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É difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

Tudo pronto para fazermos as perguntas que marcam a atualidade. Começa agora o Ainda Bem que Faz Essa Pergunta. Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. Esta segunda-feira falamos de TAP no sapatinho, reinvenções políticas, teorias da conspiração, mas começamos por fazer uma ligação ao Porto para falar da regionalização. Júlio?

Ora nem mais. Bom dia.

Alô, alô, Porto. Vamos lá fazer essa ligação.

Vocês não estavam aqui há sete horas.

Pois é.

Alô, alô, província.

Exatamente. Muito bem, a regionalização está ou não de regresso à agenda? E será que é desta?

Foi pelo menos um tema dos discursos de Costa e Marcelo no Congresso da Associação de Municípios. Congressão é Congresso e Associação, tudo junto. Congressão.

É mesmo. Pois António Costa foi lá dizer que a descentralização avança em abril, será um balão de ensaio para que em 2024 se devolva a palavra aos portugueses sobre a regionalização. Ora, abril é já ali, em 2022, 2024 também não tarda nada. Será que ano e meio a dois anos de descentralização vai ser suficiente para avaliar? Mas ficou a ideia aí que Marcelo, no dia a seguir, e no mesmo Congresso, tratou de confirmar, referindo-se ainda a muitas condições que é preciso cumprir, lembrando que é necessário ouvir os partidos, todos, cabe à Assembleia da República decidir e votar por referendo. Ou seja, a regionalização inscrita na Constituição desde 1976, tudo levará a crer, vai ficar mesmo assim. Mas, para já, avança a descentralização para, digo-vos, numa data que não augura nada de bom. 1 de abril.

Ou era 1 ou era 25, não é? Escolhe um.

Exato, escolhe um. Já se sabe o que isto vai dar.

É eleicionais. Muito bem. Olha, e Rui Rio estará a sugerir que as autoridades sul-africanas prenderam Rendeiro para beneficiar o PS nas eleições. Só que isso não é levar longe demais as teorias da conspiração.

Estamos a falar aqui de um tuíte. Já falámos disto no jornal. O líder do PSD criticou ontem o grande mediatismo que o diretor nacional da Judiciária teve este fim de semana. E, de facto, não parou, não foi, Paulo?

Não parou. Luiz Neves, sobretudo no sábado, deu a conferência de imprensa logo de manhã, quando soube a notícia, e depois esteve nas televisões, nas várias televisões, todas no sábado. E aconteceu, nalguns casos agravado, até estava em duas televisões ao mesmo tempo, nos noticiários das oito da noite. Mas tudo bem. Desde aí até concluir, como fez Rui Rio, que, e citamos: "Pelos vistos, o azar de João Rendeiro foi haver eleições em janeiro." Bom, enfim, vai um enorme passo.

Rima, mas é um bocadinho esticado.

É esticado. E dos dois lados. Ou queremos que as autoridades judiciais prestem contas aos cidadãos explicando o que fazem e os resultados que vão obtendo, ou então permitimos que, e aceitamos que seja tudo segredo e motivo de especulação. Bom, não se pode é criticar uma coisa e o seu contrário e, como disse Marcelo Rebelo de Sousa, é não ter noção.

Muito bem. Olhe, e será que os partidos ou movimentos não se podem reinventar?

Calculo que sim, mas é sobretudo nos congressos que definem objetivos e estratégias, não é, Júlio?

E é nesses congressos, em diretas, que os seus líderes são eleitos. A Iniciativa Liberal, o Chega, o PS, PCP, o Bloco, têm todos um denominador comum. Os líderes são eleitos com a quase totalidade dos votos, mais coisa, menos coisa. No CDS nem sequer há diretas e no PS houve uma exceção porque Rangel avançou contra Rio, que já tinha metade do partido contra si. Quantas vezes já vimos alguns destes criticarem este tipo de líderes eleitos à moda da Coreia do Norte. Aparecem alguns militantes e queixam-se da falta de democracia interna, como aconteceu com o Chega e até este fim de semana com a Iniciativa Liberal e mesmo com o Bloco de Esquerda. Acontece o mesmo nos outros partidos, mas a verdade é que isto está para durar. É difícil assim os jovens chamar jovens para este tipo de política.

É verdade. Olhe, entretanto, já passou um ano desde que o governo entregou em Bruxelas o plano de reestruturação da TAP. Será que a aprovação do documento vai ser uma prenda no sapatinho?

Vamos ver se é uma prenda das boas ou se é daqueles presentes amargos.

Se é um par de pilgas.

Exato. Mais um.

É verdade. Sim, falta saber o que a Comissão Europeia permite que a TAP seja no futuro, depois destas ajudas do Estado que a empresa tem recebido. Vamos ver se vai ter que encolher mais ainda ou se o corte de operações e de pessoal que já sofreu desde o ano passado é suficiente. Mas andamos nisto há um ano. Na Alemanha, por exemplo, a Lufthansa recebeu ajuda pública, reestruturou-se, recuperou e já devolveu todo o dinheiro que tinha recebido dos contribuintes. Não é por acaso que uns países são mais prósperos e ricos do que outros.

Ainda bem que faz essa pergunta todos os dias nas manhãs 360, agora sempre a seguir ao Jornal das 7 e a qualquer hora em podcast, sempre com o Paulo Ferreira e o Júlio Magalhães, em direto do Porto.

A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

K760.

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