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Segunda-feira é dia de olharmos para o preço dos combustíveis. Como é que estão, Paulo? Bem, obrigado?
Estão bem, obrigado. E os preços também lá em cima, bem obrigado. Fica quase tudo na mesma esta semana. O preço do gasóleo sobe €0,02. Enfim, não é nada por aí além, se olharmos para as subidas das últimas semanas.
O acumulado é que é.
O acumulado é que é. Pois, por isso é que se mantém lá em cima, mais um pózinho ainda. A gasolina desce €0,01, também não vai fazer grande diferença.
Desce €0,01?
Desce €0,01.
Vou já testar. Já testar não, sabe.
Exato, pra aproveitar pra semana, nunca se sabe. Feitas as contas, o preço médio do diesel vai continuar acima, obviamente, até porque vai subir acima dos €2, anda ali na casa dos 2,06 €/L, enquanto a gasolina desce para 2,15 €/L. Os preços finais-
Desce para 2,15. Isto é impressionante ao que chegamos.
Lá em cima mesmo, bem acima dos €2. Já sabemos que isto são preços médios, são preços de referência. Encontramos valores mais baixos e também mais altos, sobretudo nas autoestradas, mas mais baixos nalguns postos. Só por curiosidade, fui ao site da Direção-Geral de Energia e Geologia, que tem os valores atualizados dos postos todos, e o mais barato em Portugal neste fim de semana era em Vila Formoso, não por acaso, há a concorrência espanhola logo ali a 2 ou 3 km. No Intermarché de Vila Formoso, a gasolina estava a 1,759.
Olha a diferença. As pessoas ao ver este valor.
É impressionante. E o gasóleo a 1,779.
Se fosse mais perto, ia lá testar.
Estamos aqui a falar de quase 20% abaixo.
Tens que testar pra ir a Vila Formoso.
É verdade.
Tem que arranjar qualquer coisa pra ir fazer a Vila Formoso.
Só ir testar o depósito.
A testar chega.
Chegas cá com menos de meio depósito, mas pronto.
Entretanto, Paulo, as novas regras de crédito já estão em vigor.
Do Banco de Portugal, é verdade. Novas regras, sobretudo pra concessão de crédito à habitação. Entraram em vigor no dia um, portanto no início deste mês. São regras mais exigentes, sobretudo na aplicação daquilo que é a chamada taxa de esforço para aprovação de empréstimos. Os bancos agora, por recomendação do Banco de Portugal, só devem aprovar um crédito se a taxa de esforço de todos os empréstimos do cliente não superar 45% do rendimento líquido mensal. Até agora, essa percentagem que estava em vigor era de 50%. O que isso quer dizer? Que estes 45% correspondem, no fundo, à fatia máxima do rendimento que um particular ou um agregado familiar podem destinar ao pagamento do empréstimo. Atenção, as contas são feitas não no cenário da taxa de juro que está a ser contratada, no momento real pra o empréstimo, mas num cenário de teste de estresse, como se diz, em que se agrava em 1,5 ponto percentuais a taxa em vigor. Isto é, se a taxa em vigor agora, com o spread que esteja a ser aplicado àquele cliente for 3,5%, por exemplo, o teste que se faz pra isto é 5%, no caso. Portanto, 3,5 mais 1,5 acima. No fundo, pra quê? Como estamos a falar de empréstimos com décadas de duração, 30, 40 anos muitas vezes, para prevenir que uma eventual variação dos juros, pelo menos em 1,5 durante esse prazo.
Como já sabemos, pode acontecer.
Como vimos nos últimos anos, que acontece e até numa amplitude muito maior. Portanto, são regras mais exigentes. Há a possibilidade de os bancos não cumprirem isto, é, de irem além dos 45%, mas são situações excecionais, dependendo também das condições financeiras e patrimoniais, obviamente, de quem está a pedir o crédito. E obviamente, o Banco de Portugal explica isto por duas razões. Primeiro, conter o endividamento das famílias, e também reforçar aquilo que é a solidez dos bancos, prevenindo que, numa eventual crise imobiliária e de subida da taxa de juro, os bancos fiquem com imóveis que as pessoas não podem pagar, e não recebendo o empréstimo, que isso fragilize a situação financeira dos bancos.