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Começa agora mais uma Boa Moeda, uma moeda das manhãs 360, sempre com o Paulo Ferreira. Paulo, é oficial: Mário Centeno é candidato a vice-presidente do BCE.

É verdade, o governo entregou, no final da semana passada, a candidatura de Centeno precisamente a esse cargo. Isto depois, obviamente, do próprio ex-governador do Banco de Portugal ter dito que estava interessado no cargo, como é evidente. Ninguém o forçou a isso, ele é que quer, e o governo e as candidaturas têm que ser feitas através dos governos dos respectivos países. O que está aqui em causa? Está em causa o lugar que vai ficar vago no final de maio. O espanhol Luis de Guindos vai terminar o seu mandato e há mais cinco na corrida. Há um finlandês que nós conhecemos bem, é o Olli Rehn, ele foi o comissário europeu dos assuntos financeiros e económicos quando nós estávamos sob a intervenção da troica. Depois, há aquele muito alto que fala um inglês com sotaque finlandês, como se poderia esperar.

Como é que é, Paulo?

É assim um bocadinho arrastado, sabes?

Pronto. Como nós à sete da manhã, não é? Arrastado.

Nós até português, quanto mais inglês.

Exato. Inglês com sotaque finlandês.

Isso. Depois há um croata, há dois letões. Letões, não confundir com a licoraria da Mealhada.

Nem leitões.

Exato. São o governador do Banco da Letónia e um ex-ministro das Finanças também da Letónia e, por fim, um governador do Banco Central da Estónia. Portanto, é o início de um processo.

Então quais são as hipóteses para Mário Centeno?

É difícil de perceber. Tem a ver com avaliações de currículo que se fazem. Enfim, todos terão a altura, como é evidente. O Centeno já foi o Ronaldo das finanças.

Exato. Claro, e presidente do Eurogrupo. Já tem currículo.

Exatamente. Tem currículo, é uma coisa forte. Isto deverá ser decidido agora entre janeiro e fevereiro. Há uma reunião do Eurogrupo que se vai debruçar sobre isso, mas depois a decisão passa pelo próprio BCE e pelo Parlamento Europeu. Enfim, para Portugal, qual é a diferença? Não há muita diferença, obviamente. Para ele é importante. Para o prestígio do país, também. Nós estamos a falar daquele órgão, daquele núcleo de pessoas que ajuda a decidir as taxas de juro de 15 em 15 dias no BCE, embora obviamente não sejam decisões individuais. Sabemos que Mário Centeno defendeu ao longo de todo este processo dos últimos anos, enquanto governador do Banco Central, uma política mais amigável do BCE, se quisermos. Ele foi dos últimos a defender a subida de juros e dos primeiros a defender a descida de juros. É uma posição muito própria daquilo que são os países do Sul, ao contrário dos países do Centro e Norte da Europa, que são mais falcões. Mas isso depois não pesa numa decisão que é tomada não só pela comissão executiva, como por todos os governadores do Banco Central. Portanto, que é mais prestígio do que propriamente aquela ideia: "É um português, vai favorecer Portugal". Não, as coisas não funcionam assim, e ainda bem que não.

Exatamente, ainda bem que não. Paulo, e em relação aos combustíveis, ouvi dizer que esta semana vai ser uma pasmaceira.

Uma pasmaceira. Olha, tipo sondagens das presidenciais. Tudo ali muito empatado, não avança nem recua, não se sabe muito bem. Por quê? Porque o gasóleo fica barato, mas só meio cêntimo, mais vale estar quieto. E a gasolina mantém-se com o preço inalterado. Sem mudança aqui no custo para encher o depósito.