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Este é o som da boa moeda, má moeda das manhãs 360. Sabem o que vos digo? O salário é importante, mas não é tudo na vida. Obrigada, Paulo, por nos trazeres este momento de reflexão.
Nós pensamos sempre nisto quando o despertador toca, não é?
É verdade.
Não é pelo salário que eu me estou a levantar às 4h.
É pela alegria.
É a alegria.
É verdade. Foi a boa moeda hoje.
Eu pensei nisto.
Conta-nos tudo, Paulo.
Querem saber tudo?
Vamos refletir, sim.
Então pronto. Isto são estudos, vocês estão aí nervosos.
Estudar, sim.
Isto é ciência. Neste caso é o Workmonitor 2026, da Randstad, uma empresa de recursos humanos. É um estudo que eles fazem anualmente, pessoas de vários países, no caso de Portugal. Chegam à conclusão que o salário tem um papel fundamental quando se trata da entrada no emprego, na contratação, mas quando se trata de reter aquela pessoa, a pessoa ficar na empresa ou não, o salário perde importância e deixa de ser o fator mais importante. Para 51% dos profissionais inquiridos em Portugal, o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional acaba por ser o fator mais importante para se manterem na função, no posto, no emprego atual. Isto é mais do dobro. Estes 51% são mais do dobro daqueles que dão prioridade, antes de mais, ao salário, à remuneração, que são 23%. E depois a segurança no emprego vem logo a seguir e é valorizada em primeiro lugar por 22% dos inquiridos. Isto, quando falamos, de facto, de ficar no emprego. Agora, quando estamos na entrada, quando uma empresa quer contratar, 87% das pessoas são atraídas, aí sim, pelo salário. É claramente o fator mais importante, sendo que depois quase metade, 42%, não aceitava um novo emprego sem flexibilidade de local. Aqui a questão do teletrabalho ganha cada vez mais importância para as pessoas que podem fazê-lo, sobretudo nas camadas mais jovens. Querem, sempre que podem, de alguma forma ter flexibilidade para poder trabalhar a partir de casa ou de outro local qualquer, e 40% rejeitava uma função sem flexibilidade de horário. Portanto, aqui a flexibilidade é cada vez mais um ponto para as gerações mais novas, não só de local, geográfica, como também de horário. Para quê? A questão do horário é fundamental para o tal equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional. Vocês que trabalham 12 horas por dia deviam ter atenção a isto, de alguma maneira. Há coisas mais importantes do que o salário, Carla e Maria João, basicamente.
O que é certo é que é o salário que paga a energia que consumimos lá em casa, não é?
E vai ser preciso, provavelmente, mais salário, uma fatia maior de salário para pagar.
Está tudo ligado.
Está tudo ligado. É verdade, os preços da energia voltam a estar sob pressão. Porquê? Porque tudo o que é instabilidade, neste caso com o Irão, acaba por afetar os preços, como é evidente. O petróleo está em valores máximos desde outubro. Na altura, andava ali próximo dos $60 por barril, e aqui estamos a falar do Brent do Mar do Norte, que é aquele que é a matéria-prima mais utilizada na Europa e em Portugal. Agora já passou para os 65, são quase 10% aqui de subida. O gás natural também está a subir, e está a subir bastante. Aqui com uma ajuda forte do inverno, que está a ser muito rigoroso em partes importantes do globo, o que obriga a gastos maiores de energia com aquecimento. E obviamente que as ameaças de Donald Trump.
Das tarifas.
Ameaça tudo.
Tudo, depois mexe com tudo.
Com a Gronelândia. Ameaça tudo. Portanto, cada vez que ele ameaça, são mais uns cêntimos ali no preço do gás natural e pagamos todos a fatura. No caso do gás natural, nos últimos dias já aumentou 20% nos mercados de matérias-primas portanto, brevemente há de chegar às nossas faturas, sendo que Portugal não é um país muito dependente de gás natural, mas de qualquer maneira.
Vai-se sentir.
Sente-se sempre.