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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.
E esta quinta-feira falamos do paradeiro de um antigo presidente norte-americano, de mais uma candidata a Belém, mas começamos pela nova Academia de Alcochete da Política. A televisão é o vivário de políticos, Bruno.
As juventudes partidárias ainda são o melhor lugar para se começar a carreira, são uma espécie de creche política, mas cada vez mais aparecer na televisão é aquele bilhete que dá logo acesso àqueles passes. Quando vamos aos parques de diversões.
É uma pulseirinha.
Para passar logo à frente na fila e então a televisão tem funcionado dessa forma para aqueles jovens que não têm muita paciência para o trabalho de paciência no interior dos aparelhos. Aconteceu, por exemplo, com Sebastião Bugalho, que depois de ser candidato pelo CDS, deu nas vistas no comentário televisivo, foi recrutado pelo próprio Luís Montenegro e caminho idêntico, mais ou menos, vai seguir agora João Maria Jonet. E aqui idêntico, quer dizer, na passagem do ecrã para a política dos crescidos. O comentador da SIC anunciou uma candidatura independente à Câmara de Cascais, disse que é preciso um sobressalto democrático. Parece que houve negociações com o PS, mas não houve acordo, e uma candidatura pelo PSD também estava descartada à partida. Isto apesar de Jonet ser ainda militante social-democrata, não que pareça, mas já anunciou que se vai desfiliar. Seja como for, o que interessam os partidos e as suas gigas jogas quando se tem a montra da televisão?
E quase sem darmos por isso, há mais uma candidata a Belém.
Eu não tinha reparado, confesso.
Passou-te ao lado.
Mas no dia 10 de junho, Joana Amaral Dias entrou na corrida e desde que descobriu o seu ADN, vai a todas e não perdeu tempo a disparar contra o candidato que vai à frente nas sondagens, Henrique Gouveia e Melo. E neste comício de apresentação da candidatura, que foi no Martim Moniz, Joana Amaral Dias disse que se está a preparar um grande bloco central no Parlamento, que na verdade há de ser um chapéu de três bicos, sendo Gouveia e Melo o terceiro vértice. Acrescentou que o almirante não é, ao contrário do que o próprio afirmou numa entrevista, pró-vida, mas sim pró-morte. Mas Joana Amaral Dias não esgotou as munições com Gouveia e Melo. Marques Mendes e António José Seguro, os outros candidatos anunciados, também levaram. Não com tanta força, é verdade, porque são uma ameaça mais reduzida, mas a agora candidata a presidente disse que estão condicionados porque têm a mesma agenda. Pela amostra, e isto só começou agora, está mesmo no início, vamos ter uma bela campanha para as presidenciais.
E por falar em presidenciais, mas saímos daqui, onde é que para Obama?
Essa foi a pergunta que a revista The Atlantic fez e que muitos norte-americanos, e não só, e os democratas em particular fazem, com a tensão entre os republicanos e os democratas a aumentar e com este braço de ferro entre a administração Trump e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, a marcar estes últimos dias, e sem uma figura que reúna o consenso que Obama ainda suscita, a pergunta é: por que o ex-presidente não é mais interventivo, não aparece mais? A resposta é simples, é porque não quer. A Atlantic diz que Obama está satisfeito neste estado de semi-reforma, em que se limita a aparecer para algumas declarações inócuas ou para anunciar as já famosas listas musicais, faz no verão e também por altura do Natal. E de alguma forma até se percebe, Obama não quer estragar o seu legado e a memória dos seus mandatos envolvendo-se nesta luta política mais acesa e direta. Ou seja, quer manter aquele estatuto acima da lama da política, este estatuto de senador. Mas na ala democrata, de facto, há quem não lhe perdoe este distanciamento.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.