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Bem-vindo ao "Brainstorming", o magazine de criatividade da Rádio Observador, onde esta semana parece que alguém falhou no teste e nem se preocupou em fazer cábulas. É que o que devia ser uma avaliação justa acabou a soar mais a teste de resistência ao absurdo. Estamos naturalmente a falar dos exames nacionais, que deviam medir conhecimento com rigor e serenidade, mas que desta vez deram ao país um daqueles exemplos muito portugueses de modernização, que começa em promessa e acaba em perplexidade geral. O resultado é então um país inteiro a olhar para a correção dos exames como quem olha para um semáforo avariado. Ninguém sabe muito bem quando avançar, mas toda a gente sente que algo está errado. Por aqui, no "Brainstorming", hoje avançamos para a conversa com Marco Crespo, enólogo da Quinta do Sampaio, e vamos fazê-lo para celebrar 300 anos de história da marca e percebermos também como se constrói valor sem perder autenticidade. Para além da conversa, temos naturalmente as notícias da semana. E aí temos fãs dispostos a tudo por um concerto, prêmios que continuam a dar brilho à produção nacional e uma rede social que quer ensinar-nos a não cair de cabeça no que se vê. E começamos pelo Spotify, que lançou Reserved, uma funcionalidade exclusiva para subscritores premium, que dá acesso antecipado a bilhetes para concertos aos fãs mais dedicados, e só a eles. Em vez de fazer uma apresentação fria e funcional, a marca escolheu uma curta-metragem de animação criada pela produtora parisiense Remembers. Isto para mostrar onde pode ir a devoção musical. No filme, há personagens que esperam em filas no deserto, vendem o próprio cabelo e sacrificam momentos importantes da vida, tudo para não perder o concerto do seu artista favorito. A peça mistura desenho manual com animação digital, fotograma a fotograma, construindo um universo meio artesanal, meio onírico, que traduz bem esse estado quase irracional que só a música consegue provocar e com muito pouca inteligência artificial, o que nos diz que correm ainda mais do que destacados. No fundo, o Spotify percebeu uma coisa simples: quando a paixão é grande, a forma de a comunicar também tem de ser. Ao sentir aquela presença tão real, tão intensa. Passamos agora para a Lobby Films and Advertising, que voltou a destacar-se lá fora. Uma salva de palmas para esta malta. Desta vez, foram distinguidos nos US International Awards com ouro para "Em Verde Vivo", o filme produzido para o turismo do centro de Portugal, e uma prata para "A Ilha", produzido para a Bem Saúde Hotels. São dois filmes que continuam a colecionar distinções e a reforçar o espaço da produção portuguesa no circuito internacional de turismo e a promoção dos destinos. Estas campanhas já tinham sido premiadas anteriormente, tanto nos Muse Creative Awards como no Festival Internacional de Filmes de Turismo do Japão, ainda nos Prêmios Lusófonos da Criatividade e nos New York Festival TV & Film Awards. É verdade que isto não é só uma lista de medalhas. O que é mesmo é a prova de que há filmes que não se limitam a mostrar lugares, conseguem fazer com que as pessoas sintam vontade de lá estar, o que é muito mais difícil, mas também muito mais valioso. Recordo só "Em Verde Vivo" para o turismo do centro de Portugal e "A Ilha" para a Bem Saúde Hotels. Vale mesmo a pena dar uma espreitadela. No fundo, esta é uma dessas semanas em que a criatividade portuguesa mostra que sabe ir mais longe do que o ruído à sua volta, mesmo quando no sistema tudo corre mal. Mais uma edição do "Brainstorming" e nesta temos o prazer de conversar com Marco Crespo, enólogo da Quinta do Sampaio. Marco, seja muito bem-vindo aqui ao "Brainstorming". Olhamos desde já para o sítio onde trabalhas, a Quinta do Sampaio, com mais de 300 anos de história. Conta-nos lá qual é que é o peso de carregar esta herança. É mesmo um peso ou é um orgulho ou é um misto das duas?

Olá, Hugo. Está tudo bem?

Tudo ótimo.

Não, não é peso nenhum. Isto é mais uma inspiração do que peso, porque com muita tradição, vinha a tradição, vinha a cultura e pra nós, 300 anos refletem aquilo que o Visconde do Cartaxo, há mais de 300 anos, fazia na quinta.

Pois, porque a quinta fica mais ou menos próximo de Lisboa, já na região do Rio Bates. Ainda é assim?

Sim, concelho do Cartaxo. Três quilômetros do Cartaxo, é muito perto do Cartaxo, mas é Vale da Pinta. E como todos os bons regionalismos, há muita disputa entre Vale da Pinta, Pontevel, Cartaxo. Nós temos de ser Vale da Pinta.

Ok, muito bem. E nestes 300 anos, estavas a dizer que servem como inspiração, ou seja, o legado transparece no vosso espaço, em quem prova os vossos vinhos. Fala-nos um pouco mais acerca de como é que essa história vos dá identidade também.

Ok. O Visconde do Cartaxo foi há mais de 300 anos. Isto é real, porque isto é tudo fruto de pesquisa do meu colega Pedro Emídio, que é um apaixonado por estas coisas. E existe vinho com rótulo imprimido, sendo o primeiro da região, pelo Visconde do Cartaxo. Lá está, há mais de 300 anos.

Ainda têm exemplares disso na adega?

Não temos na adega, está no Museu do Vinho do Cartaxo, propriedade municipal.

Incrível.

E onde está a garrafa de vidro Com rótulo impresso, como conhecemos nos dias de hoje. Portanto, isto é extraordinário.

Na altura não havia muitos rótulos como existem hoje em dia, imagino.

Não eram muitos, não havia.

Mas seria pintado à mão?

Exatamente, em stencil. Historicamente, o que é que hoje em dia é mais parecido? Ao vinho do Porto, em que é pintado com tinta branca, com stencil, em que se mete o nome da casa, o ano de colheita. E sim, pintado no vidro.

Essa parte consegue-se historicamente perceber. Há alguma evolução no que diz respeito à marca, mas ao nível dos sabores, como é que se vão passando os ensinamentos de geração em geração?

A enologia, já não vou assim tão longe, mas a enologia, se calhar nos últimos 100 anos, a par da farmácia, a par da medicina, evoluíram imenso. E portanto, hoje em dia, a tecnologia ajuda-nos, pelo menos na minha parte, enquanto enólogo já há mais de duas décadas, ajuda-me imenso a controlar o produto final. Portanto, esta evolução da maneira como se analisa, a maneira como se produz vinho hoje em dia, tem muita tecnologia associada, mas nós não estamos a inventar nada. Para mim, é uma ferramenta eficaz para controlar aquilo que eu produzo e para produzir de qualidade.

Então eu posso fazer uma provocação?

Claro.

Pode-se dizer com essa tecnologia toda, com esses mecanismos de controle, hoje em dia só faz mau vinho quem quer?

Sim.

Pelo menos falando de vinhos profissionais.

Queres uma resposta direta e curta? Sim. Porque com boas uvas é extremamente fácil de fazer vinho. Porque fazer vinho é fácil. Fazer vinho muito bom é que é difícil, porque vinho é pormenor, é dedicação, é detalhe.

É intuição também?

Intuição, sonho, criatividade, é isto tudo que hoje em dia a Quinta do Sampaio quer transmitir.

Estavas a falar acerca desse rótulo, dessa garrafa com rótulo com quase 300 anos. A marca acredito que também já tenha passado por muitas mudanças. Há alguma transformação que destacarias ao nível da marca ou foram as transformações tecnológicas que foram também contribuindo para essa própria transformação da marca, essas transformações de que estávamos a falar?

Sim, houve imensas transformações, principalmente nas últimas três décadas. A Quinta do Sampaio foi adquirida pela família da Ana Macedo e portanto, neste momento, o meu trabalho junto à minha equipa é reerguer a Quinta do Sampaio, mas numa forma atualizada. O que isto quer dizer? Aberta, apostada em produção de uva de uma maneira diferenciada daquilo que é convencional, se assim quisermos chamar, porque nós estamos apostados em produzir uva de outra forma.

Mas pelo que sei, o projeto da Quinta do Sampaio hoje em dia não é só vinho, vai para além do vinho, não é?

Exatamente. O projeto Quinta do Sampaio é muito mais do que vinho. Fica sempre bem ter uns vinhos porreiros. Mas a Quinta do Sampaio é uma marca que nós queremos transmitir e uma marca onde as pessoas possam visitar a quinta e experienciar outras coisas e não só a simples prova de vinho.

Ok. Como por exemplo, o que é que se pode fazer na Quinta do Sampaio?

O que é que se pode fazer na Quinta do Sampaio? Hoje em dia, o que é que o consumidor procura? Procura não só a simples prova de vinhos. Alguns sim, mas nós podemos fazer um upgrade a isto, nós podemos fazer muita coisa. Ao mesmo tempo, provamos vinho. Na Quinta do Sampaio, nós temos experiências muito engraçadas. Imagina que tu estás a fazer uma pintura com o próprio vinho que estás a provar.

Como assim?

Pintar com vinho. É possível.

Com vinho branco e com vinho tinto ou só é possível pintar com vinho tinto?

Possível com vinho tinto. Fica muito melhor e o matiz é diferente. Mas nós temos uma parceria com um artista plástico italiano máximo. Não é comigo. Acho que sou um bocadinho mau a desenhar.

As tuas pinturas são outras.

Exatamente. Ele promove um workshop, chamemos-lhe assim, em que é possível estar na quinta. Ele promove esse workshop, fornece as telas, fornece os pincéis, nós fornecemos o vinho, as pessoas podem estar a provar e dedicarem-se à pintura com vinho. E isso é engraçado, porque ele tem aquilo bem montado. Ele consegue dar muitas guias orientadoras para as pessoas fazerem alguma coisa e levarem para casa e ficar de recordação.

Mas essa experiência, imagino que tenha outras, mas por exemplo, essa experiência tem que ser marcada. Não basta chegar lá e dizer: "Olha, quero pintar com vinho".

Tirando uma prova simples de vinho, que pode ser quase na hora, mas o resto das coisas convém agendar.

Ok, então para além dessa pintura com vinho, para além dessas simples provas, o que é que estão a fazer para além do vinho?

Podes fazer exatamente o vinho. Há uma experiência que se chama fazer vinho como um enólogo, ou enólogo como um dia, em que eu forneço vários lotes de vinho e que tu loteando, misturando, portanto, vinhos de castas diferentes, imagina, por exemplo, tentas fazer o melhor vinho do mundo.

E não ficas com medo de ficar sem trabalho com esses enólogos por um dia?

Não, porque depois aquilo passado duas horas acaba.

Muito bem.

Mas é interessante. E nós temos outras coisas, temos cavalos, temos charretes, temos várias instalações onde podemos receber desde pequenos grupos até grupos de 200 pessoas. A própria quinta já faz festas sérias, casamentos e batizados.

Os eventos também estão dentro do âmbito deste ir para além do vinho, ou seja, explorar o espaço, aproveitar o espaço, aproveitar todas as componentes, se assim podemos dizer, as cambiantes do vinho e que envolvem a produção de vinho.

Exatamente, a quinta é enorme. A quinta tem quase 100 hectares de propriedade.

Bolas.

Muito. Destes, quase 60 são vinhas. Temos agora um olival que são quase 11 hectares. Portanto, nós fizemos o lançamento do nosso azeite, o primeiro azeite produzido pela Quinta do Sampaio, lançámo-lo neste Natal. Muito vinho, que apesar de tudo, com muita área de vinha, nós estamos a fazer pequenas produções. Estamos a falar de 10 mil garrafas de cada espécie, branco e tinto, e também temos uma novidade com um rosé, mas principalmente o que nós estamos apostados é diversificar os nossos vinhos através da produção de uva.

Mas de uvas diferentes, de castas diferentes?

Sim, portuguesas, sobretudo. Nós temos grande variedade de castas internacionais também, que estão implantadas na nossa quinta, mas neste momento comunicar Portugal através de vinho produzido com uvas próprias, ou seja, na nossa quinta, e de castas portuguesas.

E como é que se distingue a identidade da Quinta do Sampaio? Falavas há pouco daquele orgulho regional das diversas terras ali à volta do Cartaxo, mas também existe alguma concorrência, ainda que saudável, acredito, na região dos Vinhos do Tejo. Como é que se distingue a identidade da Quinta do Sampaio dentro da região dos Vinhos do Tejo?

Começa logo da maneira como estamos a produzir a uva, o que eu falava há pouco de regime convencional para regime regenerativo. O que é isto do regenerativo?

Isso não é demasiado técnico?

É demasiado técnico, mas acreditamos nós no futuro. O que nós queremos fazer com práticas regenerativas e sustentáveis? É cuidar de um ativo primordial que é o solo. O solo está muito pobre, de uma maneira global, não só em Portugal, mas a nível mundial, e é do solo que tudo vem e é ao solo que tudo vai voltar. Portanto, nós temos que começar a pensar, e nós somos bastante preocupados com isso, de produzir de uma maneira diferenciada, em que temos que trazer vida ao solo, que está muito pobre, que tem pouca matéria orgânica.

E a tecnologia também ajuda a isso?

A tecnologia ajuda imenso a isso. E está mais que provado que o caos climático que se vive, chover quando não era pra chover, chover imenso quando devia ser regrado, grandes tempestades em zonas geográficas onde normalmente não acontecia, isto é a prova mais que provada que isto está a mudar. Aliás, isto já mudou.

E é impossível controlar isso. Há alguma coisa que se possa fazer para preparar as colheitas?

Pequenas gotas, como nós estamos a fazer. Tantos pesticidas não serão tão necessários, se calhar, outro tipo de mobilização de solo, que não aquela normalmente aplicada. Por exemplo, tu se fores à Quinta do Sampaio, vais ver vinhas com muita erva, mas esta erva não é só erva, esta erva podem ser culturas de cobertura que foram plantadas para dar um aporte ao solo a nível de água e de ar.

E culturas de cobertura são culturas que protegem a própria vinha, é isso? Estou a perceber bem?

Não é uma questão de protegerem a vinha. O que é que elas aportam? Elas aportam, principalmente, um solo que está compactado, argila ou calcário. Agora, se calhar, já estou a falar um bocadinho técnico demais. O tipo de solo. Argila é barro, barro é um terreno muito forte, que quando está muito mobilizado. Eu vou explicar isto de maneira simples: um trator passa muitas vezes no mesmo sítio, está a compactar o solo, porque um trator pesa umas toneladas. Esse solo supercompactado tem pouca vida, tem pouco ar, pouca água que penetra nele e, portanto, está muito pobre a nível de nutrientes, na maior parte das vezes.

E o que é que tem que se fazer? Tem que se mexer o solo? Ou essas plantas ajudam?

Exatamente, essas sementeiras que nós promovemos, vários tipos de raízes, umas mais compridas, umas mais largas, irão penetrar de maneira mais natural. Claro que isto leva tudo muito tempo. Não estamos a falar em lavrar, mas estamos a falar de uma maneira mais biológica ou mais natural.

E pode-se dizer que essa é uma das formas como se adaptam a estas alterações climáticas que já se estão a fazer sentir?

É porque quando começas a descompactar o solo de uma maneira natural, ele por si só começa-se a defender. Entrando mais água, entrando mais ar, tu vais começando a dar mais vida ao solo e isso reflete-se quando tens muito mais ervas. Inclusivamente, aquelas que nós plantamos entram em competição com as espontâneas. E são benéficas para certo tipo de insetos, outras que são prejudiciais para outros insetos que não interessam nada à nossa cultura, a vinha. E, portanto, de uma maneira mais regrada e natural, ele começa a autocontrolar o próprio ambiente na vinha. E isto é fácil de ver. Nós deixamos de aplicar herbicidas, neste momento cortamos ervas. Nós deixamos de arar as ervas que estavam, eu vou lhe chamar ervas mesmo, que estavam na entrelinha, neste momento deitamo-las. Por que que as deitamos? Porque essas ervas previnem a erosão do solo, previnem que ele ainda se torne mais pobre.

E posso deduzir que esta aposta numa cultura mais sustentável também se torna mais sustentável financeiramente, por exemplo? Tem custos inferiores, é mais saudável. Só traz coisas boas ou também traz dificuldades?

Traz dificuldades. Traz dificuldades porque imagina, os pesticidas que Que se usam, mesmo de maneira regrada e nas doses legais, são eficazes. De uma maneira sustentável e regenerativa, nós não vamos deixar de aplicar tudo. Nós não estamos no regime biológico ou no regime natural, em que temos poucas armas para combater pragas e doenças. Mas se por ano nós fizermos dois tratamentos a menos, nós já estamos a poupar financeiramente e não sobrecarregar tanto o ecossistema. Outra parte regenerativa é compostagem orgânica própria que nós enterramos. Estrum, outro tipo de resíduos orgânicos vegetais, que nós produzimos em toda a linha durante todo o ano.

Portanto, basicamente aqui aproveitar todas as componentes do ecossistema em que estão inseridos.

É uma economia circular, integrá-las novamente, em vez de irmos comprar. Isto leva muito tempo e não se sabe muito bem quanto tempo poderá levar. Mas a ideia é, uma vez que alteraste, vais alterar para sempre. E são estas pequenas coisas que vê-se perfeitamente que há mais insetos, mais bichos. Nós inclusivamente promovemos na nossa quinta bugs hotels, hotéis para insetos, e shelters para bats também, para morcegos. E tentar criar uma biodiversidade e uma cadeia alimentar própria, até ela estar completamente regulada e manter-se.

Voltamos um bocadinho atrás, numa altura em que estamos já praticamente a ficar sem tempo, mas queria voltar a olhar para os vossos vinhos. Quem prova os vinhos da Quinta do Sampaio, o que é que diz e o que é que pode saborear e por que é que devem provar estes vinhos? Naturalmente, o nosso público adulto. Para terminar aqui a nossa conversa, quero perceber se dão mais importância ao que os clientes querem saborear ou a manter a vossa própria identidade. Ou é aqui um equilíbrio?

Na Quinta do Sampaio há identidade e sobretudo autenticidade.

Têm vinhos brancos, tintos, rosés? Ok.

Temos todas essas espécies de vinhos. O que é diferente na Quinta do Sampaio dos vizinhos, dos nossos concorrentes da região? A região do Cartaxo é uma região tradicionalmente conhecida por vinhos tintos de muita intensidade, muito álcool, muito tanino, muita cor. Os vinhos da Quinta do Sampaio não são nada disso. Os vinhos da Quinta do Sampaio primam pela elegância, sofisticação, se quiseres chamar, mas frescura, graus mais reduzidos, e isto é uma tendência que nós temos acompanhado e estudado das viagens que fazemos lá fora. Estamos a tentar internacionalizar à séria, mais do que em Portugal, o mercado está saturado de marcas. Nós temos que ir à procura.

E têm quantidade de produção suficiente para ir lá para fora. Já tive a oportunidade de falar com alguns enólogos aqui no "Brainstorming" e às vezes dizem-nos: "Nós até fazemos e até temos mercado para pôr os nossos vinhos lá fora, depois não temos é as quantidades que nos pedem".

Certo. Nós temos o potencial todo montado. Nós temos uma adega grande. A quinta é grande, a vinha é grande e esta adega foi projetada há cerca de 30 anos para 1 milhão de litros. Nós estamos a fazer imensamente menos e vendemos muita uva a parceiros.

Portanto, resumindo e concluindo, uma identidade própria já com 300 anos de história, um ecossistema que é potenciado não só para o negócio, mas também para fazer com que tudo funcione de uma forma sustentável e serviços e um conjunto de oportunidades que dão ao público de experienciar não só o vinho, mas tudo aquilo que vai para além do vinho também, com essa novidade que falaste desse novo azeite, quase aqui um círculo perfeito.

Um portfólio interessante.

Exatamente. Da Quinta do Sampaio, esta casa com mais de 300 anos de história. Marco, estamos já mesmo a acabar o nosso tempo aqui no "Brainstorming", mas fechamos sempre da mesma forma as nossas conversas e vou-te pedir para escolheres uma música que aches que faz fit com a Quinta do Sampaio. Que música é essa que identificas com a Quinta do Sampaio? Explica-nos também porquê.

Uma música que reflita memória, imaginação, criatividade, esta região do cérebro, que se chama hipocampo. É a música que eu penso que cai que nem uma luva na Quinta do Sampaio. A Lena d'Água é uma artista que eu gosto muito. Inclusivamente, já esteve na Quinta do Sampaio a fazer espetáculo e, portanto, o Hipocampo fala de muitas coisas, fala de criatividade, fala de memória e inclusivamente o refrão diz que fala em brindes, tchim tchim. Portanto, acho que será uma ótima opção.

E indiretamente é também uma música que convida a ir para o campo e ir visitar aqui a Quinta do Sampaio. Quem quiser saber mais acerca da Quinta do Sampaio, o que é que estão a fazer, vocês têm redes sociais, sites?

Tudo. Facebook, Instagram, quintadosampaio.pt. Estão lá as experiências, estão lá os preços, estão lá os vinhos, está lá a equipa, está lá tudo. Agendem, visitem, nós estamos à vossa espera.

Marco Crespo, enólogo da Quinta do Sampaio, aqui no "Brainstorming". Obrigado por teres vindo até conosco e até à próxima. Quase a terminar o Brainstorming desta semana. O TikTok está a investir em literacia digital em inteligência artificial. Isto em parceria com organizações como a No Filter e a Raspberry Pi Foundation, tudo para ajudar os utilizadores a detetar e compreender imagens e vídeos gerados por AI. A empresa diz que já apoiou conteúdos educativos que somam mais de 200 milhões de visualizações e continua também a expandir o programa com novos recursos, um hub na aplicação e ferramentas de detecção mais robustas. Parece que o TikTok está a investir na literacia e na educação. Esperemos que com melhores resultados este investimento do que noutros contextos, nomeadamente o contexto nacional. Bom, por aqui no Brainstorming hoje falámos de fãs em modo devoção, de campanhas portuguesas que continuam a ganhar e a conquistar o mundo e de uma plataforma que quer ensinar-nos a navegar melhor entre o real e o fabricado. Com o Marco Crejo, enólogo da Quinta do Sampaio, falámos acerca de um setor onde a tradição, a inovação e a autenticidade precisam de coexistir sem perderes equilíbrio. Uma lição que, aliás, também daria jeito a quem anda a gerir a confiança nos exames. Quanto a este Brainstorming, também está de regresso, aliás, não este, mas um novo, na próxima segunda-feira, depois das 10:00 p.m. e fica também sempre disponível em podcast, como é hábito, em qualquer plataforma, mas principalmente nas plataformas do Observador, incluindo em observador.pt. Com a ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia sem agrafos no QR code do Bernardo Almeida, eu sou o Hugo Silva e até à próxima edição, lembre-se, quando a tecnologia vacila, o que nos salva é a humanidade e o esforço de quem põe o mundo a andar. Até para a semana.