O chanceler alemão, Friedrich Merz, atacou esta quinta-feira o antissemitismo e a xenofobia numa ação de campanha do seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), antes das eleições regionais do próximo fim de semana na cidade-estado federada de Berlim.

A mensagem emitida pelo chefe de Governo teve um duplo objetivo: distanciar-se tanto do partido A Esquerda (Die Linke), como do da extrema-direita, Alternativa para a Alemanha (AfD).

“A Alemanha é um país de imigrantes e continuará a sê-lo. A xenofobia não tem lugar no nosso país”, sustentou Merz.

Sem os muitos imigrantes que trabalham na Alemanha, muitos hospitais não funcionariam“, acrescentou.

Salientou, contudo, que a Alemanha precisa de uma imigração orientada para o mercado de trabalho, e não para os sistemas de assistência social, e defendeu a atuação do seu ministro do Interior, Alexander Dobrindt, para restringir a entrada ilegal de migrantes.

O líder alemão afirmou também que “a pior forma de xenofobia é o antissemitismo” e acrescentou que, em Berlim, é preciso fazer tudo o que for necessário para garantir que a comunidade judaica se sente segura.

O candidato da CDU à presidência da Câmara de Berlim, o atual titular das Finanças, Stefan Evers, compete com A Esquerda e com a AfD pela vitória nas eleições berlinenses.

As sondagens apontam, neste momento, para um empate técnico entre a CDU e A Esquerda, com cerca de 20% das intenções de voto cada uma, ao passo que a AfD surge com menos dois pontos percentuais.

A crítica de Merz à xenofobia em geral visava a AfD, enquanto a rejeição do antissemitismo aludia a certas tendências dentro do partido A Esquerda.

Houve um episódio numa ação de campanha do partido A Esquerda em que um ‘rapper’ incitou à morte de soldados israelitas, atitude posteriormente repudiada pela candidata do partido à presidência da Câmara, Elif Eralp.

Num debate televisivo recente, Evers disse que, embora acredite na rejeição do antissemitismo por Eralp, tudo indica que não tem o seu partido sob controlo.

As sondagens indicam que, após as eleições regionais, haverá duas coligações possíveis em Berlim: uma liderada pela CDU e outra pelo partido A Esquerda, ambas completadas pelos Verdes e pelo Partido Social-Democrata (SPD).

Atualmente, a capital alemã é governada por uma aliança entre a CDU e o SPD, a mesma coligação que Merz lidera no Governo federal.