Marcou o segundo golo do FC Porto, o golo que anulou a reação do Benfica e que recuperou a vantagem dos dragões, mas nem precisava de o ter feito para ser claramente o melhor jogador do clássico. Depois de até ter estado em dúvida após falhar os últimos jogos na sequência da lesão sofrida contra o Manchester City, Victor Froholdt voltou às opções de Francesco Farioli para encher o campo e demonstrar que é o autêntico barómetro da equipa.

O médio dinamarquês beneficiou muito da expulsão de Lenglet, já que Marco Silva sacrificou Sudakov para lançar Alessandro Circati e fragilizou o meio-campo, deixando Pablo Rosario completamente solto de marcação e Froholdt com muita liberdade para romper linhas de pressão, até porque João Palhinha teve de se desdobrar noutras tarefas. Depois do clássico, numa temporada em que está a afirmar-se depois da explosão inesperada da época passada, o jogador de 20 anos estava naturalmente satisfeito.

“Não houve coisas estranhas esta noite. Correu tudo bem”: Farioli analisa a arbitragem e garante que “caminhada ainda vai ser longa”

“Foi uma noite especial. Jogar neste tipo de jogos contra os nossos rivais e fazer parte desta atmosfera fantástica. Estou orgulhoso do que a equipa conseguiu fazer, sobretudo na segunda parte. Ficámos com os três pontos e temos sete vitórias na Liga. Podemos estar orgulhosos do que fizemos até agora”, começou por dizer, abordando diretamente o duelo particular que foi tendo com João Palhinha ao longo do jogo.

“Sabíamos que nos iam tentar forçar o um para um no meio-campo e tínhamos de nos soltar. Em diversas partes do jogo estivemos conectados e construímos lances de perigo. Quero deixar uma mensagem especial aos adeptos”, acrescentou, terminando com a garantia de que está “bem” depois da concussão sofrida na Liga dos Campeões contra o Manchester City. “Sinto-me bem, tive alguns problemas na cabeça, mas sinto-me em boas condições. Estou pronto para jogar pela seleção e dar continuidade ao trabalho quando voltar ao FC Porto”, atirou Victor Froholdt, que foi convocado pela Dinamarca e deve defrontar Portugal na Liga das Nações na próxima semana.

Já André Silva, que manteve a titularidade apesar da concorrência de Santiago Giménez e do regresso de Samu às opções, fez talvez a melhor exibição desde que voltou ao FC Porto. O avançado assinou duas assistências, para o golo de Victor Froholdt e para o de Hwang In-beom, e foi importantíssimo na maneira como segurou a bola, arrastou adversários e ocupou espaço entre os dois centrais do Benfica. Tudo dias depois de ter ficado de fora da primeira convocatória de Jorge Jesus, que preferiu chamar Fábio Silva como alternativa a Gonçalo Ramos e Cristiano Ronaldo.

“Sabíamos que o jogo não ia ser fácil e tornou-se complicado, mas jogámos em casa e temos de aproveitar este ambiente, o nosso espírito portista, e foi um bom jogo da nossa parte”, começou por dizer, comentando depois o facto de ter realizado uma grande exibição mesmo sem marcar qualquer golo. “É o que é pedido para a equipa funcionar, é o que posso fazer, depois os golos vão chegar, mas o importante é fazer o que o treinador e o clube pedem. Este trabalho associativo faz parte, sempre fez isto. Depois, se os golos não chegarem, o mais importante são as vitórias”, acrescentou.

“Sabemos que este jogo pode ser emocionante para todos, mas encarámos como um jogo normal, sempre focados no nosso trabalho, tentámos limar os detalhes que são precisos durante a semana”, explicou, respondendo depois sobre o facto de o FC Porto ter agora cinco pontos de vantagem para o Benfica e seis para o Sporting. “Encaramos com a mesma vontade e exigência, estamos focados no nosso trabalho e queremos encarar os jogos com o máximo nível. As outras equipas, se perdem pontos ou não… Não depende de nós”, concluiu.