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Com o Paulo Ferreira. Paulo, uma vez mais, bom dia. Vamos dispensar os óculos de ver ao perto porque as letras pequeninas vão crescer, é isso?

Mas é mesmo essa a ideia, literalmente.

Ainda bem, porque estou a ver cada vez pior. Eu já não leio as instruções do xampu.

É sério?

Às vezes, depende das embalagens.

Tens que te afastar para sítios com mais luz.

O xampu tem instruções?

Não, é sempre, sabes que isto dos cabelos das senhoras...

O Francisco adora essas coisas.

Eu já não me preocupo com essas coisas. Não é o caso.

Não é o caso do xampu.

Não é o caso do xampu. Estamos a falar, literalmente, aquela metáfora das letras pequeninas dos contratos. Que o Diabo está aí muitas vezes e que é preciso ler as letras pequeninas. Que é mais ou menos uma metáfora, mas também tem razão de ser, porque por regra, nos contratos ou nos folhetos de adesão, há sempre o asterisco, muitas vezes o asterisco remete cá para baixo para letras que são, de facto, mais pequenas.

Para os termos e condições.

Exatamente. E precisamente para evitar que essas letras se tornem demasiado pequenas, o Banco de Portugal acaba de alterar, nesta quarta-feira, uma norma indicada aos bancos sobre o tamanho das letras dos cartazes publicitários que, por regra, estão no interior dos balcões dos bancos, mas que são visíveis do lado de fora. Há a montra do banco e depois lá por dentro há uns cartazes, no fundo a publicitar produtos, a oferecer produtos que os bancos têm na sua lista de produtos e que também têm letras pequeninas. Isto é, é o típico cartaz de publicidade, tem umas letras garrafais com o anúncio e depois há uma série de condições no rodapé. E o Banco de Portugal determina que essas letras têm que ter uma dimensão mínima de 40 pontos. É mesmo assim. E, portanto, hoje aqui estamos mesmo a falar do tamanho das letras. No fundo, isto é um aviso do Banco de Portugal para o setor, que estabelece os princípios e as regras que essa publicidade a produtos e serviços financeiros deve ter. E estamos a falar sempre de produtos e serviços que estão sujeitos à supervisão do Banco de Portugal. Por exemplo, não entram os seguros aqui, os seguros são supervisão da ASF. E tem a ver, obviamente, com estas regras e, portanto, ajustada para 40 pontos a dimensão mínima dos caracteres dos cartazes que estão no interior. O objetivo, obviamente, é assegurar que mesmo cá fora, pessoas como eu ou como a Carla, mesmo sem óculos, consigam ver e perceber as tais letras pequeninas desses cartazes.

Como a taxa anual nominal bruta.

A taxa nominal bruta de 11,4% quando está lá anunciado 8%.

Entrada inicial, prestações, etc.

Exatamente, esse tipo de coisas. Muito bem, 40 pontos. Os pontos são o tamanho de letra que nós conhecemos quando estamos a formatar um documento e andamos ali a escolher. Nós aqui usamos tamanho 12.

Graficamente não vai ficar tão bonito.

Não fica tão bonito.

Fica informativo.

Perde-se a estética em favor da ética, se quisermos.

Pronto. E eu sei que este cabe em mim.

Portanto é uma recomendação, é uma obrigação.

Não, é mais do que uma recomendação, é a mesma regra que os bancos têm que cumprir. É bom que cumpram, não digo eu.

Muito bem. Que nasce no Banco de Portugal. Por falar em Banco de Portugal, o mandato de Mário Centeno está a chegar ao fim, não é, Paulo?

Termina no domingo, o mandato formalmente, mas obviamente Mário Centeno vai continuar em funções até haver um substituto, pelo menos é isso que se espera. É da praxe, sempre que há estas trocas. Também é da praxe que os governos se atrasem, muitas vezes na nomeação, na indicação de pessoas para estes cargos. É conhecido há muito tempo que Mário Centeno dificilmente renovaria o mandato, primeiro porque a sua entrada no banco foi polêmica, a forma como entrou, passando diretamente do Ministério das Finanças. No fundo, foi ele que se autoinomiou, ou que se autoescolheu, obviamente com a concordância do então primeiro-ministro António Costa. E portanto, essa entrada foi polêmica, foi muito criticada na altura por muita gente, incluindo pelo PSD e por Joaquim Miranda Sarmento, que então era o porta-voz de Economia e de Finanças do PSD e agora é ministro das Finanças, e compete a ele agora nomear, tomar a decisão. A decisão estará tomada.

Dizia que era hoje, agora parece que já não é.

Exato. O negócio, se não erro, ontem escreveu que deveria ser hoje o anúncio da pessoa que vai ocupar o cargo. Em princípio, já não será. O governo não terá ainda o nome.

Poderá sair do Conselho de Ministros? É habitual que saia ou não?

Sim, pode e deve sair do Conselho de Ministros.

Então foram hoje às reuniões.

Certo. É possível, formalmente, que o anúncio seja feito hoje. Não sabemos é se o governo já está preparado, de facto, para anunciar o sucessor de Mário Centeno ou sucessora, porque é preciso que haja alguém para indicar e que concorde e que tenha os timings alinhados. Tem-se falado muitos nomes, os nomes mais óbvios, desde Vítor Gaspar a Ricardo Reis. Vamos ver. Também se falou em tempos de Álvaro Santos Pereira, que já fez declarações públicas a colocar-se um pouco de fora desse cargo, a dizer que estava muito bem onde estava, na CDE. Também em tempos falou-se da possibilidade de abrir um concurso público para o cargo. Há países que o fazem. O Reino Unido, por exemplo, abre um concurso público internacional, já chegou a nomear um canadiano para a liderança do Banco de Inglaterra, o que tem vantagens, obviamente, quando se fala muitas vezes das contaminações políticas destes cargos. Se vier alguém de fora, é uma pessoa que vem sem ter os números de telemóvel de quem é quem em português, isso é bom à partida. Vem para exercer um cargo técnico e depois vai-se embora e também não está à espera, depois de sair dali, que lhe arranjem outro lugar por cá. Portanto, há vantagens nisso. Mas vamos ver. E Mário Centeno teve também um mandato tecnicamente bom, como é evidente. O Banco de Portugal tomou decisões positivas, sobretudo na área da supervisão ao longo destes cinco anos e na área da comunicação e da literacia financeira. Em termos políticos houve polémicas, Mário Centeno estreiou uma série de formatos de intervenção pública que eram inéditos, nomeadamente artigos de opinião com a sua leitura pessoal sobre a conjuntura económica distribuídas através dos canais do banco, o que não tinha acontecido até agora. O banco é muito institucional, ou tinha sido muito institucional a esse nível e, portanto, as análises económicas estavam nos boletins trimestrais de conjuntura e eram feitos pelo gabinete de estudos. Mas, obviamente, a sua continuação estará em causa. Vamos ver o que ele vai fazer a seguir e vamos ver, sobretudo, que nome é que aparece para o Banco de Portugal.

Para o substituir.

Exatamente. Que tem neste momento uma função muito importante em termos, de facto, das regras comportamentais e de supervisão da banca, em termos de definição, como nós sabemos, de taxas de juro e de política cambial, que sempre foi a grande função central do Banco Central. Neste momento, nós sabemos que nós somos uma parte do BCE.

Depende muito do BCE.

Obviamente. É o BCE e o governador do Banco de Portugal tem obviamente assento na tomada de decisão, mas é um entre 19, basicamente.

Exatamente. Boa Moeda, Má Moeda com o Paulo Ferreira.