liberal, promete, atenção, 700 vagas em creches, redução do IRS municipal de 3%, que é o atual, para 1,5% ao longo do próximo mandato, transportes gratuitos na área metropolitana do Porto, a plantação de 15 mil árvores e mais 100 agentes para a Polícia Municipal. E que tal estas promessas? Isto até cansa só de enumerar tanta promessa. Antigamente havia os pagadores de promessas, não sei se ainda há, que eram aquelas pessoas que faziam as promessas por quem não as podia fazer.
Pelos outros.
Pelos outros, então recebiam. A diferença no campeonato das promessas pré-autárquicas é que estas não se pagam, são todas de borda, os custos vêm depois.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado?
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.