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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

E esta segunda-feira falamos de pagar às vítimas, andar com os jovens ao colo, condenado candidato, mas começamos por princípios e leis muito flexíveis, porque Paulo, mais de 250 mil eleitores já votaram nas europeias. Será que são votos legítimos?

A avaliar pela lei eleitoral e pela leitura que dela tem feito a Comissão Nacional de Eleições, que até acha que a comunicação social deve ser censurada totalmente no dia anterior a cada ato eleitoral. Portanto, estes votos estarão contaminados por absoluta falta de clarividência e de meditação de quem os fez. Por quê? Porque estes 250 mil eleitores não tiveram aquele saco santo dia de reflexão, foram votar sem o silêncio das rádios e das televisões e com os jornais nas bancas, imaginem, com a internet aberta, não sabemos como é que, deviam fechar a internet, no mínimo. Em plena campanha, e portanto, até sem o importante debate das rádios realizado, realiza-se hoje, como sabemos. Portanto, no mínimo, estas eleições deviam ser impugnadas pela própria CNE, se ela for rigorosa na sua prática.

Vai por aí, Paulo. A ideia está mete mença. Olhe, Bruno, e depois de condenado, Donald Trump ainda pode ganhar as eleições presidenciais?

Pode.

Pois pode.

Já alcançou a glória duvidosa de ser o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos condenado por um crime federal, agora pode tornar-se no primeiro ex-presidente condenado a ser eleito de novo para a Casa Branca. Na primeira entrevista que deu após o veredicto que o condenou, Trump veio agradecer o apoio do Partido Republicano, disse que a condenação foi uma fraude e que o sistema judicial está a ser usado como arma política para o atacar. E a verdade é que as principais figuras dos republicanos já saíram em defesa de Trump e os responsáveis pela campanha anunciaram um aumento substancial nos donativos para a campanha de Trump nos últimos dias. Os especialistas dizem que a vantagem ainda está do lado do presidente Joe Biden, mas quando se trata de Trump, o melhor é guardar os prognósticos para depois das eleições.

É melhor. Já vimos isso. Isto está resolvido. E agora, Paulo, o IRS Jovem, afinal, é justo ou é injusto?

Olha, é uma boa discussão. Eu próprio não tenho ainda uma opinião formada sobre o assunto. E esta discussão pode começar por questões filosóficas sobre discriminações em função da idade, e há bastantes, como sabemos. Ou então não serão discriminações, não sei, e pode acabar na justiça intergeracional que temos ou não temos. Mas é um facto que, com a aplicação do IRS Jovem, que está prevista a menores de 35 anos, vai acontecer em muitos casos que vamos ter na mesma empresa, no mesmo departamento, em serviços públicos, dois colegas que fazem precisamente o mesmo, com as mesmas funções, com o mesmo ordenado bruto até, e em que um com 34 anos ganha mais 15 ou 20% líquidos do que outro ao lado, que faz rigorosamente a mesma coisa, só que tem 36 anos. E portanto, isto aplica-se aos menos de 35 anos versus os mais de 35 anos, como sabemos. Até há quem diga que a medida é inconstitucional, precisamente por causa disto. Por outro lado, também sabemos que os que têm agora menos de 35 anos vão ter reformas, daqui a uns aninhos, daqui a 30 anos ou mais, mas nessa altura vão ter reformas muito menores do que os que estão agora a reformar-se nas mesmas condições. Portanto, se nós quisermos olhar aqui para discriminações ou injustiças intergeracionais, temos muito por onde pegar, é um mundo sem fim, ainda vamos ter muito para discutir sem facto sobre estas medidas.

Bruno, então e a Igreja Católica vai ter de pagar às vítimas de abusos sexuais?

Abriu-se agora essa possibilidade, o período para que as vítimas de abusos sexuais no seio da Igreja Católica peçam compensações financeiras. Começou no sábado, dia 1 de junho, e prolonga-se até ao final do ano. A Conferência Episcopal Portuguesa tinha pedido ao grupo Vita a elaboração de um guia sobre a forma como deveriam ser solicitados e analisados os pedidos de indenização. Existem várias regras nesse guia para que o pedido das vítimas seja válido. Além dos dados do denunciante e do denunciado, será necessário indicar a data em que os factos ocorreram e fazer uma descrição sumária do que se passou. Segundo a informação do grupo Vita, até 31 de maio, houve 36 pessoas que deram indicação de pretender pedir esta indenização à Igreja. Se o processo de facto avançar, estima-se que as primeiras compensações sejam pagas no início do próximo ano, 2025. Noutros países, como França ou Inglaterra, para dar dois exemplos, o valor das compensações pagas às vítimas ascendeu a vários milhões de euros. Vamos ver o que irá acontecer em Portugal.

Bruno Vieira Amaral e Paulo Ferreira com as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã há uma nova edição para ouvir, é sempre a seguir ao Jornal das 7.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.