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Seja bem-vindo de volta ao podcast "Ao Volante do Futuro". Eu sou o Nelson Ferreira e todas as semanas conduzo uma viagem pelas principais inovações do mundo automóvel, sempre acompanhado pelos profissionais da Critical TechWorks. Hoje vamos falar de sistemas de entretenimento com o Rui Salabert e também com o Licínio Oliveira. Ambos são Chief Technical Titan na Critical TechWorks. Muito obrigado por terem vindo.
Obrigado.
Obrigado, Nelson.
Licínio, começo por si. Há dias li qualquer coisa sobre experiência multimodal do condutor com interações no veículo através da voz. Que experiência é esta? Que sistema é este?
Talvez mais do que um sistema, Nelson, é uma nova forma de olhar para a experiência de cabine dentro da BMW, mas mais, se calhar, abrangentemente em toda a indústria. Nós estamos a passar, se calhar, de uma experiência de cabine muito focada em experiências que são direcionadas para um tipo de interação com o veículo, e experiências multimodais são, acima de tudo, experiências que combinam os múltiplos sentidos humanos para construção de uma experiência mais rica. Se calhar, apontava aqui para exemplos práticos. Por exemplo, dois veículos que nós lançamos nos últimos anos, o BMW Vision Circular e o BMWi, que foi apresentado ano passado na CES Las Vegas, em que esta fusão de uma experiência que combina o tato, que combina a experiência visual, combina a voz, para criar uma única experiência imersiva dentro do veículo, é realmente aquilo que nós consideramos uma experiência multimodal.
Isso quer dizer que hoje em dia não clicamos só em botões como antigamente nos carros e conseguimos interagir com voz e outros sistemas?
Conseguimos, exatamente, é isso, mas a voz leva-nos a uma experiência rica que pode ser completada com outros touch points, digamos assim, dentro do próprio veículo. Portanto, construir uma experiência que nos possa, ao mesmo tempo, e de forma segura, isto é muito importante, trazer algo ou captar a atenção para tudo aquilo que são os sistemas do veículo que podem ser utilizados. E posso lhe dar um exemplo. Nós, neste momento, já temos este tipo de experiências no carro, com os nossos programas proactive care, por exemplo, em que o condutor pode experienciar música ao mesmo tempo de iluminação, ao mesmo tempo em que pode relaxar dentro do próprio veículo com este tipo de experiências. No futuro, isto será cada vez mais potenciado por novas tecnologias que estamos a introduzir. Mas eu aconselho vivamente uma pesquisa ao BMW Vision Dee para podermos verificar realmente do que estamos aqui a falar.
Muito bem. Rui, hoje em dia os veículos novos vêm quase sempre equipados com painel de infotainment, não é? Quase todos são ecrãs táteis hoje em dia e cada vez também têm mais funções. Quais são as principais inovações que têm surgido para estes sistemas?
Temos que pensar que os sistemas já não são tão somente o próprio rádio. É mais que isso. É pensar que temos sistemas de streaming, que podemos ver no carro. Temos muito mais do que apenas e só aquela parte básica de ouvir o nosso rádio. Podemos consumir Spotify, podemos consumir YouTube.
Antigamente, por exemplo, podíamos climatizar o carro num sítio e ouvir rádio no outro. Hoje em dia é quase tudo no mesmo dispositivo, não é?
É quase tudo no mesmo dispositivo. E mais que isso, é também trazer um bocadinho de inteligência e guardar as nossas próprias definições. Mesmo que a gente salte de BMW em BMW, podemos portar isto conosco. Portanto, tudo isto é pensado e é algo que é estruturado na Critical TechWorks.
Isso é ter uma função mais personalizável quando uma pessoa que tenha dois BMWs. Antes estava me lembrando do caso da memória da posição do banco.
Exatamente. Podes ter isso, podes ter a memória da posição do banco, mas aplicado a um conjunto de-
O tipo de luz, esse tipo de coisas que existem num carro hoje em dia. Muito bem. Queria também, Rui, perceber um bocadinho melhor que impacto é que teve a CTW aqui no desenvolvimento daquele que é o novo ecrã circular do novo Mini.
Do novo Mini. O novo Mini, por ser circular, ao contrário dos nossos telefones, da nossa televisão, do nosso ecrã de computador. Portanto, temos que pensar todo o UI, o que nós chamamos a experiência do utilizador, ou user experience, como sendo uma interface circular. Então, vem-nos à memória o próprio relógio. O relógio tem uma interface circular, onde os próprios ponteiros apontam as horas e toda a perspectiva do BMW foi construída à volta do círculo.
Torna-se mais intuitivo por isso?
Sim e não. E temos vários modos, no total são oito modos de experiência do Mini. Um dos módulos é timeless, onde pegamos no Mini antigo e trazemos essa experiência para o atual Mini.
Em termos de estética do próprio habitáculo?
Sim.
Ok.
Temos também outro modo que trouxemos, que é o modo pessoal, onde podemos fazer upload de uma fotografia e toda a estética, toda a experiência de condução vai buscar as cores e a envolvência dessa própria fotografia.
Quase como o fundo do ecrã do telemóvel que podemos escolher?
Sim, mas mais que isso. É som, é iconografia É cor, é tudo junto. Portanto, a própria cor do tablier da luz interior do carro muda consoante a fotografia que fazes upload.
Isso é muito curioso. Licínio, fiquei também curioso com uma nova app que existe, que é a My BMW. O que esta app permite e quais são as principais funcionalidades? Ela tem vindo a evoluir também nos últimos tempos?
Efetivamente, sim. A nossa aplicação My BMW é uma app, portanto ela já existe há alguns anos. O que foi lançado recentemente, em 2021, foi uma nova versão da aplicação, que tem tido uma aceitação bastante interessante no mercado. É uma das aplicações com maior rating em ambas as app stores, tanto da Apple como da Google. Isso é algo que nos alegra, porque a CTW tem estado efetivamente altamente envolvida no desenvolvimento da aplicação. Mas a aplicação em si é o portal dos nossos utilizadores, portanto os nossos clientes, para o universo BMW, com um ênfase muito forte naquilo que é a experiência do seu veículo.
Eu posso controlar coisas no meu veículo através da My BMW?
Efetivamente, sim. Por exemplo, podemos configurar toda a capacidade de carregamento ou os horários de carregamento, por exemplo, dos veículos, se forem veículos elétricos ou plug-in hybrid. Podemos programar climatização ou podemos interagir, por exemplo, com o veículo em tempo real, piscando luzes ou tocando a buzina. Há aqui um conjunto muito alargado, não quero deixar a ideia que são apenas estas as funcionalidades da aplicação. É um conjunto muito alargado de funcionalidades que podem ser consultadas na nossa app. Temos também um programa de pontos que favorece e que traz uma experiência de gamification, em conjunto com o próprio modelo de condução do condutor, com o objetivo de também contribuirmos para maior sustentabilidade dos nossos veículos.
Ser uma condução mais eficaz e mais segura?
Mais eficaz, mais eficiente.
E isso dá pontos na app.
Exatamente, dá pontos no nosso programa BMW Points, que depois vão desbloquear, eles próprios, funcionalidades dentro da aplicação. É um pequeno programa que, por um lado, potencia também a utilização da nossa aplicação, mas também os hábitos sustentáveis dos nossos condutores. Só para uma última nota, a nossa aplicação tem sido um sucesso e está em quase 50 mercados pelo mundo todo.
Rui, temos ainda os serviços de streaming, já há pouco falou assim ao de leve desta questão, dentro de um automóvel, que são assegurados pela CTW. Há YouTube, mas fiquei curioso com esta transmissão dos jogos da Bundesliga. Isto é possível já?
Sim, é possível já.
Como é que isto funciona?
Em mercados selecionados.
Isso quer dizer que um dia podemos ter Liga Portuguesa?
Quer dizer que eventualmente podemos ter Liga Portuguesa.
A mim dá-me o jeito uma corrida de Fórmula 1, Rui.
Sim, não é o primeiro a pedir.
Um evento desportivo qualquer.
Não é o primeiro a pedir um evento de Fórmula 1. Eu acho que molhámos os pés, digamos assim, nesta área de streaming com o YouTube no Série 7. A tecnologia que trouxemos nessa vertente de YouTube, abriu-nos a porta, abriu-nos a caixa de Pandora para trazermos outros serviços de streaming. Estamos cada vez mais a pensar em como entreter o condutor, quando o condutor está parado com o carro. Se pensarmos, ainda agora estávamos a falar em gamification e o carro elétrico, o tempo em que o carro está a carregar, faz sentido trazermos este tipo de serviços para o carro. Enquanto eu espero um quarto hora, 20 minutos, eu posso usufruir de um serviço de streaming. Isto um bocadinho anterior à tua questão. Respondendo mais à tua questão, a nível da Bundesliga, já fizemos transmissão em direto de vários jogos da Bundesliga e também há uma característica que eu acho interessante nesse produto, que é automaticamente a nossa aplicação faz select de highlights durante o jogo, para que tu possas usufruir mais tarde desses highlights.
Uma espécie de resumo?
Uma espécie de resumo, mas feito em real time, através de inteligência artificial, onde automaticamente selecionamos quais são os clipes mais importantes, através de algoritmos de inteligência artificial, guardamos esses mesmos clipes, de forma que possas visualizar esses eventos mais importantes. Outra parte que tem também a ver com a segurança, logicamente que não consegues ver um jogo em movimento com o carro.
Sim, eu tinha essa questão. Há aqui questões de segurança que sobrepõem a utilização de um serviço de streaming dentro de um carro. Imagino que o trabalho da CTW também seja esse, de permitir que isto não seja um fator de insegurança, não é?
Logicamente que a partir do momento em que começamos a conduzir o carro, o vídeo desaparece e consumimos apenas áudio. Continuamos a ouvir o que se passa no jogo, isto é, os comentários do jogo continuam a estar ativos, mas deixamos de poder ver o vídeo e isso é uma característica de segurança destes próprios sistemas de streaming.
Licínio, outra das tendências neste campo parece-me que é o uso destes sistemas de assistência virtual, talvez a Alexa seja dos mais conhecidos. Vai ser possível ter uma Alexa nos veículos BMW?
Efetivamente, já é possível.
Já é possível.
Já é possível desde 2018 ter a Alexa dentro do próprio veículo. Nós estamos neste momento em parceria com a Amazon, a empresa que é responsável pela Alexa, a construir, se calhar, ou mudar o paradigma dentro dos nossos veículos. Nós estamos a lançar uma experiência, o nosso próprio assistente de voz, que já existia também cerca de 2000 nos nossos veículos, está neste momento a utilizar a tecnologia sobre a qual a Alexa é tecnologia construída. Para nós próprios podermos usufruir dessas capacidades mais avançadas, digamos assim, que a Alexa vai trazer.
Vai ter nome? Ou já tem nome?
Já tem nome. O nosso assistente de voz é conhecido como BMW, Hey BMW. Não tem um nome, não é uma pessoa, isso é algo que é uma decisão nossa, marcada. Mas foi lançado o ano passado na Mini. Foi o primeiro assistente de voz lançado para a Mini, que não tinha ainda este tipo de serviços, mas que entretanto também já foi lançado para a BMW e que agora, proximamente, será lançado em mais larga escala em toda a BMW.
E como é que acha que será a próxima geração de assistentes de voz? Que novas funções de controle remoto do carro vão surgir? Algumas, se calhar, até podem parecer ficção científica e podem estar aí já a chegar ao mercado.
Sobre isso eu não posso adiantar, se compreendes.
Imaginávamos.
Mas digamos que, neste momento, acho que não será nada de novo e que será expectável, a próxima fronteira será a inteligência artificial. Hoje em dia, o que nós vemos é que a grande maioria dos assistentes de voz, e qualquer pessoa hoje em dia estará a par dos desenvolvimentos que têm acontecido com ferramentas como o ChatGPT, que você está atento a este domínio. Leva-nos a pensar em como é que nós poderemos trazer a inteligência artificial para assistência em tempo real dentro do veículo e se calhar avançar um pouco mais no que quer dizer assistência. Deixar de ser só assistência e passar a ser realmente uma entidade talvez um pouco mais inteligente dentro do veículo, que nos possa assistir, se calhar até de uma forma.
Hoje em dia só damos ordens, qualquer dia ele vai poder decidir melhor que nós, se calhar, numa determinada situação.
Eu não diria decidir, o controle será sempre dos nossos condutores, por questões de segurança, e esse é talvez o desafio principal, é como garantir segurança, confidencialidade, privacidade aos nossos clientes, que são temas muito importantes e muito relevantes para a BMW e obviamente para os nossos clientes também. Mas como fazê-lo desta forma segura e como realmente introduzir esse nível de inteligência, se assim o pudermos chamar, sobre o total controle dos nossos condutores. Esse será talvez o principal desafio que teremos nos próximos tempos.
Muito bem, Rui Salaberta e Licínio Oliveira, ambos são Chief Technical Titan na Critical Tech Works. Ajudaram-nos aqui hoje a saber um pouquinho mais sobre os sistemas de entretenimento na indústria automóvel. Eu sou o Nelson Ferreira. Todos os episódios do podcast "Ao Volante do Futuro" estão disponíveis no site do Observador e nas plataformas de podcast. Junte-se a mim e aos profissionais da Critical Tech Works no próximo programa.