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Seja bem-vindo ao último episódio do podcast "Ao Volante do Futuro". É uma parceria do Observador com a Critical TechWorks, onde ao longo das últimas semanas falamos de inovações tecnológicas no mundo automóvel. E hoje vamos olhar para os impactos da Critical TechWorks, a CTW, na operação da BMW. Tenho hoje comigo Paulo Guedes, é CFO da CTW. Paulo, muito obrigado por ter vindo à Rádio Observador.
Obrigado eu.
Já cá falámos ao longo de alguns programas anteriores das várias inovações automóveis que têm, de facto, a marca da CTW. Quais é que considera aquelas que terão sido as mais importantes para o percurso desta empresa?
Inovações automóveis e não só. Eu diria que as mais importantes são aquelas que são percebidas pela sociedade ou pelo contexto onde nós nos inserimos, começando aquelas que têm impacto, de facto. E nessas eu destacaria aquelas que estão relacionadas com o carro, nomeadamente a eletrificação, a questão da condução autónoma, mas também muito no que tem a ver com o próprio fabrico automóvel. Tudo tem a ver com a-
A otimização dos processos.
A automação das fábricas, sim, a otimização dos processos.
Tivemos um episódio dedicado a fábricas do futuro.
Exatamente, sim. Portanto, a vários níveis onde estamos inseridos, existem dois tipos de inovação, aquela que tem um impacto direto no setor automotive, mas também aquelas que têm impacto nos próprios processos internos do grupo BMW.
E esse pareceu-me também ser um trabalho muito interessante da CTW. Fiquei curioso com uma inovação, já me explicará o que é, que é a Neue Klasse da BMW. O que é a Neue Klasse da BMW?
A Neue Klasse é a designação que a BMW dá àquelas viaturas ou àquele segmento de viaturas que, de alguma forma, tem potencial para revolucionar o mercado. O nome originalmente foi atribuído ao suporte sedan, construídos, penso eu, de 1962 a 1972, que vieram definir a imagem da BMW como nós a conhecemos hoje. A aposta do novo Neue Klasse, por assim dizer, traduz um pouco a expectativa que o próprio grupo BMW tem que esta nova plataforma vá trazer para o mercado. Portanto, que vá de alguma forma revolucionar ou redefinir aquilo que é a imagem da BMW no mercado.
Mas explique-me, essa é uma atribuição dada a um determinado modelo? Um determinado modelo pode ser um modelo Neue Klasse?
É uma determinada estratégia das plataformas automóveis produzidas. O Neue Klasse, se quiser, o original, aquele que foi produzido entre 62 e 72, se não estou em erro.
É algo antigo, que a BMW já usava.
É antigo, sim, mas veio definir a base, se quiser, ou a estratégia daquilo que foram as viaturas produzidas daí pra frente. Portanto, o próprio Série 3, Série 5, que são aquelas viaturas de marca da BMW, seguem aquilo que eram os princípios do Neue Klasse dessa altura.
Muito bem. E qual é que tem sido também o contributo da CTW pro novo Neue Klasse, como disse?
No Neue Klasse, a Critical está naquelas vertentes de inovação que discutimos há pouco. Portanto, tudo tem a ver com autonomous driving, tudo tem a ver com a questão do infotainment, tudo tem a ver com a eletrificação do veículo, automação do próprio veículo. São tudo áreas onde a Critical TechWorks está envolvida.
A CTW, de resto, tornou-se num período de seis anos, numa das maiores tecnológicas do país. Qual é que acha que tem sido o segredo do crescimento da Critical TechWorks?
A inovação, eu diria. Nós estamos, de facto, sustentados na confiança que fomos capazes de gerar no âmbito do grupo BMW. Quando iniciamos este projeto, a Critical TechWorks, nós sabíamos que para conseguirmos vingar no seio do grupo BMW, e para conseguirmos vingar no setor automotive, tínhamos que ter duas coisas. Tínhamos que ser capazes de produzir com a qualidade, eu diria a par daquilo que é a qualidade percebida das viaturas da BMW, mas também tínhamos que ser relevantes no âmbito do grupo. Portanto, não nos bastaria ser muito bons numa tecnologia muito específica, mas tínhamos que alargar aquilo que é o nosso footprint no âmbito do grupo BMW. E nós conseguimos fazer isso, e conseguimos fazer isso num período de alta redefinição do setor automóvel.
Os últimos seis anos.
A nível mundial. Não só os últimos seis anos. Existe um grande dinamismo no setor automóvel. Existe muito desenvolvimento tecnológico, muita inovação a vir pro mercado, quer no que tenha a ver com a eletrificação, que discutimos, quer no que tenha a ver com a condução autónoma. E nós conseguimos, a Critical TechWorks, se quiser, foi criada num contexto em que essas inovações estavam a vir pro mercado. Portanto, nós intimamente participamos ativamente nesses desenvolvimentos. E eu diria que nós conseguimos adicionar valor ao grupo BMW desde muito cedo. E de uma forma muito relevante, como eu disse, não só especificamente em determinados contextos, mas de uma forma bastante alargada. E também conseguimos, por essa via, ter um impacto significativo no mercado automóvel. Claro que o conseguimos fazer suportados no talento nacional. Muito suportados no talento nacional e naquilo que são as competências reconhecidas do nosso talento IT.
Já vamos falar um pouco mais sobre essa questão em particular. Antes disso, queria olhar aqui estes três escritórios, a Critical TechWorks tem três escritórios: Lisboa, Porto e Braga. É importante esta descentralização? O que ela acrescenta à empresa?
Eu diria que acima de tudo acrescenta flexibilidade. Permite-nos estar mais próximos do talento. Nós quando abrimos o nosso terceiro escritório em Braga, nós fizemo-lo numa perspectiva em que o escritório do Porto chegaria ao seu limite Chegaria a um limite físico em termos de número de pessoas que poderia absorver. E nós chegamos este ano a esse limite, chegamos a cerca de 1600 pessoas no escritório do Porto e tínhamos muitas pessoas a vir da zona de Braga pro Porto todos os dias. Portanto, foi uma estratégia mais de consolidação.
Tem algo a ver com Braga também ser um grande polo universitário?
Sim, claro que sim.
Ok.
Claro que sim.
Essa também poderá ser uma das razões. E para falar de talento, às vezes a proximidade a esses meios é, de fato, importante.
Fundamental, sim.
De fato, já são cerca de 2700 os colaboradores da Critical TechWorks. São eles também um dos segredos deste sucesso?
O segredo.
O segredo. Ok. O que a CTW procura num colaborador quando o contrata?
A CTW procura essencialmente perfis de IT. Mas também temos pessoas que têm outro tipo de background, que decidiram mudar de trabalho, mudar de setor, mudar de experiência profissional. Nós temos atualmente médicos, enfermeiros, escritórios, veterinários a trabalhar na Critical TechWorks, que o fizeram, ou melhor, que de alguma forma executaram-
Por mudança de carreira
...por mudança de carreira.
Estava a perceber como é que um veterinário
Por mudança de carreira, sim. Nós temos as nossas academias internas na Critical TechWorks. São pessoas que vieram de outras carreiras, que entraram em academias de reconversão. E por essa via conseguiram juntar-se à Critical TechWorks.
Isso existe dentro da CTW, que departamento é esse? Fiquei curioso.
Não é um departamento, nós temos várias academias a correr durante o ano. Tipicamente entre 13, 15 academias. Temos também academias de reconversão. Temos pessoas, precisamente as que eu estava a referir, que vêm de outras áreas e que decidem aprender IT. E portanto, são iniciativas que nós internamente temos e que vamos promovendo nas várias tecnologias, consoante as necessidades que vamos tendo.
Presumo que seja interessante perceber como é que um colaborador que vem claramente de uma área e que fez essa conversão que estava a falar, também aporta outro tipo de conhecimento do que, se calhar, alguém que trabalhou e estudou toda a vida IT.
Aporta outro tipo de conhecimento, traz outro tipo de experiências. Isso pra nós é fundamental, como eu disse, nós não trabalhamos só em cima do automóvel, nós trabalhamos também em processos de negócio da BMW. Nós suporta vários processos de negócio. Trabalhamos com o BMW Bank, que é um banco e, portanto, a experiência no setor financeiro para nós é importante. Nós trabalhamos em soluções de eletrificação, de gestão energética e, portanto, a experiência de trabalho prévia no setor energético também é importante pra nós. Todo esse tipo de conhecimento, mesmo no setor da saúde. Cada vez o carro está mais dotado de sensores que permitem aferir o estado de saúde do condutor e dos ocupantes. Portanto, esta sensibilidade para o tópico para nós é fundamental.
E na perspectiva contrária, o que é que um candidato vai encontrar na Critical TechWorks?
Na minha perspectiva, a Critical TechWorks tem uma cultura muito forte de sustentabilidade e de ser capaz de introduzir impactos significativos nas cidades onde estamos inseridos. Isso é algo que faz parte do nosso DNA e é algo em que nós temos apostado desde a criação da empresa. Portanto, eu diria que, em primeira instância, vai encontrar uma cultura muito forte. E vai encontrar uma cultura forte, uma cultura de inclusão. Nós fazemos questão que as pessoas se sintam bem-vindas e integradas numa cultura forte de empatia e respeito. Portanto, eu diria que esse será, eventualmente, o primeiro impacto que as pessoas sentirão na Critical TechWorks. Depois sentirão também, se calhar, um modelo um bocadinho diferente daquele a que estão habituados. Nós temos um modelo em que focamos no impacto individual que cada pessoa poderá trazer no contexto onde está inserido. Nós temos várias funções, mas as funções que nós temos dentro da Critical TechWorks estão definidas para o mínimo possível. E portanto, todas as pessoas são incentivadas a procurar o máximo da sua função, a contribuir o máximo no âmbito da sua motivação para explorar limites com paixão, se quiser. E portanto, isto é aquilo que nós chamamos o crescimento horizontal dentro da organização. Nós temos uma estrutura bastante lean. Entre o nível, se quiser, de um estagiário e a direção, nós só temos um nível na organização. Portanto, existe uma proximidade muito grande entre todas as pessoas, e isso, mais uma vez, faz parte da nossa cultura. Mas existe uma proximidade muito grande entre as pessoas, em que elas próprias são incentivadas a ser autônomas, a trazerem a sua motivação e a sua paixão todos os dias pra execução das suas funções.
Para terminar, Paulo, e já que este podcast também se chama "Ao Volante do Futuro", qual é que será o futuro da CTW? Falamos de seis anos de trabalho e do crescimento que tiveram até aqui. Onde é que a CTW poderá estar daqui a seis anos? Tem três escritórios, terá mais localizações ou o crescimento será feito noutras áreas até de negócio da própria CTW?
Não, neste momento não temos previsões pra abertura de novos escritórios, portanto, não faz parte dos nossos planos. Faz parte dos nossos planos continuarmos a crescer. E, portanto, a nossa ideia é, como penso que também já referi nesta conversa, é tornarmo-nos uma parte essencial naquilo que é a estratégia de inovação do grupo BMW. Cada vez mais solidificarmos, asseguramos perpetuidade.
Muito bem. Paulo Guedes é CFO da Critical TechWorks. Foi convidado deste último episódio do podcast "Ao Volante do Futuro". De resto, todos os programas estão disponíveis nas plataformas de podcast e no site "O Observador". Eu sou o Nelson Ferreira e foi um prazer conduzir esta viagem pelas inovações tecnológicas do mundo automóvel, e não só, com os profissionais da CTW. Até breve.