Marco Silva, versão jogador, não era propriamente aquele lateral que marcasse muitos golos ou que fizesse muitas assistências. Marco Silva, versão treinador, chegou a outros patamares. Passou pela melhor liga do mundo como é a Premier, assumiu agora o segundo grande no Benfica depois de uma temporada passada no Sporting há mais de uma década, tem um currículo com mais feitos. Esta noite, após a derrota das águias no Dragão, a versão treinador deu lugar à versão jogador nas palavras. Fez uma primeira assistência para Rui Costa na flash interview, quando passou ao lado da arbitragem mas disse que o clube devia falar se assim entendesse, voltou a fazer outra assistência para Rui Costa na conferência de imprensa quando ainda atirou umas “farpas” ao discurso de Francesco Farioli mas atirando de novo uma reação para o clube.

Quando todos tinham falado, essa reação chegou – desta vez de viva voz e não através de comunicados, com o presidente do conjunto da Luz a falar na zona mista sobre a arbitragem de Miguel Nogueira no clássico.

“O Benfica entrou muito bem neste jogo. Entrou a mandar no jogo como estrategicamente o Marco Silva tinha pedido aos jogadores. Fizemos uma primeira meia hora muito boa, apesar de, no único deslize que tivemos, acabarmos por sofrer um golo. Ainda assim, mantivemo-nos no jogo até podermos estar no jogo. Claro que jogar aqui com dez elementos não é a mesma coisa que jogar 11 para 11, e acredito – é a minha convicção – que 11 para 11 o resultado tinha sido diferente ou o jogo tinha sido diferente por aquilo que nós estávamos a fazer”, começou por dizer Rui Costa aos jornalistas antes de deixar o Dragão.

“Não vou estar a discutir a expulsão do Lenglet, apesar de, se vocês analisarem, o André Silva queixa-se da cara quando é uma pequena, uma ligeira pancada na nuca, nem sequer é na cara. Mas não vou estar a discutir o lance, porque sobretudo aqui, depois de um amarelo, não pode arriscar uma ação daquelas”, admitiu também o líder do Benfica, antes de comparar esse lance com outros que foram acontecendo.

“Em relação à dualidade de critérios, sobretudo no fator disciplinar, acho que há uma dualidade tremenda. Há uma dualidade tremenda e o Benfica foi extremamente punido nisso porque a quantidade de faltas que o FC Porto faz, para além da falta normal e que não é punida com amarelo, vai dando força a uma equipa e vai tirando a outra. E, portanto, isto foi aquilo que toda a gente pôde ver. Aliás, a sua pergunta, o facto de fazer a primeira pergunta logo por aí [pela arbitragem], não é só para criar aqui um conflito, mas sim porque vocês também o viram, também analisaram”, prosseguiu Rui Costa na mesma intervenção na zona mista.

“Há uma série de entradas, há uma série de faltas de jogadores do FC Porto que têm de ser punidas, mesmo antes da expulsão do Lenglet. Vejo o Prestianni levar um amarelo por mostrar a cara cheia de sangue ao árbitro, de uma pancada que levou quase sem bola e que nem sequer sancionada foi. E, portanto, é neste sentido que, não eliminando os erros que cometemos – porque depois acabámos por cometer erros –, a dualidade de critérios, sobretudo no critério disciplinar, foi por demais exagerada”, voltou a reforçar.

“Não tenho a menor dúvida de que o trabalho que o Marco Silva e que os jogadores estão a fazer vai dar frutos. É evidente que não queríamos estar nesta situação de, à sétima jornada, estarmos com cinco pontos de atraso mas, da mesma maneira que entrámos no Dragão sem sermos campeões nacionais, e se tivéssemos ganho no Dragão não éramos campeões nacionais, não vamos sair daqui derrotados ou a pensar que o Campeonato está terminado. Muito longe disso. Aquilo que fizemos enquanto tivemos possibilidades mostra a qualidade que temos, mostra que podemos jogar em qualquer campo para ganhar, e era isso que estávamos a fazer. A classificação não está adulterada porque perdemos cinco pontos. Dois pontos contra o Ac. Viseu, como vocês bem se lembram, da maneira como foi, e estes pontos aqui. Isso não vai eliminar nem vai impedir que esta equipa lute por todos os objetivos. Não perdemos o título hoje aqui. Temos muito caminho pela frente e aquilo que nós estamos a fazer merece a credibilidade dos adeptos”, concluiu.