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Esta é a Boa Moeda, uma moeda das manhãs 360 sempre com o Paulo Ferreira. E Paulo, a inflação na zona Euro voltou a subir.
Voltou a subir e isso são más notícias para as decisões futuras do Banco Central Europeu. Apesar de ser uma subida da inflação, já lá vamos, que mantém uma série de produtos e serviços com níveis de crescimento de preços baixos. Mas cá está, são dados preliminares referentes a outubro, subiu de 3,8% em setembro para 4%, número redondo, agora em outubro. Só para recordar, em outubro do ano passado, a inflação estava em 2,1%. Portanto, estava ali mesmo naquele indicador que o BCE gosta, mesmo à volta dos 2%. Está praticamente no dobro agora. Olhando então para as componentes que fizeram subir a inflação, os preços da energia, obviamente, foram os que mais subiram: 20,8% de crescimento homólogo na zona Euro, uma aceleração em relação aos 18,9% que tinham tido em setembro. Portanto, aqui uma subida maior ainda. Mas depois vamos olhar pra componente dos serviços. A inflação está nos 3,3%, comida, álcool e tabaco 1,6%, e bens industriais não energéticos 1,2%. Ou seja, tudo crescimentos absolutamente baixos, mesmo considerando os objetivos do BCE. Mas, de facto, quando se faz depois a média com a energia, obviamente que a inflação dispara. Portanto, pode haver aqui alguma contenção do BCE, porque o efeito de contaminação parece não estar ainda a fazer-se para as zonas mais sensíveis do consumo, mas que são 4% agora em outubro. Portanto, vamos ver.
Entretanto, estamos no top de déficit de casas.
Exato. Somos os maiores. Conseguimos. Lisboa. Isto é um estudo divulgado ontem pela OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, e eles foram olhar para as regiões urbanas dos vários países da OCDE, regiões urbanas aqui áreas com mais de 1 milhão e meio de habitantes. Em Portugal, a Grande Lisboa qualifica para esta lista. E foram fazer o seguinte: foram ver entre 2011 e 2025, um período de quase 15 anos, quantas casas novas foram colocadas no mercado nestas regiões e qual foi a variação da população dessas regiões, porque estas regiões vão perdendo ou ganhando habitantes. E Lisboa aparece claramente, mas destacadamente no top deste déficit. Para termos a noção, neste período, 2011 a 2025, na região de Lisboa, a população aumentou 4,8 vezes. Houve mais 4,8 pessoas por cada casa colocada no mercado. É cerca do dobro do segundo país ou região considerada, que é da Nova Zelândia, que já aparece com 2,5 pessoas novas naquela região a viver por cada casa colocada no mercado.
Portanto, na Europa é mesmo.
Na Europa, sem dúvida. Na OCDE é toda, porque inclui alguns países não europeus, nomeadamente o Canadá, Japão, e por aí fora. Mas aparece depois Nova Zelândia, Austrália, Suécia, Noruega, Suíça, esta é a lista. Tudo na casa dos dois, duas pessoas por cada casa nova. Nós chegamos quase aos cinco em Lisboa, quase cinco pessoas por cada casa nova. Não há milagres. Obviamente que isto tem a ver com a imigração, como é evidente neste período. Não só com a imigração, também com as migrações internas. Nós sabemos que a desertificação do interior se vai fazendo também com a vinda de pessoas mais pro litoral, nomeadamente para a Grande Lisboa. E obviamente, o estudo salienta que esse desequilíbrio é particularmente acentuado nas regiões que registaram também um forte aumento de preços nos últimos anos, incluindo Lisboa e Madri. E, portanto, já que estamos a discutir tanto e bem a habitação, aqui mais um dado para perceber como é que chegamos aqui.