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Está de volta o podcast "Ao Volante do Futuro", onde todas as semanas destacamos as principais inovações no mundo automóvel, sempre com a ajuda dos profissionais da Critical TechWorks. Eu sou o Nelson Ferreira e hoje vamos falar de fábricas do futuro. E vamos fazê-lo com os Chief Technical Titan na Critical TechWorks, o Ruben Correia e a Rita Faria. Sejam bem-vindos, obrigado. Rita, o que é que são, afinal, fábricas do futuro? Parece um nome um pouco abrangente. Não consegui pelo nome perceber o que é que possam ser essas fábricas do futuro.

Nós quando falamos aqui em fábricas do futuro, falamos essencialmente em três tópicos: o tópico da sustentabilidade, do planeamento 3D e a simulação de processos também. Em sustentabilidade, nós estamos muito cientes das energias renováveis, linhas ergonômicas, tentar que haja o menos esforço físico possível para quem trabalha nas linhas de produção. No planeamento 3D, aqui o planeamento da construção das fábricas para que haja uma colaboração remota, para que seja possível a visualização destas fábricas antes do seu desenvolvimento físico, que isto pode levar a muita redução de custos e mesmo para alterações de fábricas já existentes. E na simulação de processos, ver onde é que poderá existir algumas falhas, onde é que poderemos ser mais eficientes. Tudo isto são as fábricas do futuro, vai nos ajudar a desenvolver melhores fábricas, a sermos mais eficientes, a sermos mais rápidos na produção.

E pelo que percebo, Rita, em várias áreas. O bem-estar dos trabalhadores, as inovações tecnológicas, se calhar a sustentabilidade ambiental também aqui entra.

Exatamente. Sustentabilidade ambiental, muito foco também na proteção dos trabalhadores, para que não haja tantos problemas mesmo a nível de saúde. E claro, no desenvolvimento das novas fábricas também, para redução de custos, para otimização.

Ruben, e que impacto é que tem tido a CTW no desenvolvimento deste conceito de fábricas do futuro?

Nós temos estado envolvidos desde o início na parte da logística e temos estado em todo o processo de digitalização e modernização dos processos de logística da BMW, algo que tem tido bastantes resultados e temos tido os nossos sistemas a serem implementados em várias fábricas, quer na Europa, quer no resto do mundo. Esses sistemas ajudam, por exemplo, a automatizar alguns processos de logística. Temos automatização, por exemplo, dos processos de warehouse, de armazenamento, um pouco como nós vemos numa farmácia onde há aqueles sistemas logísticos para ir buscar.

Quase robótico.

Exatamente. Sistemas similares a esse. Obviamente que a implementação de um sistema desses numa fábrica com a dimensão que tem, obviamente com componentes um pouco mais pesados do que aquilo que vemos nas farmácias, é um desafio enorme, tremendo. A complexidade logística dos processos também é muito grande dentro de uma fábrica, porque estamos sempre a produzir um pouquinho "just in time", ou seja, em cima do momento chegam as peças, é preciso fazer um planeamento rápido daquilo que é a produção. Temos estado envolvidos nesse processo também. E recentemente temos estado envolvidos também numa iniciativa estratégica entre a BMW e a área produtiva da BMW, o setor de produção, e a NVIDIA, que é uma das maiores empresas da área de software e hardware, que tem estado muito envolvida também naquilo que é os desenvolvimentos em termos de AI, de inteligência artificial, que tem uma plataforma colaborativa que nos vai permitir digitalizar e virtualizar todos os processos de planeamento de uma fábrica de forma digital, de forma virtual, e que vai permitir fazer uma pequena revolução na forma como é feito o planeamento de produção e as alterações que nós precisamos fazer numa fábrica, que tipicamente é um processo muito manual, muito arcaico até, que envolve às vezes ir à própria fábrica imaginar como é que essas alterações são feitas. A possibilidade de poder digitalizar todo esse processo, poder virtualizar isso e fazê-lo de forma colaborativa com, por exemplo, pessoas espalhadas pelo mundo afora.

E de forma remota também, não é?

Exatamente. De forma remota é uma pequena revolução na forma como conseguimos atingir esse objetivo.

Rita, quais seriam para si as grandes vantagens que as fábricas do futuro oferecem aos fabricantes? Qual é o grande ganho? Porque presumo que seja um grande investimento também, mas as vantagens superam isso.

Sim, há um grande investimento aqui, mas tal como o Ruben estava a dizer, esta virtualização dos processos permite-nos fazer uma análise do que é que poderemos alterar, o que é que realmente está a ser efetivo ou não, e também a simulação de como é que nós poderemos melhorar estes processos. A sustentabilidade, claro, vai não só para o planeta ou para o meio ambiente, mas também é expectável que traga uma redução de custos. Utilização de energias renováveis, solar ou seja o que for. Também todo o ecossistema das fábricas da BMW serem mais sustentáveis, haver árvores, haver um meio ambiente, ou seja, a fábrica estar inserida no meio ambiente. A automação, claro, novamente, permite que quem esteja a trabalhar nas fábricas tenha melhor qualidade. E claro que isto reflete-se também em benefícios para a BMW e para as produções para a fábrica. Tudo o que tem a ver com a robótica vai nos ajudar a cometer menos erros, vai nos ajudar a ser mais eficientes. Não vai substituir os humanos nas fábricas, claro, não é esse o objetivo. O objetivo é sempre termos ajuda, seja no transporte das peças No controlo de qualidade. E claro, vai nos ajudar também a sermos mais rápidos a adaptar-nos às condições do mercado. Sempre que seja necessária alguma alteração, vamos conseguir planear isso de forma mais rápida, não vamos ter que implementar. Temos um sistema virtual em que podemos fazer simulações e depois, quando vemos que as coisas estão de acordo com os nossos planos, podemos sim implementar e poupar muito tempo e muitos custos.

Eu estou a descobrir o que são as fábricas do futuro aqui neste podcast. E estou curioso para perceber: este é um conceito ou esta é uma prática que já existe nas fábricas BMW e está a ser implementada nesta altura, ou a fábrica do futuro também ainda tem passos a dar e ainda se podem implementar outras inovações no futuro?

Está a ser implementado, sim, principalmente nas novas fábricas, mas claro que isto é um processo contínuo. Ainda há coisas para vir, há muita coisa que a CTW está a trabalhar. Principalmente nas fábricas que já estão em produção há vários anos, há décadas, estão a sofrer algumas renovações e é um processo. Não é algo que está completamente implementado agora, mas é algo em que estamos a trabalhar.

E isto porque, Ruben, tinha esta pergunta: se todas as fábricas são suscetíveis de virem a ser fábricas do futuro, e quais são os desafios que elas enfrentam nesta altura, se calhar, como dizia a Rita, as que estão a laborar há mais tempo, têm outra dificuldade em implementar alguns novos sistemas.

Sim, eu diria que a BMW tem sido também pioneira. Obviamente, somos parte integrada, fazemos parte do BMW, mas a BMW tem sido pioneira. Podemos dar o caso, por exemplo, da fábrica de Leipzig, onde temos uma sustentabilidade em termos de consumo de energia total. Temos autonomia energética, através do uso de eólicas para o fornecimento. Temos tido sistematicamente uma preocupação, por exemplo, na redução do uso de água, que é um fator ambiental muito importante, e isso nós conseguimos reduzir drasticamente o uso de água, por exemplo, na parte da pintura dos carros, e isso tem sido sistematicamente aplicado. As fábricas são entidades vivas, ou seja, a fábrica não é aquela ideia clássica que as pessoas têm de uma estrutura industrial que está instalada, fixa e que não muda. Hoje em dia é um elemento vivo muito importante e com estes processos de virtualização vai permitir que seja muito mais fácil nos adaptarmos a isso. E temos, por exemplo, a fábrica de Munique, que é o exemplo de como é que hoje em dia, em 2024, com todas as restrições ambientais e o impacto que pode haver no meio circundante, estamos a falar de uma fábrica que está no meio de Munique. É muito interessante como é que se conseguiu reduzir emissões, poluição, tráfego envolvente à fábrica no meio de uma malha urbana.

Isto para dizer que cada fábrica, se calhar, terá os seus desafios.

Exatamente. E estes princípios e estes valores que queremos implementar em todas as fábricas, que a BMW quer implementar, de sustentabilidade, automação, vão ser sistematicamente aplicados a todas as fábricas. Obviamente, estamos sempre a falar de processos que demoram décadas, em algum caso, e investimentos muito avultados.

Esse parece ser outro dos desafios, o investimento que é necessário. Olhemos então um bocadinho para o futuro, Rita. Quais são os projetos da CTW na transformação das fábricas para os próximos anos? Há projetos inovadores, daqueles que possa revelar, que estão a desenvolver neste campo?

Eu diria que o projeto mais inovador em que nós estamos envolvidos é mesmo este, como o Ruben estava a dizer, com a NVIDIA, o Omniverse, em que o objetivo é nós termos a fábrica em 3D, em que podemos ter esta visualização, talvez no futuro, digital twins, ou seja, nós conseguimos ver exatamente o que é que está a acontecer na fábrica.

Em tempo real? Quase.

Sim, quase. Isto é um objetivo, não é algo que está a acontecer no momento, mas sim, será esse o objetivo. Conseguirmos fazer alterações, conseguimos planear essas alterações na fábrica e possivelmente vermos em tempo real o que é que está a acontecer, seja a nível de processos, de workflows ou a nível de humanos a trabalhar, quem está na fábrica, quais são as suas movimentações, qual é o seu trabalho.

E a performance. Rita Faria e Ruben Correia, muito obrigado pelos esclarecimentos. Fiquei a saber muito mais sobre fábricas do futuro. Ambos são Chief Technical Titan na Critical Tech Works. Hoje ficamos a saber sobre este conceito que está já a ser implementado em várias das fábricas BMW. Todos os episódios deste podcast, "Ao Volante do Futuro", estão disponíveis no site do Observador, nas plataformas de podcast. Eu sou o Nelson Ferreira. Junte-se a nós no próximo programa.