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Paulo, o petróleo não dá tréguas.

O petróleo. Ontem mais um salto num dia substancial, 3%. Foi quanto subiu o Brent para a casa dos US$ 108. Chegou a estar a 110 na sessão, depois acabou por cair ligeiramente.

Isto provavelmente também por causa dos avanços dos houthis.

Dos houthis e a questão do oleoduto Leste-Oeste, que no fundo é uma espécie de bypass, fica ali na Península Arábica e transporta petróleo do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho, contornando assim, em parte, obviamente, porque não tem a capacidade, o constrangimento do Estreito de Ormuz. Ontem foi encerrado, depois de ataques de drones, esse oleoduto e deixa o petróleo produzido ali, digamos, a norte do Estreito de Ormuz, no Golfo, ainda mais encurralado, sem pontos de saída, porque também houve um ataque a um navio mercante no Estreito de Ormuz, contra um triplante. E, portanto, a conjugação de todos estes acidentes, se quisermos.

Tem impacto logo.

Tem logo impacto, porque começa-se a fazer as contas e toda a gente pensa que começa a ser cada vez mais difícil tirar dali petróleo, daquela zona petróleo, nas condições que o mercado quer. E isto, obviamente, fez disparar imediatamente o petróleo para os US$ 108 por barril, não se sabendo, de facto, agora quando é que os preços caem, quando é que estas coisas, sobretudo a questão estrutural do Estreito de Ormuz, se vai resolver. Depois também há muita refinação de combustíveis que está danificada com vários ataques. Pronto, tudo isto provoca constrangimentos nas cotações dos mercados internacionais, que depois nos faz pagar os combustíveis mais caros de uma forma temporal que não sabemos quando é que vai terminar.

Ontem foi, de facto, um dia complicado para os mercados.

Os mercados tiveram não só a questão do petróleo, como também a subida das taxas de juro, que já vem das últimas semanas, que no fundo está tudo ligado. A subida das taxas de juro tem a ver com a perceção de que vamos ter inflação elevada durante muito tempo. E ontem, como se não bastassem já estas questões, juntou-se os receios com o desenvolvimento da inteligência artificial, depois dos alertas dos últimos dias. Por quê? Porque há muitas empresas tecnológicas, obviamente, envolvidas no desenvolvimento da IA, e há muita dívida também que estas empresas contraíram ao longo dos últimos tempos, precisamente para desenvolver a inteligência artificial. O mercado ontem esteve com quedas fortes no setor tecnológico. E podemos olhar aqui, por exemplo, para todas as empresas que de alguma forma têm a ver com o desenvolvimento da IA, não diretamente aquelas que nós conhecemos como a Anthropic ou a OpenAI, apenas, estiveram em queda. Aqui falamos, por exemplo, de empresas que fabricam chips, a Intel, a NVIDIA, a SanDisk, o AMD, tiveram quedas no dia entre os 4 e os 6%, se quisermos, que são substanciais. Mas depois, por exemplo, também olhamos para o Japão, o SoftBank perdeu cerca de 10%, depois de estar a cair 13%. Por quê? Porque o grupo japonês é um dos principais investidores da OpenAI e, portanto, apanha por tabela, por assim dizer. Fabricantes de memórias como a Kioxia também com uma forte queda, próxima dos 10%. A empresa holandesa de semicondutores, a ASML, também com quedas fortes. E, portanto, tudo aquilo que de alguma forma tem a ver com este ecossistema da inteligência artificial a registar fortes quedas, no fundo, são os investidores a pararem um bocadinho para pensar o que é que isto vai dar. Porque há perspetivas de negócio que podem travar e, sobretudo, há muita dívida destas empresas que foi contraída nos últimos anos, que pode estar em causa. Em simultâneo, tivemos também ontem as obrigações do Tesouro americano, a dívida pública americana a 10 anos, a ultrapassar uma barreira crítica dos 5% de taxa de juro. É a primeira vez desde 2023 que esta barreira é ultrapassada. Ou seja, está-se aqui a criar uma tempestade que pode ser mais extensa ou menos extensa, mas que pode não augurar nada de bom durante muito tempo nos próximos meses.

A Carla bem nos lembrou disso há uns dias, devias voltar a fazer a tempestade perfeita.

A tempestade perfeita. Mas a Carla agoirou com isso, claramente.

Eu só estava a ver os sinais. Só estava a ler as estrelas.

Foi ela.

Que a estrela não diga nada.

Foi ela.