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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta.

Ainda bem que faz essa pergunta com a Judite França e o Júlio Magalhães. Hoje sobre o comentador Marcelo Rebelo de Sousa, um censos que não surpreende, mas, Judite, comecemos pelo líder do PSD que hoje merece destaque. Por quê?

Olha, porque ontem falou. Eu acho que basta isso. E bastou para me fazer perguntar: será que Rui Rio perdeu o norte?

Então, Judite, o que é que te parece? Achas que anda baralhado?

Anda.

Ou parece que anda?

Não, anda baralhado. Só pode. Porque ontem considerou a expressão "fraude política", que está no relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito às perdas do Novo Banco e que se refere à atuação do governo PSD/CDS na resolução do BES, como um pormenor. Eu não sei o que seria mais grave do que acusar de fraude, porque fraude mostra intenção, não é um mero acaso, mas o líder do PSD não se incomoda e diz que, se não aprovasse o relatório por este pormenor, bom, sabemos que Rui nunca foi fã de Passos Coelho ou do governo no seu todo, mas aquela solidariedade partidária seria talvez interessante aqui, até porque aprovar a expressão deixa recair sobre o PSD o ônus de uma resolução mal feita, de propósito, e com o PSD a concordar sobre isto. Vai daí que Rio não percebeu o poder das palavras ou então concorda com elas, o que eu não sei o que será mais grave.

A mesma ideia é que anda baralhado, Judite.

Anda baralhado. E já agora, que hoje Rui Rio está na berlinda, então o governo não tem déficit de oposição?

É, Rui Rio também não estará a ver bem esse filme.

E eu acho que é um filme de má qualidade. Quando se fala do maior partido da oposição fazer o seu trabalho, por exemplo, dar de bandeja a cabeça de Pedro Passos Coelho, como acabamos de falar, começa logo por ser má oposição. Validar o discurso do Partido Socialista nos últimos anos sobre o BES também é má oposição, ou então é falta dela. Ontem Miguel Pinto Luz escrevia nas redes sociais que não há déficit de oposição porque não há oposição sequer. Eu devo dizer que o vice-presidente de Cascais, e que foi candidato contra Rui Rio nas últimas eleições internas, portanto, isto também não é inocente, tem aqui alguma razão, porque só não ter noção de que não anda a fazer oposição nenhuma, e não é de agora, é só bizarro. António Costa agradece, mas um governo sem contrapoder, sem quem o fiscalize, que o obrigue a andar na linha e não lhe permita algumas liberdades excessivas, bom, isso é o trabalho da oposição e isso não temos visto até agora. Pelo contrário, Rio gosta de ajudar António Costa. Talvez pudesse, de facto, fazeriam uma coligação. Eu acho que os dois podiam pensar no assunto.

Ora, e Judite, o que é que não se sabia sobre o país que o estudo do INE tenha revelado ontem, sabes?

Bom, é um estudo exaustivo, muito pormenorizado sobre o país, portanto, haverá novidades?

Sim, é um estudo muito exaustivo, muito pormenorizado e muito abrangente. Mas surpreendeu quem? O que é que não se sabia que este estudo nos tenha dado? Portugal tem menos gente, quem é que não sabia? Lisboa e Algarve têm mais gente, ora quem não sabia? O Alentejo é onde diminuiu o número de residentes, quem não via isso? Há muitos pormenores e uma infindável lista de números muito completos e um retrato também exaustivo do país. Por isso concentro-me apenas em mais um: metade da população vive em 31 concelhos, um décimo dos que existem em Portugal. Ou seja, entre 308 municípios, 257 perderam população e apenas 51 registaram aumento, estes quase todos no litoral. E isto surpreende alguém?

Não surpreende, de facto. Pode ser um bom ponto de partida para o futuro, não é? No que diz respeito a uma tentativa de equilíbrio territorial.

Pois, essa foi uma das várias reações ouvidas a este estudo, um estudo muito importante. Dizem que a partir de agora sabemos onde devemos investir e mudar o rumo dos acontecimentos, mas tudo o que vem no estudo já se sabe há mais de 20 anos. E a partir deste estudo, digo-te já o que vai acontecer. Agora vão analisar, pelo menos durante dois anos, depois há de se nomear o grande presidente da comissão, que vai sair de uma avenida próxima de um centro político, à esquerda e à direita, e daqui a 20 anos o INE fará novo estudo sem que até lá se tenha feito o que quer que seja. Num país tão pequeno, Judite, é triste vermos tantas desigualdades.

Eu gosto que já estejas a perspetivar essa comissão. Bom, mas e qual é a atividade preferida de Marcelo Rebelo de Sousa?

Ora, eu diria que é ser comentador político.

E tu sabes, não é?

Mas eu sou suspeito.

Ora eu acho que, de facto, o Marcelo nasceu para isso e tem saudades. Ontem foi o convidado da circulação do Quadrado, onde disse ao governo o que fazer, já esta quinta-feira no Conselho de Ministros, começar o discurso da transição da pandemia para o pós-pandemia. Quer que o primeiro-ministro tire o país do medo para um discurso mais positivo, de esperança, e depois distribuiu notas a todos. A Direção Geral de Saúde não está bem classificada porque merece o reparo da coerência do discurso, críticas sobre as regras desconexas aplicadas a diferentes setores, como à restauração e ao desporto. E aqui já ganhou pontos nesses setores. E depois do programa da TV, e o governo deve ter ficado com as orelhas a arder, porque ficou a saber que o presidente da República está inclinado a pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva do tal famoso artigo sexto da Carta Portuguesa dos Direitos Humanos na era digital. Marcelo, à semelhança dos partidos e alguns deputados que tinham deixado passar o teor deste artigo, reapreciou a matéria e está disposto a pedir a opinião do Constitucional. Mas atenção que aqui ainda houve notas para Rio, e a avaliação do professor também não foi famosa. Rio não está a conseguir transformar o PSD numa alternativa, facto, e isso revela da vontade permanente de chegar a entendimentos com António Costa. Pois, também me parece. O que não ajuda, de facto, a mobilizar a direita. Por fim, sobre a famosa bazuca, teme que seja pouco ambicioso, que seja um projeto muito vago e que está a ser utilizado neste momento como bandeira eleitoral para as autárquicas, por António Costa, claro. Como é recorrente, é preciso fiscalizar bem a aplicação do dinheiro.

Ora, aqui temos um resumo resumido de uma entrevista e ficou tudo dito, Judite. Olha, e já agora, a quem temos de agradecer o lugar que ocupamos no ranking no combate à Covid?

Eu não sei, mas tu hoje é só números e estudos.

É, nem mais. Ontem saiu mais um ranking, mais um estudo e coloca Portugal no 31° lugar no que toca à eficácia no combate à pandemia. Não é uma posição tão brilhante quanto sempre nos quiseram fazer crer. Tantas vezes vimos membros do governo, DGS e afim a darem conferências, impantes e orgulhosos com a forma como estávamos a fazer o combate e, claro, sempre com a tónica virada para os profundos agradecimentos ao povo português. Ora fica provado que nestas coisas não vale a pena tirar proveitos e ninguém tem nada a agradecer. É necessário é fazer muito e falar menos. Ainda bem que faz essa pergunta com a Judite França e o Júlio Magalhães, de segunda a sexta, depois do jornal das sete e sempre em podcast.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta.

Temos aqui-

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