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Não é fácil, eu sei. Mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume? Amiga!
Eu tinha muitas saudades de te sentar aqui.
Tinhas. Nós tínhamos uma fase, tínhamos uma rotina, todas as segundas-feiras.
Mas é bom, que é para ter mais temas.
Mais que falar, agora podes ter mais updates da tua vida para dar.
Tenho.
Não, mas a verdade é que eu tenho gravado imensos episódios com convidados, principalmente, tem acontecido isso. E não tem dado para fazer aquela rotinazinha como faríamos.
Sim, estar a falar sobre temas normais da nossa vida aqui mais chill.
Sim, bué chill, sem um tema grande. Pronto, e este episódio também vai ser um daqueles em que não vai ter um tema, vamos só falar da vida. Ai, eu estava mesmo a precisar, por acaso.
Não se esqueceram? É o momento overshare e terapia habitual.
Estava mesmo a precisar por acaso hoje, vai-me saber bem.
Vamos lá a isso. Queres começar com o nosso-
Rosa, espinha e semente. Posso começar eu. Então, a Rosa não podia não trazer o casamento da Glória.
E eu também estive lá!
Ya, a Inês também esteve lá, esteve a trabalhar. Mas eu fui ao casamento como madrinha, então vivi também muito a experiência do dia. Ou seja, só tive uma amiga minha próxima a casar, que foi uma Ana de Espanha. Então só assim de amigas próximas, só tinha tido esse casamento. Mas a Glória, uma amiga que é até mais recente, mas foi surreal viver aquilo mesmo de dentro, porque eu nunca tinha feito parte de um casamento assim. E senti mesmo, foi um dia tão leve, tão feliz, estava toda a gente tão feliz. Eu diverti-me tanto, estava também tão feliz. Estava mesmo um ambiente, não sei se tu sentiste isto do outro lado a trabalhar.
Senti. E uma das minhas novas amigas é a única que já casou e hoje digo a mesma coisa: o dia mais feliz da minha vida até hoje foi o casamento dela.
A sério?
É que foi um dia tão feliz.
Está toda a gente a viver o amor, a celebrar o amor.
Eu não pensei em mais nada naquele dia e acredito que tenhas sentido isso.
É que não é sobre nós, mas ao mesmo tempo estás dentro da bolha de amor. Imagina, eu considero-me, então só para dizer isso, sou uma pessoa insensível, não sei o quê, sou bué racional, eu não choro. Pá, chorei imenso, chorei rios no casamento da Glória.
Eu estava a gravar conteúdos mobile, era por isso que eu estava lá no casamento, e eu estava tipo: "Que emoção!"
Nem conheço a irmã do noivo e ela a fazer o discurso, eu estava tipo: "Como assim, Mariana?"
Parece que tu te imaginas de alguma forma naquela posição ou não te imaginas e isso também te pode emocionar.
Por acaso eu apanhei a Inês depois a meio do casamento e ela estava a dizer: "Fiquei um bocadinho também triste, do gênero, ainda não ter isso." Tu disseste "Ainda não ter isso" e com medo de não vir a ter. E eu senti totalmente o oposto. Eu senti uma esperança de que eu tenho a certeza que eu vou viver uma coisa destas e estava feliz, genuinamente feliz por eles e com esperança de que aquilo existe, que bom que existe.
Exato.
Que bom!
É tão giro isso.
Adorei e senti aquela conversa que eu tive aqui com o Peter de almas gêmeas e não acreditar em almas gêmeas, não sei o quê. Eu estava a viver aquele dia a pensar: "Eles foram feitos um para o outro."
Eu também senti imenso isso.
Eles são os dois tão leves e os dois tão divertidos e eu não conhecia esse lado do Alex, então surpreendeu-me imenso.
Sabes uma coisa que eu acho mesmo? Eu acho que existem várias almas gêmeas em várias fases da nossa vida e acho que independentemente de tudo o que aconteça no mundo, é tão incrível e tão difícil vivenciares uma coisa assim. Então, que bom, bora celebrar imenso isso. Enquanto isto é mesmo bom e enquanto esta é a tua pessoa, e eu acho que há várias pessoas que passam na vida.
Deve ser uma sensação inacreditável e eu sinto que nunca vivi isso na minha vida, mas isso não me deixa frustrada, não me deixa triste.
A mim também não.
Só me deixou tipo: que bom, também quero, mas numa ótica de é possível.
Sim.
Deixou com esperança de que existe, it's out there. E eu também tenho muito estas conversas com a Glória, porque ela também entrou na minha vida numa fase em que estávamos as duas também um bocado na merda em termos de relações e homens e não sei o quê. Fomos as duas para Bali perdidas também por causa disso. E ela entrou na minha vida numa fase também assim um bocado confusa. E ela também me passa muito essa energia de tipo: é possível, eu também já vivi muita coisa. Ela viveu muitas relações más que também partilhei, complicadas. E de repente encontrou ali uma pessoa que é totalmente o fit para ela e que a faz feliz.
É giro, porque às vezes nós ouvimos histórias de amor ou lemos livros ou filmes ou até histórias verídicas, mas é totalmente diferente. É como tudo na vida, é um exemplo que está ao teu lado, uma pessoa que é igual a ti e que tu sabes como isto aconteceu. É quase como tu fizeste uma meia maratona, tu és minha amiga, és uma pessoa normal, eu olho para ti e penso: se eu quiser, eu também posso fazer, porque ela é igual a mim.
Sim, é muito isso. Eu fiquei muito emocionada com a forma como eles estavam a contar sobre o amor deles. Como tudo aconteceu, a parte dos discursos da Cláudia e da irmã do noivo foi lindo de morrer. Não sei se fiquei com menos vontade de casar, de ter um casamento.
Por causa da logística, porque também estiveste do outro lado.
Porque estive do outro lado de tudo o que envolve, que eu já tinha noção, mas não tinha tanta noção assim. E eles conseguiram aproveitar e acho que se divertiram muito no dia. Mas, por outro lado, não sei se faz assim tanto sentido para mim.
Eu desde que trabalho em casamentos, isso é um dos serviços que eu tenho na Pocket Lab, e desde que eu trabalho em casamentos, que eu tenho a certeza que eu não quero ter um casamento tradicional. Percebes?
Percebo totalmente.
Acho que quando tu vês este dia a celebrar imenso e um dia tão feliz, eu quero isso, eu quero celebrar.
Mas se calhar uma coisa mais pequena noutro formato e não com aqueles moldes obrigatórios.
Gênero, cortar o bolo é uma coisa que eu não quero. Estás a perceber? Há certos momentos do protocolo.
Há imenso protocolo. Para mim faz-me tipo, alguns até me fazem um "ick".
A gente sabe.
E por acaso eu estava ontem a ouvir o episódio do Pedro Teixeira da Mota, em que ele falou quase o episódio inteiro de um casamento de uma influencer que publicou muito conteúdo à volta do casamento. Sabes quem eu estou a falar?
Não ouvi o episódio, mas imagino.
Pronto, e é isso. É essa energia que eu sinto de há tanta coisa formatada que se calhar tu nem te identificas com tudo, mas estás a fazer porque faz parte do dia do casamento e as pessoas estão à espera que isso aconteça.
E às vezes os teus pais, existe uma pressão da família, existe uma pressão daquilo que sempre foi feito.
Parece um bocado teatro.
Sim, é.
Eu senti que eu estava dentro de uma peça de teatro, às vezes.
Por exemplo, eu quando estou do outro lado a trabalhar nos casamentos, muitas vezes as wedding planners chamam os noivos à parte para lhes explicar como é que eles têm que entrar aqui e ali e aquilo que têm que fazer.
E é tudo coordenado. E agora as madrinhas entram uma a uma e devagarinho e a desfilar. É um teatro, tudo está programado. Teve muito este lado do amor e das mensagens e discursos que eu adorei, mas se calhar noutro formato também pode entrar nesse registo e não ter de haver todo esse teatro à volta.
O que eu acho giro dos casamentos é que tu consegues adaptar e hoje em dia já não há tanto essa obrigação, tu consegues adaptar aquilo que tu queres. Eu vi um casamento de dois jornalistas, da Nelma, que é jornalista da SIC e do marido, e eles fizeram um casamento que nem sequer lhe chamaram casamento. Ela não foi vestida de noiva, foi vestida de branco, mas não foi vestida de noiva. Eu adorei aquilo. Não estive lá, não sei os detalhes, mas daquilo que eles partilharam, parecia mesmo uma festa para curtir.
É isso, eu não me imagino a ter os dois vestidos, a ter depois a aparição no segundo vestido, não acho que seja eu.
É, eu percebo. Eu acho que é fixe poderes adaptar a quem tu és.
Acho que é giro uma celebração, celebrar o amor, juntar as pessoas. Eu adoro isso. Eu celebro o meu aniversário sempre que posso e convido o máximo de pessoas possível. Adoro celebrações, mas acho que tem de ser noutro registo. Acho que aquilo não é eu.
Mas é bom saberes isso. Mais vale do que gastares não sei quantos milhares de euros numa coisa que não gostas.
Mas pronto, esta é a minha rosa, porque foi um dia mesmo muito feliz.
Olha, a minha rosa, também adorei esse dia, mas não chegou a ponto de ser a minha rosa, porque eu estava a trabalhar, mas fiquei com fomo. Estava a trabalhar e com fomo. Eu queria estar a curtir.
Sim, houve um momento em que nós estávamos na roda de samba a dançar o cavalinho e a Inês grava o cavalinho, manda pro nosso grupo com a Mariana e com a Sara e diz: "Também queria estar no cavalinho com a amiga, mas estou aqui a trabalhar."
Fiquei com fomo, sim, que eu adoro curtir casamentos, mas a minha rosa é que eu voltei a jogar. Eu sempre joguei andebol a vida toda e convidaram-me para ir jogar andebol de praia, que aposto que quase ninguém que está a ouvir isto sabe o que é. Já há pouca gente a saber bem o que é andebol, mas andebol de praia, é na praia, mas é uma modalidade completamente diferente. E eu nunca tinha jogado andebol de praia. Ok, sempre fui muito boa na outra modalidade, mas é todo um processo de voltar a jogar, aprender uma nova modalidade, mas está sendo incrível voltar a essa rotina, estou mesmo entusiasmada. Agora sinto que sou tu. Lembras quando eu criticava, tu não és atleta profissional, por que isso é tão importante? Eu estou obcecada com isso. Falo disso todos os dias.
Adoro! Graças a Deus.
Falo disso todos os dias. Mandei mensagem à Mariana a dizer: "Eu precisava de uns eletrólitos."
Ya, que doidexi!
Porque eu estou superfocada e é muito entusiasmada. Então tem sido a minha rosa, sem dúvida.
E é uma coisa que tu sempre aqui nos episódios falavas muito de querer ter uma rotina desportiva, de voltar a fazer desporto e se calhar não estavas a encontrar a cena pra ti.
É isso, eu nunca encontrei depois de deixar de jogar, nunca tinha encontrado esta forma. Eu no andebol é: "Claro que eu vou ao treino. Eu não vou faltar ao treino. Tenho treino todos os dias, pronto, ok."
Sabes que eu vi há uns tempos um reels em que eles estavam a dizer que o mindset do atleta, mesmo para pessoas que são atletas amadores ou que brincam ao desporto agora em adulto, o mindset do atleta olha para o treino e para a alimentação de forma completamente diferente, como só quem quer ser mais saudável. Porque quem quer ser mais saudável, olha para a comida como dieta e para o exercício como exercício físico pra te mexeres. Quem tem o mindset atleta olha para o exercício como treino, chama a isso treino, e a comida é fuel, é o teu combustível para tu conseguires treinar bem.
Eu desde que voltei a jogar e a treinar, eu já emagreci imenso. Eu não voltei a jogar por causa disso, mas a minha alimentação muda completamente, porque eu sei a repercussão que isso tem no jogo. Nem sequer pondero. Tu perguntas-me: "Queres ir jantar?" "Não posso, tenho treino." Não há possibilidade de encaixar, eu não vou faltar ao treino, só se for mesmo uma obrigação.
Isso, mesmo sendo amador, é mindset atleta.
Sim.
E eu acho que foi um bocadinho deste mindset que voltou a vir da altura da ginástica que me ajudou a curar a minha relação com a comida. E faz muito sentido.
Sim, olha, ontem eu também tive muitos momentos e pra mim a comida é uma relação meio difícil. Desde que eu voltei a entrar, e foi quando eu deixei de jogar, que isto veio ao de cima. Eu nunca tinha reparado antes. E agora voltei a jogar, a minha rotina de toda a vida. E, por exemplo, ontem estava com aquele coiso de "apetece-me muito McDonald's". Estava doente e estava tipo: "Ei, apetecia-me mesmo". E eu: "Ei, não. Começa a etapa, os jogos é de quinta a domingo, começo os jogos, não vou ficar maldisposta por causa disso, nem pensar". Fiz a minha comidinha saudável, passa.
Porque o propósito deixa de ser emagrecer e passa a ser a tua performance.
E não vejo a comida como uma luta pra mim, eu preciso dela. É totalmente diferente.
Sim, mas também faz parte teres os momentos em que vais um bocado mais abaixo e que a comida é conforto e não deixa de ser de todo.
Claro que não.
E eu mesmo muitas vezes falo da minha relação com a comida como estando mais curada ou mais silenciada ou mais equilibrada, que está 100%, mas também tenho momentos em que me apetece comer porcaria.
Isso acontece a toda gente.
É isso, é ser uma pessoa normal. Mas acho que esse mindset atleta pra mim fez muito sentido quando eu li. Acho que é muito essa cena de encontrares. E esta vontade e esta mudança de mindset vem muito de quem fez desporto quando era mais novo, eu acho.
E eu acho que é importante, e agora estou a perceber, de facto, que Não faz sentido para mim eu forçar-me a um tipo de desporto ou a uma relação com o desporto que não é o que me faz feliz. Por exemplo, o ginásio e musculação. Eu sempre fiz durante toda a minha vida, eu era atleta de alta competição, nós tínhamos que fazer musculação e ginásio, mas isso nunca foi o meu foco, ou seja, é algo complementar. Eu estar a insistir nisso como a única coisa que eu faço como desporto, não faz sentido.
Existem tantas outras formas de desporto.
Eu sempre pratiquei desporto em equipa. Por que eu andei estes anos a insistir em ir sozinha para o ginásio?
É uma coisa que eu penso: será que eu ainda não encontrei o meu desporto certo?
Por quê?
Não sei. Imagina, eu faço imensa coisa e gosto de muita coisa. Amo corrida, mas será que é isso?
Mas eu acho que não tem que ser só. Por exemplo, eu adoro vôlei de praia e vôlei normal, e eu no verão jogo imenso no sítio em que eu vou de férias, todos os dias eu jogo e treino imenso.
Mas sabes aquela cena que quando tu pões o foco em 1001 cenas, tu não queres 100% bom em nada?
Mas tu queres ser 100% boa em alguma delas?
Não sei se é o que eu quero. Porque imagina, eu adoro corrida e agora estou com treinador e estou a gostar muito de ter essa estrutura e está a correr bem, porque é aquela cena de eu tenho os três treinos para fazer. Se calha de faltar o último ao domingo e eu não conseguir completar, eu faço por conseguir, porque tenho os três treinos e levo isso a sério como treino e tenho que cumprir. E a corrida é sem dúvida o foco. Faço reforço muscular porque tenho que fazer por consigidade e porque vou continuar sempre a fazer por saúde. Não gosto de ir ao ginásio, não adoro ir, tenho de ir e forço-me a ir. Jogo paddle e estou a adorar. Estou a sentir que também estou a evoluir imenso. Estou agora a ter aulas individuais para técnica e sinto que já estou a conseguir acertar algumas bolas, que é bastante positivo. E é isso, eu gosto de muita coisa, tenho feito muita coisa também. Olha, as aulas, quando vou, cada vez que vou àquelas aulas de cycling que eu faço no RIAD, eu também sou boa nisso, sinto que sou boa.
Tu pensas: "Se eu investisse mais tempo só numa coisa..."
Eles já me falaram na altura sobre eu ser coach lá em um estúdio. E eu cada vez que vou e sou boa naquilo, eu penso: "Se calhar eu podia ser coach disso". Mas depois vou correr e também me sinto forte nas séries. Também estou bem. Paddle também estou a melhorar um bocadinho. O que eu tenho mais? Tenho mais alguma coisa?
Eu percebo perfeitamente.
Agora também comecei a andar de bicicleta, isso vai ser só just for fun, mas imagina que até gosto da bicicleta. E é aquela cena que fica na minha cabeça, será que eu devia só focar numa? Mas lá está, também é um percurso um bocado amador e só em adulto. Eu não quero ser atleta profissional.
É isso. E sabes uma coisa que eu acho também? É que quando começas a entrar a full numa coisa, também vem a frustração, vem a tua expectativa que pode não ser comprovada.
E aquilo passa a ser a tua vida.
Eu, por exemplo, com o andebol, é totalmente diferente para mim o andebol do que se eu agora começasse a jogar paddle. É um desporto que eu joguei de alta competição, seleções, essas coisas.
Sim, mas a ginástica não é uma opção para mim.
Ok, mas por exemplo, eu agora fui jogar andebol de praia. Apesar de eu nunca ter jogado andebol de praia, eu não te vou mentir que eu estou frustrada.
Claro!
Porque eu não estou a render o que eu rendia. O facto de não me terem tanto em consideração, de não ser das melhores jogadoras da equipa, eu fico lixada.
Claro!
"Vai, Brenda, dá-me umas smelles, estás a perceber?"
Eu não sinto isso com nenhum dos exercícios que eu faço, porque lá está, eu não sou boa em nada e comecei do zero em tudo.
Exatamente. Mas se tu colocares também, se calhar, toda a tua energia e esse foco e essa seriedade, será que também não pode acontecer esse lado?
Será que eu tenho de encontrar, e eu penso nisto, será que eu tenho de encontrar essa força, essa vontade, em ser a melhor podcaster de Portugal? Ou seja, alocar essa, porque eu gosto dessa adrenalina de tentar ser a melhor em qualquer coisa.
Eu percebo perfeitamente. Eu vivi toda a minha vida a ser boa a fazer tudo e não ser a melhor a fazer nada.
E eu sinto que eu faço tanta coisa, que depois sou só boa.
Eu percebo perfeitamente, porque eu sempre senti isso, mas no final do dia, é muito melhor ser boa a fazer muita coisa e não ser melhor em nada do que ser a melhor a fazer uma coisa e não saber fazer nada do resto.
Não sei. Sabes que eu estava a ver agora o documentário do Nadal e arrepia-me e dá-me uma vontade de tipo: "Ei, eu também quero ser a melhor do mundo em alguma coisa."
Eu percebo, mas o Nadal também certamente não se sentiu sempre o melhor. Percebes?
Sim, ele hoponou bastante e sofreu bastante.
E tu podes ser considerada por muita gente a melhor pessoa a fazer isto.
Sim, e por que eu quero ser a melhor? Porque eu na altura, na escola, também tinha de sempre ser a melhor. Eu acho que isto também foi uma cena que sempre esteve em mim. Tens de ser a melhor, tens de ter 20 a tudo, tens de ser excelente em tudo aquilo que te propões.
Eu acho que tens que viver muito e fui educada assim. Tu tens que te esforçar para ser o melhor que tu consegues a fazer aquela coisa. E eu sempre fui muito educada assim. Mas nunca fui obstinada, tipo: "Calma, eu também gosto de fazer outras coisas."
Não me meti agora ainda em mais nenhum negócio, porque se eu entrar em alguma coisa, eu quero que aquilo seja o melhor possível. E eu acho que é isso, é pôr estas expectativas.
Mas isso é bom, eu acho que é saudável.
Mas pronto, em termos de desporto, para já, estou bem.
Olha para onde a nossa conversa foi.
Jesus, já estávamos em...
Já estávamos aqui a treinar para um sei lá.
Não, mas é isso. Acho que ter mindset atleta ajuda também a viver a minha vida de outra forma, a estar mais equilibrada e quero continuar a olhar para o desporto dessa forma, independentemente.
Eu acho que é a melhor forma de olhar para o desporto.
Ya. A nível de sementes, portanto, já fizemos as duas rosas. Espinho. Portanto, eu apontei aqui que para mim tem sido a falta de rotina e o calor que não me deixa dormir. E isto é um ponto para mim bem importante, porque eu sou uma pessoa que adoro treinar de manhã, fica o treino feito, está tudo tranquilo Eu não tenho conseguido dormir, tenho tido imensas insónias e com isso resulta eu ter falhado e falho muitos treinos de manhã. Apesar de eu conseguir fazer o treino a qualquer hora, deixa-me frustrada comigo, porque eu me comprometi a ir de manhã para ser mais produtiva, para ter o dia todo pela frente e depois não conseguir. E com o calor, por exemplo, com as corridas, eu tenho de ir de manhã, senão não há hipótese.
Sim, a corrida é ao frio. Ou vais mesmo de noite.
Ou vais de noite, ou vais às 21:00. E estou um bocado irritada comigo, mas também eu tenho dormido mal porque está calor. Mas, por outro lado, as insónias também me têm feito ter várias ideias de projetinhos, coisas a acontecer e tem me deixado com várias ideias e acho que isso também tem sido a parte positiva das insónias.
Aquilo de as melhores ideias acontecem à noite.
Sim, no outro dia mandei áudios à Inês às 07:00, porque eu tive uma noite em que eu não dormi, em ideias, e ela só me respondeu assim: "Feliz que esta Mariana está de volta."
Exato, já tinha saudades.
Mal ela sabe que é porque eu não dormi a noite toda e fiquei a pensar em ideias.
Mas não sentes no sono, eu tenho sentido, por causa da recuperação. Também não tenho dormido super bem, não sei se é também por causa do calor, nem tinha pensado nisso, mas a recuperação é muito mais lenta se tu não dormires bem. Se calhar tu sentes que não estás a ter muita carga.
É tudo uma bola de neve e o que acontece é, eu já me conheço e também tenho a Whoop, também me ajuda nisso. Se eu treino ao final do dia, que faço muitas vezes aulas de cycling ao final do dia, eu já sei que eu vou ficar acordada até à 01:00, 02:00 da manhã, porque é muito estímulos, é muita música, é muita coisa. Se eu faço aula das 18:30, acaba às 19:30, 20:00, esquece, eu não vou dormir.
Eu treino ao final do dia, durmo como um anjinho.
Eu não, para mim é o oposto, porque desperta-me imenso, fico muito ativa e não consigo adormecer. Portanto, isso eu já me conheço. Eu também apontei a falta de rotina, porque eu fui para aí cinco ou seis semanas seguidas a Lisboa, todas as semanas. Há a falta de rotina, tenho ido muito a festivais, a concertos, a coisas dinâmicas, que é ótimo, living life, estamos nessa, já percebemos. Mas álcool, saídas até tarde, deitar-me uma, duas da manhã, tudo isso é uma cena que hoje em dia me afeta imenso o sono, porque causa esse sleep stress e não consegues descansar a 100%. E depois no dia a seguir já não consegues fazer os horários que estás habituada a fazer. É uma coisa que me anda a chatear um bocadinho.
O meu espinho tem sido a ver com o verão, mas não é nesse sentido. É que chega o verão e apetece-me viver a vida toda.
Ficas com fome?
Sim, eu sou uma pessoa de verão, 300%. Eu trabalho, trabalho, trabalho no inverno, no verão eu adoro aproveitar a vida, é o meu auge, não sei explicar. Adoro sentir que sou adolescente no verão, três meses de férias. E chega o verão e para mim é muito complicado começar projetos. Eu vou mantendo aquilo que é.
Mas é bom isso também. Tens de ter fases, não tens de estar em sprint sempre.
Sim, eu sinto muito que o verão é isso e tenho que me forçar a gerir, porque também sou adulta, trabalho por conta própria, não posso dizer "tchau", três meses que não trabalho.
Três meses living life.
Mas para mim é complicado. Chega o verão e o meu cérebro começa a ficar noutras coisas. E quero perceber, se calhar, como é que eu até posso usar isso a meu favor no trabalho. Até posso gerir de outra forma. Mas tem sido o meu espinho, conseguir gerir esta altura do ano.
Por acaso, eu até pus como semente o estar a avançar em projetos, em coisas. Ou seja, o querer continuar a fazer isso, porque sinto que estou a fazer isso. Porque eu sinto que estou numa fase em que também não tenho assim tanta carga de trabalho, o que me tem permitido ter espaço para pensar em outros projetos. E estou com vontade, e é uma coisa que eu também, aqui em podcast, vou falando várias vezes em estar um bocadinho apática e não me estar a apetecer tanto e estar só a viver a minha vida e deixar tudo em ritmo cruzeiro. E sinto que estou a sair desse ritmo cruzeiro e estou com vontade. E também uma coisa que me puxa imenso é setembro. Para mim, 100%, muito mais do que janeiro, setembro é um recomeço. Então eu já estou a planear o que eu quero mudar no podcast, o que eu quero fazer aqui, estruturar. E deixa-me bem entusiasmada de organizar próximos projetos, a partir de setembro, o que é que eu vou focar na minha vida. E já começo a fazer essa preparação agora, porque eu agosto tiro 100% de férias, nem tenho entregas, nem nada, nem podcast, o podcast faz pausa. Então é este mês que eu uso um bocado para estruturar next steps e estou com essa vontade e acho que tenho esse sol a aproveitar e as insónias, ideias.
Mas isso é bom. Enquanto tu vais estar a aproveitar o teu verão, vais estar os bichinhos aqui a preparar para esse tempo.
E é isso, ou seja, como eu também tenho tempo, como estavas a dizer, é uma altura em que eu acho que temos mais tempo, eu uso isso para preparar o recomeço, o regresso em força, porque sei que depois a partir de setembro é muito mais trabalho e se calhar quando estás com a bola a rolar, já não consegues estar a meter-te em novos projetos. Esta semana avancei em três big things que já andavam paradas há muito tempo.
Isso é ótimo. Vês, a minha semente é essa, é parar de achar que já estou de férias, ainda não estou. Em agosto eu estou. Vou fazer isso. Julho é um bom mês para isso.
Eu acho que o julho é um ótimo mês. E outra coisa, não sei se reparaste, mas estamos a meio do ano, precisamente. Agora é a transição. O que é que já concretizaste estes seis meses que tinhas planeado fazer? A partir daqui, dos próximos seis meses do ano, quais são os objetivos, o que queres alcançar até ao final do ano? Eu olho para esta fase como uma transição do ano. E por isso é que eu uso julho, porque agosto é pausa, uso julho para fazer um bocadinho essa reflexão e para usar este mês como preparação para arranque em setembro.
Tu és a minha amiga analítica, tu inspiras-me nessa parte.
Números e planning e goal setting. Bora!
Isso é bom.
Bora!
Vou sair daqui com vontade.
Pronto, então a tua semente é estruturar o teu mês.
A minha semente tem a ver com uma coisa que eu tenho a mania de fazer isso, de sprints e pausas, eu sou assim com a terapia Estou um bocado. Estou em pausa há algum tempo e estou mesmo a sentir que tenho que ir lá.
Eu estou com a tua psicóloga.
Eu sei. Tu disseste-me. Eu tenho muito esse hábito de estar focada e depois precisar: "Deixa-me em paz um bocado".
No que toca à saúde mental, nós falamos muitas vezes aqui disso e de psicólogos e da importância da terapia. E eu acho que é importante tu teres acompanhamento contínuo, mas também acho que há fases em que se não te fizer sentido, está tudo bem.
É isso. Eu concordo plenamente. E isso já me aconteceu várias vezes, mas estou a sentir agora nesta fase que estou a precisar. E às vezes acontecem situações na nossa vida que das duas uma, ou tu consegues estar consciente e racional, e também com vontade e aberta para puxar logo a terapia para perto de ti e começares logo nesse processo, mas às vezes também precisas um bocado de: "Ok, deixa-me experienciar quem é que eu sou depois de isto ter acontecido, deixa-me ver como é que as coisas estão" e perceberes. Eu sinto que hoje estou muito mais. Ou seja, eu há um ano acabei uma relação, fui fazer terapia logo sobre isso, estava superfocada, tudo ok, ajudou-me muito naquela fase de choque e de aceitar e de perceber o que aconteceu. Depois senti que precisei de: "Ok, já assimilei, acho que estou estável, deixa-me parar um bocadinho e ir vivendo a minha vida sem estar tão focada nestes sentimentos e nesta questão". E agora estou a perceber que outras caixinhas é que foram abertas durante esse processo. Há outros temas que eu estou a sentir que preciso resolver.
Estás aprendendo a processar por ti e a tentar descobrir por ti.
Não, ou seja, usei numa fase inicial as ferramentas e toda essa parte de terapia, ajudou-me imenso. E depois este espaço em que eu não estive a fazer terapia, se calhar se eu tivesse feito sempre, já estava resolvido algumas coisas.
Mas tu fizeste EMDR quando terminaste.
Por acaso, quando terminei logo, não fiz logo EMDR. Foi muito talking sessions para assimilar o que aconteceu. Mas senti que foi bom este período para eu perceber: "Ok, não está tudo resolvido ainda".
Mas nós nunca estamos 100% resolvidos com nada.
Exato, muitas coisas nem têm a ver sobre essa situação. Mas estou a sentir vontade de voltar.
Mas eu acho que é isso, eu também tenho fases em que não estou, fases em que me apetece, fases em que eu sinto que se calhar vou precisar, então vou já prevenir.
Sim.
Para me dar as ferramentas para isto. Agora, neste momento, estou a fazer EMDR, que era uma coisa que fiz há um ano e tal.
E que achaste que ok, já está feito.
Fiz três meses e está feito e depois comecei terapia convencional de falar. E entretanto estou a fazer outra vez EMDR. Mas isto também acho que é muito confiar na pessoa que tens a acompanhar, que ela vai te ajudar a definir essas fases e tu falando abertamente com ela, também dizes: "Olha, estou a sentir que se calhar não preciso", e ela também te dá dicas de que acha que é melhor para ti ou não, se é melhor falar, se é melhor EMDR.
Sim, sem dúvida.
Acho que é um bocadinho também um trabalho em conjunto e isso é encontrares a pessoa certa que te ajude um bocado a orientar esse caminho.
Verdade.
Porque eu também terminei uma relação.
É verdade.
E portanto, também fui para a terapia muito nesse sentido.
Eu fui logo. Eu quando acabei, eu disse assim: "Onde é que está a minha Joana?"
Eu acho que nós somos postas nesse sentido. Eu sou também bué racional. É tipo: "Ok, isto aconteceu, agora vamos resolver. Como é que podes resolver?" Eu fui logo: "Ok, terapia, vamos organizar a minha vidinha."
Eu quando acabei o relacionamento, eu pensei logo: "Isto custa tanto, deixa-me fazer bem, que é para não ficar traumatizada. Deixa-me resolver o mais rápido possível."
Eu não quero que isto crie um trauma em mim, então vamos lá já resolver antes que isto fique. Não sei se concordas, mas eu acho que acabar uma relação com 27, 28 anos é muito diferente de acabares uma relação com 20.
Acho que é totalmente diferente.
É muito diferente.
Acho que é totalmente diferente. De várias formas, eu acho. E acho que nós vivemos experiências muito diferentes.
Sim, tu também, lá está, eu namorei pouco tempo, não mudou assim tanta coisa na minha vida, para ti mudou tudo. Tu mudaste de cidade, mudaste de casa, mudaste tudo na tua vida.
Sim.
Portanto, é um choque grande, porque tens de te descobrir a ti numa nova cidade.
Não, eu acho que há várias coisas, que é quando tu és miúda, é muito mais dramático. É muito dramático. Acho que és mais racional quando és mais crescida.
"Meu Deus, e agora eu não sei viver sem esta pessoa". Perdes o teu oxigênio.
Eu acho que és mais expansiva em relação a isso. Eu acho que quando és mais crescida, tu também sentes isso de formas diferentes, mas és muito mais racional. E eu acho que, principalmente, eu nunca tinha tido um breakup, sei lá, quando tens 15 anos, é miúda.
Mas eu tive um grande aos 20.
Um grande breakup.
Eu não. E eu lembro-me do sufoco que foi, eu lembro-me precisamente de estar deitada na cama a chorar e a pensar: "Eu nunca mais vou ser feliz na vida, porque não tenho esta pessoa."
Lá está, eu como nunca tinha sentido, não que eu não fiquei bem assim, mas eu lembro de ir ao ChatGPT perguntar: "Eu vou sobreviver? É que eu acho que não vou." Mas porque eu nunca tinha experienciado. Eu acho que hoje em dia, depois de ter passado por isso, consigo ser muito mais racional e consigo saber onde tenho que colocar a minha energia. E eu acho que isso ajuda imenso.
Eu acho que tens mais ferramentas e te conheces melhor.
Pensas: "Eu já passei isto uma vez, eu vou conseguir passar mais uma vez."
E acho que é mais fácil de não ganhares um trauma e de não entrares na tua cabeça e não conseguires sair do buraco. É mais fácil quando és mais velha, porque já sabes mais viver a vida por ti.
Sim, eu também acho.
Não precisas tanto da mãozinha.
Olha, eu quero dizer uma coisa. Desde que eu disse isso neste podcast, que passaram uns meses, comecei a pensar tanto sobre isso e quero retirar uma coisa que eu disse uma vez aqui no podcast. Eu disse: "Em 2026, eu acho que me vou apaixonar." Lembras-te no nosso podcast? E eu não acho isso. Eu acho que eu queria tanto que isso acontecesse, porque acho que quando acabas uma relação, tu queres de volta esse amor e esse sentimento. Então eu queria tanto voltar me a apaixonar e sentir-me amada e amar alguém e tudo isso, que isso era o que eu estava a manifestar. E está certo, nós estávamos em um episódio de o que queremos manifestar, o que queremos que aconteça.
Mas era para o ano 2026.
Mas eu acho que não é isso que vai acontecer e acho que não é nisso que eu estou a trabalhar.
Mas ainda tens meio ano.
Não, calma. Até pode acontecer, não é que eu me importe. O que eu acho mesmo é que este ano tem sido um ano, e acho que é mesmo importante depois de acabar uma relação, de tu te apaixonares muito por ti. Acho que isso é mesmo o mais importante depois de acabar uma relação.
Mas é isso que eu estou a dizer. Eu acho que se calhar comparando com a minha breakup em criança, é muito isso. E eu lembro quando eu acabei aquela situationship, que também falo aqui muitas vezes, era um sufoco, é uma coisa que "meu Deus, eu não sei viver, o que eu faço agora?" E quando tu és adulto e já te conheces melhor e já conheces as tuas rotinas, aquilo que tu gostas, quem é que tu és, já tens as tuas pessoas, que também são importantíssimas nesta fase.
Super importantes.
Eu acho que é mais fácil de dar a volta e te voltares a encontrar.
Quando tu tens confiança em ti, quando tu gostas de ti, quando tu és a pessoa que mais gosta de ti, é muito mais fácil.
Tu não tens um sufoco de ter uma pessoa para te dar essa felicidade. Não é?
Sim.
É um bocadinho mais por aí. Também falamos muitas vezes sobre estar bem sozinho antes de te sentires com outra pessoa. É aquilo que falamos de costume, mas que é verdade, efetivamente é verdade e eu consigo comparar duas situações em idades diferentes.
É meio engraçado. Olha o quanto tu te sentes diferente em relação a ti na mesma situação. Ou seja, a outra pessoa deixa ter importância, porque no final de contas, quando uma coisa dessas acontece, a tua relação contigo própria é mais importante.
Sim, e mesmo uma coisa que nós falamos que queríamos abordar aqui sobre viver sozinha. Porque eu sinto que eu sou uma pessoa que eu sei mesmo saber estar sozinha. E eu adoro estar sozinha. E por exemplo, eu comecei a viver sozinha só quando vim para o Porto e mal cheguei ao Porto, pouco tempo depois comecei a namorar. E aí perdi logo um bocado da independência, ou seja, eu não tive assim tanto tempo. Não é perdi, estava a viver outra coisa, mas não tive essa fase, porque eu sempre estive em Lisboa, estive sempre a partilhar casa. E a fase que me custou mais foi quando uma das minhas melhores amigas estava lá a viver e voltou para o Porto. Aí tive uma fase assim um bocadinho sozinha e custou-me horrores. Eu não conseguia estar em casa sozinha, marcava planos todos os dias quando não conseguia mesmo estar sozinha. E depois alugava sempre aquele meu quarto, estava sempre lá gente. Vim para o Porto e foi tipo, pela primeira vez vou viver sozinha, vou experienciar isto. Corta para relação.
Não viveste sozinha.
Não vivi sozinha. E estou agora a ter essa experiência, acho que pela primeira vez mesmo a sério, viver sozinha.
Como é que está a correr?
Otimamente bem, porque eu adoro estar sozinha. Eu acho que isto é uma questão de personalidade. Acho mesmo. Acho que todos temos de aprender a ter o nosso espaço e a saber estar sozinho, mas eu acho que eu tenho mesmo uma personalidade que sou bué social butterfly e gosto bué de estar com pessoas e alimento-me disso, mas também preciso muito do meu espaço e sabe-me bem o silêncio, sabe-me bem chegar a casa e só ver a minha série, comer o que me apetece, ter a minha liberdade e não dizer nada a ninguém.
Eu estou a descobrir uma pessoa diferente em relação a mim.
Tu sentes-te sozinha?
Eu sinto-me boring, sinto-me entediada.
Eu não!
Eu sinto.
Eu acho que tu se calhar tens uma personalidade que não foi feita para isso.
Eu não sabia isto sobre mim. Eu tenho duas irmãs, uma casa de cinco sempre. E eu adorava quando toda a gente saía, eu ficava sozinha em casa, eu adorava. E eu sempre fiz muitos planos eu sozinha. Sempre adorei ir à praia sozinha, almoçar sozinha, sempre adorei. Então sempre achei que era uma experiência super gira viver sozinha. Fui para Lisboa, vivi sempre com amigas, ambicionei tantas vezes ter uma casa só para mim, depois fui viver com a Sandra.
E aquilo de romantizar. Toda a gente romantiza o viver sozinha.
Sempre. Quando eu vim para esta casa viver sozinha, eu durante muito tempo achei que o eu não estar a gostar de viver sozinha tinha a ver com o término da minha relação.
Mas não achas que tem a ver com isso?
Acho que numa fase inicial tinha, mas hoje em dia eu já não penso nisso. Hoje em dia eu já não fico triste de estar sozinha. Eu antes ficava. Eu agora sinto-me entediada.
Mas tu sentes que quando estás sozinha em casa, te pões a pensar noutras coisas e isso te custa de alguma forma?
Numa fase inicial, sim, mas agora não. Acho uma seca. Fico tipo muito tempo sem falar.
Há tanta coisa para fazer. Sei lá, mas às vezes estou sozinha e se calhar estou num dia que me apetece ser social, ligo a pessoas. Fica em vídeo chamada bué tempo. Mas também nesses dias em que eu não planeei nada à noite, que eu também tenho feito muitos planos, e é verão e estamos todos sem planos. Mas os dias em que eu estou sozinha em casa, eu tipo: "ei, olha, vou escrever ou vou agora pôr os meus podcasts em dia, vou me sentar e ver tipo o 'Watch' ou ver qualquer coisa. Vou ver o YouTube, que já não vejo há imenso tempo. E vou jantar leite com chocolate e torradas e ninguém está aqui para ver."
Isso eu gosto.
Eu adoro isso.
Sabes o que eu gosto? Quando tenho um dia super preenchido e chegar em casa e no momento. Isso eu amo. Agora, o que eu não gosto é quando tenho muito tempo sem planos.
Um dia inteiro. Mas isso também me custa.
Isso acho uma seca.
Um dia inteiro sem convívio, sim.
Percebes? É aí que eu sinto. E por que eu agora ando a adorar mais a minha rotina de Lisboa do que do Porto? Em Lisboa eu tenho sempre planos a todos os minutos. Aqui às vezes fico muito
Quando eu estou em Lisboa sinto-me cansada e overwhelmed. E a desejar muito estar no Porto e depois eu passo três dias no Porto em que não se passa nada e fico: "Que vida arrecida!"
Eu estou esta semana no Porto pela primeira vez, já não estava há um mês e tal. E estava toda contente. "Uma semana que eu vou ter que ir para ali."
Nós nunca estamos bem.
Estou à uma seca, nada se passa, estou ansiosa da hora do treino.
Mas combina coisas fora de casa.
Mas também tenho que trabalhar, não é?
Sim, mas vai trabalhar num café.
Não sei. Mas depois também me sabe bem a minha rotina de sair de manhã, ir à praia com a minha cadela. Nós somos-
Complicadas
...somos umas ingratas, privilegiadas.
Não, mas isso eu percebo, que eu também sinto isso, porque é uma discrepância muito grande de adrenalina.
Pois é.
E de consumo de energia. Quando se vai a Lisboa, barra estar no Porto muito tempo. Há dias em que a única coisa que eu tenho fora de casa é o treino.
É isso.
E não tenho planos.
Eu não gosto dessa parte, desses dias. Olha, e uma coisa sobre viver sozinha. Tu não tens isto, mas adorava que tivesses. Eu sou muito, como é que se diz? Eu adio tarefas por viver sozinha, procrastino tarefas em relação à casa, por viver sozinha. Se eu vivesse com alguém, já estava feito. Tenho dois baldes de tinta nos arrumos, que já devia ter tratado disso. Ou, por exemplo, a decoração da minha casa. Ainda não acabei porque já está ok e vou procrastinando.
Eu sinto isso com arrumações, porque eu quero fazer arrumações mais a fundo no meu armário e estou a procrastinar imenso. Mas imagina, eu não cheguei a viver com este meu namorado.
Pois, é isso.
Portanto, eu não sinto isso porque a minha casa sempre foi a minha casa.
Eu senti isso com o namorado e mesmo com as minhas amigas. "Vamos fazer uma arrumação a fundo a esta cozinha." E nós fazíamos juntas. Sinto que sozinha procrastino muito mais nestas decisões e nestas coisas de casa.
Mas isso é normal, eu acho, porque tens sempre outras coisas para fazer e depois quando estás com tempo, se calhar: "Vamos sentar a ver uma série."
Sim, não apetece. E também porque há muitas tarefas que tu precisas de mais do que uma pessoa. Eu não consigo arrumar aqueles arrumos sozinha. É bué pesado. Isso irrita-me.
Ou mais de tempo. Eu quando penso em arrumar o armário, ok, vou tirar horas para fazer uma destralha, para organizar e tirar fotografias. E só de pensar nisto-
Já não tenho vontade.
Já perdi a vontade. Mas às vezes dá-me. E quando me dá, eu tiro um dia inteiro, limpo tudo do início ao fim. Mas nesse sentido, mesmo a casa de Lisboa sempre foi a minha casa. Então mesmo quando estavam lá pessoas, eu subarrendava o quarto, era a minha casa. Portanto, eu nunca senti isso de tarefas partilhadas. Porque sempre foi o meu espaço. Mesmo quando estava lá, levava as pessoas que lá estavam, mas a casa era minha. E eu acho que assim o momento em que também estava sozinha. E nesta, estava a namorar, certo, passava muito tempo com ele, certo, mas era a minha casa na mesma.
Sim.
Portanto, nesse sentido-
Eu, por acaso, senti imenso
...não procrastino assim tanto.
Uma das coisas que eu fiz quando acabei uma relação, apesar de que eu saí da casa que nós vivíamos, mas mesmo aqui o meu quarto do Porto, eu mudei o quarto todo.
Precisaste de fazer uma limpeza geral.
Eu tenho muita ligação aos espaços e às pessoas. Não associar. E sei que o meu ex-namorado, na altura, ficou na nossa casa, mas ele contou-me que ele mudou a casa toda. E eu percebo, deve ser horrível. Tu estás no espaço que viveste com alguém, parece tudo igual e falta só aquela pessoa. Tu sentiste alguma diferença no espaço?
Olha, quando eu saí de Lisboa, foi muito procurar um espaço novo e um recomeço e associava muito aquela casa a coisas não tão positivas. Mas eu, por acaso, não associo nada a esta casa. Eu adoro a minha casa. É a minha casa, nunca passou a ser casa dos dois, portanto, eu não associo de todo a isso.
Isso é bom.
Ou seja, eu estou na fase em que já partilhei por aqui que queria comprar uma casa, mas não é de todo para trocar isso. Agora até parei um bocado a procura de casa.
É isso, há uma fase na procura de casa que começa a ser um pouco stress.
Mas não, eu não associo de todo a minha casa a isso. Engraçado. Não sei se é de mim, mas não precisei, porque não houve muita coisa que mudasse a minha casa, efetivamente.
Se calhar mais as rotinas e coisas que aconteciam no dia a dia.
Engraçado, o que aconteceu em mim foi voltar. Quando eu me mudei para o Porto, eu estive dois, três meses solteira, a viver naquela casa.
Sim, a viver toda uma nova vida.
E estava naquela fase de descobrir como é que é a minha rotina e a minha vida naquela casa. E eu sinto que agora voltei a trazer de volta a Mariana de abril do ano passado. Então voltar a criar novas rotinas, novos horários e a testar o que é que resulta melhor comigo, isto ou aquilo. Imagina, já não tinha noites assim em que estava só a deitar-me super cedo e a só ver as minhas coisas. Não sei, estou a descobrir e faz-me lembrar essa fase da minha vida, porque é totalmente o paralelismo com aquilo que estava a viver literal há um ano atrás.
Sim, há coisas más, obviamente, quando há uma separação, mas também há coisas que nos entusiasmam. Isso de descobrir quem é esta nova pessoa. E claro que temos que olhar pelo lado positivo, senão, cretinos não saímos desse sítio. Mas é mesmo giro isso de "eu sou uma pessoa, esta pessoa estava aqui, mas eu sou uma pessoa" e que coisas é que esta pessoa sem a intervenção do outro gosta, quer fazer.
Mas aquilo que eu estava a querer dizer, se calhar não me expressei bem, era: eu já tinha uma rotina que eu estava meia a criar em abril do ano passado.
Claro.
E o que acontece? Essa pessoa entra, muda um bocadinho as rotinas e agora voltou ao que era.
Sim.
Mas a questão é, as rotinas que eu tinha, eu também gostava delas.
Claro.
Gostei deste ano, mas não deixava de gostar também da minha rotina antes.
Claro.
E eu acho que isso também dá aquele entusiasmo de voltar a: "Deixa ver, deixa-me testar, deixa-me ver que horas é que quero acordar e o que eu quero comer." Por exemplo, eu estava numa fase, como estava a namorar, estava a cozinhar mais e estava mais nessa, de estar mais por casa.
Isso é uma das coisas, uma grande seca de viver sozinha.
E eu agora sozinha não tenho feito isso e isso está a ser uma luta, por exemplo. Isso é das coisas mais difíceis para mim de viver sozinha e que eu já não me lembrava quando vivia com amigas.
Apetece-me demasiado jantar, não estou a gozar, torradas e leite.
Não, eu percebo. Eu agora tenho uma que até enjoar. Eu como isto todos os dias, ao pequeno-almoço, ao almoço ou ao jantar, que é queijo cottage, abacate e ovo cozido. Misturo e meto num pão.
Isso é saudável.
Sim, ok, mas porque não me apetece cozinhar mesmo. Só como isso. Porque eu sei que fiz bifes de frango, se eu estivesse sempre a comer os que eu fiz, só comes isso.
Amiga, ontem eu cozinhei bifes de frango e massa e foi três refeições seguidas iguaizinhas, porque eu estou-me a cagar.
Estás farta.
Farto, mas eu não me apetece cozinhar.
É isso.
Eu não tenho vontade de cozinhar.
Eu adoro receber pessoas e cozinhar para as pessoas.
Também eu.
Mas cozinhar mesmo à séria só para mim, isso é uma love language. E eu quando faço, fico muito orgulhosa de mim.
Para mim é super uma love language.
E fico mesmo tipo fogo.
Para os meus amigos, para quem esteja comigo, é uma love language eu estar a planear uma refeição. Eu não tenho esse amor comigo em relação à comida.
Quando eu faço, eu sinto-me orgulhosa de mim, quando eu faço isso só para mim própria, fico mesmo orgulhosa.
Eu não tenho feito. Eu faço uma massa rasca, um pão com atum, juro.
Percebe, eu não me lembro da última vez que fiz uma refeição para mim.
Eu tenho feito coisas supersimples e também no verão muito mais leves, tipo tostas, o iogurte com os cereais e fruta, não sei o quê. Sem dúvida, também faço mais isso. Eu fazia imenso isso quando fui viver sozinha e quando me estava a custar mesmo viver sozinha. Eu tinha esses momentos de self love para comigo própria, para eu não me esquecer que eu vivo sozinha, mas eu vivo em bom. O que eu faria para a minha família, eu vou fazer para mim também. E acho que isso pode ajudar pessoas que, tu adoras viver sozinha. Ou seja, acho que não precisas de fazer esse exercício. Acho que podes fazer só para tua orientação.
Sim, pela minha alimentação, mas imagina, não estou a dizer que como mal, estou a dizer que como coisas mais simples, não tão elaboradas. Mas eu faço isso em manter sempre a casa 100% arrumada, manter a casa limpa.
Isso é uma coisa que tu também fazes.
Isso é uma coisa que eu não faço isso quando recebo pessoas. Eu tento sempre ter isso mega, porque eu também sempre fui assim. E quero mais é a cena de limpeza mais a fundo, de arrumar mais a fundo, isso quero fazer por mim, porque preciso. E acho que é um "clutter" mental que está ali um bocado a incomodar. Mas em termos de refeições, se calhar, é uma coisa que eu posso vir a descobrir que também me faz falta, que neste momento não estou de todo a dar importância. Mas tu tens hábitos ou coisas que tu descobriste desde que começaste a viver sozinha, que agora gostas? Porque imagina, eu descobri o "journaling", foi muito a viver sozinha e aquele momento matinal da crepioca e o "journaling" é uma cena que eu mantenho. E eu quando estava a namorar, se calhar já não tinha tanto esses momentos, principalmente de "journaling", porque estava acompanhada. Então tomava o pequeno-almoço sempre acompanhada, todos os dias. Então volto a trazer isso. E são essas pequenas coisas que também me dão entusiasmo de viver sozinha.
Isso eu sempre tive e eu mantive muitos hábitos que eu tinha antes, porque eu acho que a nossa profissão é superdiferente, então tenho horários completamente diferentes. Uma coisa que eu mantive, ou seja, ao contrário, que eu mantive de quando eu tive uma relação, que foi um bom hábito que eu criei, foi: eu comecei ao final do dia, off trabalho, vou aproveitar que está aqui esta pessoa, vou usufruir deste tempo. E eu agora, mesmo estando sozinha, chego ao final do dia e acabou o trabalho.
Isso é bom, isso é positivo.
Isso é uma coisa superboa que eu adquiri e que mantive. Também senti esse lado, que é que coisas boas é que eu aprendi de viver a dois que eu mantive na minha vida. Isso acho que também aconteceu desse lado. Uma coisa má foi que eu tornei-me muito mais desarrumada desde que vivo sozinha.
A sério?
Sim.
Mas é uma cena tua?
Porque ninguém me tem que chatear. Não, eu quero ser arrumada, eu gosto de ser arrumada, mas como estou sozinha e preciso ser rápida, às vezes estrou a casa toda, porque tenho que me safar, fazer malas ou não sei o quê, como não há ninguém ali para me chatear, está ok.
Pois, mas eu acho que eu sempre fui, se calhar, os meus pais também dizem muito isso, a minha irmã é totalmente arrumada e eu sou o oposto. Eu sempre tive o meu quarto imaculado e eu acho que isso é uma cena minha, porque eu se deixo acumular e quando estou em viagem em Lisboa, não sei o quê, deixei a mala por desfazer durante dois dias, aquilo mexe-me a cabeça, tu não estás bem a perceber. Eu não consigo, então eu acho que é uma cena minha, eu preciso mesmo de ter tudo arrumado.
Eu, por exemplo, quando estou com muitas coisas, a casa pode estar desarrumada, mas eu não posso estar lá. Se eu estiver lá, a casa tem que arrumar.
Fechas a porta e esqueces, mas eu não esqueço, eu sei que aquilo está desarrumado. E aquilo fica na cabeça, tenho que ir a casa arrumar a casa, tenho que ir arrumar a casa.
Jura?
Portanto, não é para não ouvir os outros, não, a minha casa tem que estar sempre arrumada.
Mas acho que vives a dois também aprendes bué os limites e a respeitar imenso o outro. Eu a viver com outras pessoas, mesmo com amigas, eu foi com amigas que aprendi isso, a respeitar imenso o espaço dos outros.
Mas eu sempre vivi com pessoas. Mas eu sempre fui de mim arrumada, mas também sentia, obviamente, nos espaços comuns.
Às vezes não te apetece.
Às vezes não te apetece.
Olha, isso é uma coisa também boa de viver sozinha, que é às vezes é bué bom deixar as louças ali, não te apetece e naquele dia não fazes nada.
Isso eu faço muitas vezes. A minha sala fica um pandemónio, mas eu amanhã é um novo dia e acordo e arrumo tudo.
Eu adoro fazer isso.
Mas no dia a seguir tem que estar limpo.
Sim, eu também. Mas isso é uma coisa fixe de viver sozinha, por acaso.
Isso é. É 100% que é um problema para amanhã e está tudo bem. Mas também não deixo passar muito disso, porque eu própria fico incomodada e depois chego a casa e fico incomodada.
Fica-me a dar nervos.
E lembras-te assim de mais algum hábito que tenhas criado depois, agora se calhar com a cadela fazes mais esses hábitos de manhã?
É imenso, isso sim, eu começo o dia sempre a fazer uma caminhada de 20, 30 minutos, isso é mesmo fixe. É das melhores coisas ter um cão Hoje fiz um vídeo que eu pensei: tu ainda estás com a ideia de ter um cão?
Sim.
Ok, boa. Porque eu hoje fiz um vídeo de coisas que eu acho que fiz bem na educação da minha cadela.
Nice!
Sim, porque me lembrei que agora é uma altura que imensa gente tem cães. O verão é uma ótima altura para adotar ou ter um cão, porque é uma altura que estás mais predisposta e que é ótimo para tudo, para os passeios. E eu lembrei-me disso. Ter um cão foi das coisas que mais me ajudou a ser mesmo responsável.
E achas que te ajudou a recuperar do teu breakup, teres essa companhia?
Sim, eu acho que a Z me salvou muitas vezes, não tanto pela companhia, que isso era bom, mas quando tu tens que cuidar de outra pessoa e tu és responsável por manter aquele ser vivo, vivo e bem, eu acho que os teus problemas diminuem um bocado. Ou mesmo que não diminuam, tu tens que fazer aquilo. Há dias que te apetece só dormir e chorar e não fazer nada, mas tu tens que ir cuidar daquele. Ou ao contrário, às vezes também entras num loop de muita festa e muita loucura e não te apetece ter responsabilidades.
Dá estrutura para a vida.
E depois tu sabes que não importa o que, tu tens que cuidar daquele animal. E eu acho que foi muito bom nesse sentido para me dar responsabilidade, foi muito frustrante. Houve várias vezes que eu pensei: "Que ideia foi esta?"
Mas hoje em dia, olhando para trás, há algum momento que te arrependes de ter adotado a cadela?
Eu não teria tido a Z sozinha. Acho mesmo. Acho que tendo em conta o meu estilo de vida, em que eu vou muito para Lisboa. Porque pensa uma coisa, se tu decides ter um cão, a responsabilidade é tua. Tu não podes ter um cão a contar que os teus pais te vão ajudar. E eu não tive a Z a contar que os meus pais me iam ajudar, mas ainda ajudou e eu não conseguia ter a Z se os meus pais não me ajudassem.
Claro.
Percebes?
E estares tão perto deles facilita imenso.
A escolha de comprar uma casa perto da casa dos meus pais foi por causa da minha cadela. Não só, mas muito por causa disso. E eu acho que ninguém pode ter um cão a contar com a ajuda dos outros. E por isso mesmo é que eu digo que, tendo em conta o estilo de vida que eu tenho.
Mas isso é o que ainda não me fez avançar, porque eu estive seis semanas seguidas a ir para Lisboa e eu quero muito e muitas vezes as pessoas mandam mensagem: "Então, já decidiste o cão?" Quero muito, há muito tempo, desde que me mudei para o Porto que eu tenho muito essa ideia, mas eu ainda não acalmei.
Sim.
E eu sei que obviamente que eu posso contar com os meus pais e eles ficariam muito contentes por ir ficando com ele, mas ao mesmo tempo eu sei que seria o meu cão.
Sim.
E seria eu a deixar todas as semanas o meu cão.
E numa fase inicial, precisa muito de atenção. E é mesmo uma grande responsabilidade, eu acho. Eu só fiz vídeos hoje, eu fiz outro vídeo que é sobre não saber se queria ser mãe. E eu sinto com a minha cadela uma coisa, não tem nada a ver ser mãe de um cão e ser mãe de um filho, óbvio, mas eu sou a pessoa mais importante para a minha cadela. Eu tenho essa responsabilidade.
Uma responsabilidade gigante.
Percebes? E tu não podes decidir que não queres um dia. E há muita gente que faz isso, imensa gente que dá cães.
Por isso é que eu ainda não dei esse passo, porque eu também já tive um cão com os meus pais, era dos meus pais, mas eu também vivi muitos anos com o cão e sei perfeitamente a responsabilidade que é e sei o quanto eu também iria ser mãe de cão.
Sim.
E isso assusta-me um bocadinho.
Eu no início era obcecada, só falava nisso.
Eu sei que eu ia estar em Lisboa a pensar no cão que está no Porto.
Então numa fase inicial esquece.
E preocupada com o cão que está no Porto. Ia só pensar nisso. Portanto, acho que preciso se calhar de acalmar um bocadinho mais e perceber se consigo controlar a minha vida para não ter de ir tanto, que eu estou a tentar fazer um bocadinho dessa gestão, que vou tentar fazer cada vez mais. E aí sim, quando sentir que estou mais estabilizada, dar esse passo.
Sim, e acho que é fixe ser numa altura em que tu sabes que ali em dois, três meses, pelo menos, consegues ter as coisas bem controladas.
É isso. E também penso, se me apetecer fazer uma viagem longa, acaba por ser uma prisão, um bocadinho.
Sim, eu não posso decidir uma coisa dessas sem falar com os meus pais antes. E eu sinto que os meus pais são incríveis, como é óbvio, e cuidam bem da Z, mas não cuidam como eu. Percebes?
E eles não têm essa responsabilidade, não têm essa obrigação.
Pois não, eles não têm essa obrigação. E eu passei a minha cadela quatro vezes por dia, passeios longos, eu se vou à praia e solto-a todos os dias. Os meus pais não escolheram ter que fazer isso.
Claro.
E eu vou exigir que eles façam isso? Não posso.
É isso, apetece-te ir um mês para a Tailândia e deixar a Z com os teus pais. É uma responsabilidade enorme para eles.
É isso, sem dúvida.
Portanto, é isso, esse tema está em pausa para já.
Mas fazes bem. Eu tenho dualidade de opiniões. Eu acho que fazes muito bem em ponderar super bem, mas por outro lado, quando tens muito a voltar.
É tão bom! Eu vejo cães a passar ao meu lado e digo "ai, eu quero tanto". E há tanto tempo, mas vai acontecer um dia. Voltamos daqui a uns tempos. Olha, só voltamos depois do verão, amiga.
Vamos lá ver que histórias é que teremos para contar.
Vamos lá ver que isto daqui a poucos meses muda muita coisa.
Pois muda.
A vida dá umas voltas.
Vamos lá. Hoje tiveste uma notícia, vamos lá ver até quê. Então?
Estamos a meio do ano, portanto, vamos lá ver como é que corre os próximos seis meses do ano. Mas já tiveste os meus objetivos do ano, que eu defini em janeiro. Portanto, depois em setembro podemos fazer um episódio de recomeço e objetivos até ao final do ano.
Até podemos ver react de coisas que dissemos no episódio de início de janeiro.
Ya, de objetivos de ano. Para rever e reorganizar objetivos.
Vamos fazer isso.
Estamos. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?