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Acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.

E em início do dia e de semana também falamos de fracasso no espaço, recrutas de fora, mas Paulo, começamos pelo suspense de que se fala.

É verdade, aliás, já falámos há pouco, o Luís já falou há pouco das notícias das 19h. É hoje que ficamos a conhecer a tão pré-anunciada decisão do Presidente da República sobre o pacote para a habitação.

É, Marcelo disse que será mesmo hoje, depois de ter já optado entre o veto e a promulgação, não é?

O presidente diz que já decidiu, mas ainda não sabemos o quê. O que é certo é que Marcelo Rebelo de Sousa já se pronunciou sobre isso há uns dias e várias vezes, insinuando que poderia vetar politicamente o diploma. Isto depois de ter considerado que não havia qualquer motivo para o envio do documento para o Tribunal Constitucional. Desde essa insinuação que o assunto tem estado na agenda, mesmo antes de se conhecer a decisão do presidente. Marcelo sabe muito bem marcar a agenda política e se Deus não dorme, ele também dorme pouco e não descansa quase nada nas férias, como se vê. Resta-nos então aguardar pela decisão. Absolutamente. Em férias, mas todos os dias fazer declarações e deixar estes rastos na atualidade. Resta-nos então sobre este assunto aguardar a decisão presidencial.

Sim, vamos esperar. Daqui a algumas horas vamos saber exatamente qual foi a decisão do presidente.

É verdade. E depois disso, como se resolve então o problema de termos mais chefes do que índios nas Forças Armadas?

Não é fácil, é preciso tornar a carreira mais atrativa ou então recrutar no estrangeiro.

Tornar a carreira mais atrativa seria o ideal, mas custa dinheiro e obrigaria certamente a mexer também noutras carreiras para se manter algum equilíbrio relativo. Mas há, de facto, quem aponte o exemplo de países como Espanha, Reino Unido ou França, que recrutam estrangeiros para as suas Forças Armadas. É isso que nos diz o Expresso, que recorda que o presidente da República já falou dessa possibilidade em público, depois de um grupo de generais ter lançado a ideia. Sem querer ser pessimista logo à partida, esse não será um caminho fácil. Basta ver o que se está a passar com as tentativas de recrutar médicos no estrangeiro para perceber que os nós e as curvas apertadas dos caminhos burocráticos e das corporações inviabilizam qualquer mudança que se queira fazer no país.

E Paulo, há um fracasso russo no espaço.

É verdade. Como é que 47 anos de desenvolvimento tecnológico não tornam a exploração espacial mais eficaz?

É uma boa questão, pelo menos esta última tentativa russa falhou.

Falhou a nave lunar russa Luna 25, foi a primeira enviada por um escovo à Lua em 47 anos e falhou a missão. Girou para fora de controle e despenhou-se depois na Lua. A nave tinha prevista uma aterragem suave no Polo Sul da Lua, hoje mesmo, estava marcada para hoje. No sábado, a Agência Espacial Russa já tinha revelado que perdera o contacto com a Luna 25, na sequência de uma anomalia. Claro que estes desaires acontecem, com a Rússia, Estados Unidos, com a China, enfim, com todos os que têm programas espaciais, mas já passaram cerca de 55 anos desde o momento em que o homem pisou a Lua. Os fracassos atuais na corrida lunar só servem então para engrandecer ainda mais as conquistas dos anos 60. Com uma tecnologia que agora poderíamos considerar arcaica, com equipamentos rudimentares comparados com os que temos hoje, vários países arriscaram e foram bem-sucedidos, foram verdadeiros heróis.

Paulo Ferreira e as perguntas que marcam a atualidade na Rádio Observador e sempre em podcast.

A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.