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Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda, sempre com o Paulo Ferreira. Paulo, há cada vez mais dinheiro em depósitos bancários.

É verdade, bateram-se recordes de novos depósitos em julho, dados do Banco de Portugal, também porque, ao mesmo tempo que as taxas de juro que remuneram esses depósitos também aumentaram. Aumentaram em julho para 1,59%. Não é nada de mais, são mais 0,04 € face a junho. Obviamente que este aumento dos juros dos depósitos vai acompanhando também a subida das Euribor, a subida das taxas que se aplicam aos créditos à habitação, e por aí fora, mas está a um nível muito abaixo, como é evidente. Ainda assim, este é o valor mais alto desde abril de 2025 e esta subida dos juros vai acompanhando isso. De qualquer forma, ainda estamos aqui a falar de uma taxa abaixo de 1,6, quando a inflação está em 3,2%. Deixar dinheiro de que não se vai precisar nos próximos meses num depósito bancário é basicamente ir queimando dinheiro, ir perdendo dinheiro para a inflação e é bom que as pessoas tenham noção disso.

Outras formas de rentabilizar.

E olhando aqui, de facto, para aquilo que disse a Srª. João, que em julho foram também batidos novos recordes máximos de dinheiro, de novos depósitos. Foram 13 mil milhões de euros que os portugueses lá deixaram. Estamos a falar de depósitos de saldo de particulares. É dinheiro que se é para constituir aquele fundo normal que as pessoas devem ter de alguns meses de despesas, tudo bem. Se é para deixar lá com uma perspetiva de médio, longo prazo, é perder dinheiro para a inflação.

É pensar noutras alternativas.

Já aqui falámos. Entretanto, Paulo, há uma nova burla que envolve o envio de um cartão bancário.

É mais sofisticada, é mais elaborada. O alerta vem da GNR. No fundo, a vítima recebe no correio uma carta igual àquela que os bancos enviam, com o envio de um novo cartão, para substituir um que supostamente está em vias de caducar ou caducou. É assim o processo automático, nós já nem precisamos de pedir o cartão ao banco, o banco envia-nos. Nem vamos estranhar assim à primeira vista.

Se calhar nem vamos ver se de facto expirou.

Expirou o outro, é isso. Nós não andamos sempre a olhar para as datas de validade dos cartões. Nessa carta vêm os passos para alegadamente ativar o cartão, que é um processo também que nós estamos habituados quando chega um cartão novo.

O PIN novo.

Com o PIN novo. E para o ativar, para dizer ao banco: "Ok, já o recebi, podem pô-lo em funcionamento". A carta diz que vá urgentemente. Depois estas coisas são todas assim. Vá rápido e tem não sei quantos dias, horas para o fazer, e por aí fora, ao site do banco para ativá-lo. Senão bloqueiam-lhe a conta. Há aqui alguns sinais de alerta também. A carta dá um link que surge através de um QR code, isto é, nós nem sabemos qual é o link para que estamos a dirigir o telemóvel, por exemplo, porque estamos a fazer a leitura de um QR code. O site, obviamente, não é verdadeiro, é um site clonado, e quando introduzimos ali os dados, estamos, no fundo, a transmitir os nossos dados de acesso e estamos, no fundo, basicamente a entregar o dinheiro, o ouro ao bandido, aqui usando a velha expressão.

A abrir a porta.

Sem dúvida. A GNR lança o alerta, para desconfiarmos sempre. Temos sempre uma dúvida metódica que é muito útil nestes casos, isto é, temos que olhar bem para o site, olhar para o endereço que aparece na barra do site para saber se de facto é o endereço comum do nosso banco. E em último caso, ou até em primeiro caso, pegar o telefone e ligar para as linhas de apoio para saber se nos enviaram o cartão novo. E aí, sim, estamos nós a ligar para o banco, sabemos para onde é que estamos a ligar.

E não a receber uma chamada de salto usado.

Exatamente. E aí podemos dar as credenciais de acesso que nos vão pedir, certamente, nestes apoios telefónicos. E a GNR alerta aqui para o impacto muito elevado deste tipo de fraudes e para os métodos cada vez mais sofisticados, que vão acompanhando aquilo que é a nossa confiança, que vai aumentando na utilização destes serviços. Aqui há 10 anos discutíamos se as pessoas faziam mais comércio online ou menos comércio online, por causa das questões e dos receios de segurança. Isso agora banalizou-se, de alguma forma, e obviamente que os burlões também aproveitam essa nossa confiança. Todo o cuidado é pouco.

Ficam cada vez mais sofisticados.

Mais sofisticados, sem dúvida.