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Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda e começamos por uma boa moeda, uma boa notícia.

Então.

Os combustíveis estão mais baratos.

E espero que vocês não tenham cometido a imprudência de atestar este fim de semana.

Não, eu ontem fui avisar todas as pessoas que estavam na fila para colocar o diesel e o gasóleo.

Eu ontem dei voltas à volta do quarteirão só para gastar, não queria ir atestar agora barato.

Quiseste poupar.

Assim poupo.

Atitude racional, poupança.

Sim, poupa-se bastante.

Andar a gastar e deitar fora, se for preciso. Porque agora é bastante mais barato.

"Ah, aquela palhinha era para isso, quando me pediste."

Aquela magrinha era para puxar.

Era as últimas gotas.

Mas é verdade. Cerca de €0,10 por litro é quanto estão a cair esta semana o preço dos combustíveis. A descida, feitas as contas, seria €0,12 do gasóleo, €0,125 da gasolina, mas o Governo aproveita estas descidas para mexer naquele mecanismo do ISP, neste caso sobe o imposto e então a descida fica cerca de €0,10 para cada um. Ambos vão estar abaixo dos €2. A gasolina vai estar mesmo abaixo de 1,9, ali na casa de 1,8 € por litro. Mas lá está, isso são preços médios de referência. Encontram certamente combustível mais barato em marcas ditas low cost, ou então usando aqueles sistemas de descontos, de cruzados entre várias empresas e várias marcas, sobretudo da distribuição em marcas de combustível, que permitem, de facto, cortar ali alguns cêntimos por litro. Mas pronto, cá está, uma boa notícia.

Os preços voltam àquilo que eram antes.

Claro.

Estavam antes do conflito.

Quando os mercados normalizarem esse posto, não é? Do mercado da matéria-prima original, aqui o Brent e o petróleo, o crude, mas o mercado dos refinados também, que também está muito afetado.

Afetado, sim. Vamos esperar por isso.

Muito bem.

Entretanto, vem aí mais uma revolução nas relações de trabalho.

É verdade, vocês estão preparadas para conhecer os salários das pessoas que trabalham convosco daqui?

Não, não me interessa.

Pois, mas vai acontecer de forma mais direta. Vai entrar em vigor daqui a uns meses. Há uma diretiva europeia de 2023, a diretiva para a transparência salarial, que obriga as empresas todas a divulgar os salários praticados. Isto é, sobretudo, e a primeira ideia é combater o wage gap entre homens e mulheres, aquele diferencial que há nos salários que são pagos a homens e mulheres, mais nos homens do que nas mulheres, para funções idênticas, mas estende-se obviamente a todos os trabalhadores. Portugal tinha até o dia 7 de junho para transpor, Portugal e os outros países, para transpor para a lei portuguesa esta diretiva. Falhou o prazo, que é muito vulgar também quando se trata da transposição de normas europeias, mas agora vai avançar. E a Ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, já enviou para os parceiros sociais o projeto da proposta de lei que vai então executar a diretiva comunitária para as empresas. Bom, isto partindo do princípio que vai ser aprovado como está, obviamente, neste projeto do Governo, mas alguma coisa terá que ser feita a este nível para não estarmos em incumprimento da lei comunitária. Para as empresas, passa a ser obrigatório que todos os anos informem os trabalhadores de que podem requerer, não vai ser um papel colocado na parede, mas o direito à informação dos trabalhadores está lá. Todos os anos, os trabalhadores podem requerer informações sobre o seu nível de remuneração individual e os níveis de remuneração médios praticados na empresa. A informação deve ser fornecida de forma desagregada por género e para os grupos de trabalhadores que executem trabalho de valor igual, obviamente, pessoas equiparadas ou equiparáveis. E as empresas passam a ter o prazo de dois meses para disponibilizarem essa informação aos trabalhadores que a solicitem. O pedido deve ser feito e deve ser satisfeito em dois meses. Isto é a questão da transparência salarial dentro da empresa. Depois, nos processos de entrevistas e de admissão, de recrutamento, os empregadores, as empresas que estão a contratar, ficam impedidas de pedir aos candidatos a esse emprego informações sobre o seu historial de remuneração, em cargos, em empregos anteriores, e são obrigadas a dizer aos candidatos qual é a remuneração inicial ou o intervalo de remuneração antes da assinatura do contrato. Aquela pergunta habitual, quanto é que ganha neste momento, para pessoas empregadas, deixa de poder ser feita, que é para as empresas não balizarem.

Não jogarem com isso.

Exato, não jogarem com isso, não oferecerem basicamente dentro desses valores. E aquele mistério que às vezes se faz sobre a remuneração que se vai ter no cargo, tem que ser devidamente esclarecido.

Antes da assinatura do contrato.

Portanto, vêm novidades a este nível. Vamos ver depois a versão final da lei, quando é que vai ser aplicada.